Resenha: Confissões do Crematório, de Caitlin Doughty

Preciso admitir que, se não fosse o lançamento de Confissões do Crematório, eu jamais teria tido o prazer de conhecer a incrível Caitlin Doughty. Com apenas 32 anos de idade, ela já acumula 7 anos de experiência na indústria funerária norte americana e outros tantos advogando em defesa do que denomina como “boa morte”. Esse currículo pode até causar arrepios à primeira vista, mas a verdade é que a jovem Caitlin tem muito para ensinar a todos nós.

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Confissões do Crematório é um livro repleto de referências literárias, científicas e históricas comentando temas relacionados com a indústria funerária dos Estados Unidos, passando pelas leis aplicadas aos cadáveres até a maneira como essa sociedade lida com a morte. Como nesse assunto não ficamos longe dos norte americanos, praticamente tudo que a autora escreveu em Confissões do Crematório pode ser aplicado a nós, brasileiros.

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Por mais que a tecnologia possa ter se tornado nossa mestra, precisamos apenas de um cadáver humano para puxar a âncora do barco e nos levar de volta para o conhecimento firme de que somos animais glorificados que comem, cagam e estão fadados a morrer. Não somos nada mais do que futuros cadáveres.

Caitlin começa contando sobre sua experiência no crematório da funerária Westwind Cremation & Burial, em São Francisco. Ela passou dois anos por lá aprendendo a banhar cadáveres e prepará-los para o velório – o tipo de serviço que fingimos não existir, preferindo acreditar que os mortos simplesmente aparecem maquiados e engomados para suas cerimônias.

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Eu admito que boa parte do que me levou a ler Confissões do Crematório foi uma curiosidade mórbida sobre o funcionamento de uma funerária e as bizarrices que acontecem com quem lida diariamente com gente morta. Para a minha surpresa, o livro trouxe questionamentos existenciais que por pouco não me arrancaram lágrimas. Confissões do Crematório tem seu lugar garantido no meu pódio de melhores livros lidos em 2016.

Apesar de ser um livro do selo Darklove, dedicado às publicações menos sanguinolentas da DarkSide Books, Confissões do Crematório não é para corações fracos. Você sabia, por exemplo, que idosos acamados e que não são mudados de posição podem desenvolver um tipo de gangrena, ocasionada pelo peso dos ossos sobre a pele? E que após cremados, os restos mortais dos bebês são tão pequenos que não passam pela máquina de trituração e precisam ser esmagados à mão? Aliás, após a cremação, os restos do corpo humano precisam passar por um processamento para virarem cinzas. Não vamos do fogo ao pó naturalmente. Portanto, prepare-se para ler sobre essas e muitas outras informações nuas e cruas sobre a morte.

Todas as culturas têm valores de morte. […] Essa necessidade de significado é o motivo pelo qual alguns acreditarem em um sistema intrincado de vida após a morte, de outros acreditarem que sacrificar um determinado animal em um determinado dia leva a colheitas saudáveis e a outros acreditarem que o mundo vai acabar quando um navio construído com as unhas não cortadas dos mortos chegar carregando um exército de cadáveres para lutar com os deuses no fim dos dias (a mitologia nórdica sempre vai ser a mais radical, desculpem).

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Ao mesmo tempo que fala sobre coisas escatológicas, Caitlin transmite um bom humor que só um ser humano cheio de empatia poderia praticar. Essa foi a sutileza em Confissões do Crematório que derreteu meu coração. A pesquisa aprofundada da autora unida à sua paixão e respeito pela morte torna a leitura deliciosa e engrandecedora da alma – independente da sua crença religiosa.

Como falei no início do texto, a Caitlin hoje dedica sua carreira a advogar pela causa da “boa morte”, que nada mais é do que nos livrarmos da forma higienista com que lidamos com os mortos, compreendendo que olhar e tocar um cadáver sem intervenções químicas pode ser benéfico para lidarmos com a morte e o luto. Entender que a morte faz parte da nossa existência é um gatilho para o nosso amadurecimento como sociedade. A chamada Order of the Good Death conta com a contribuição de profissionais da indústria funerária, acadêmicos, artistas e simpatizantes do mundo todo.

Aceitar a morte não quer dizer que você não vai ficar arrasado quando alguém que você ama morrer. Quer dizer que você vai ser capaz de se concentrar na sua dor, sem o peso de questões existenciais maiores como “Por que as pessoas morrem?” e “Por que isso está acontecendo comigo?”. A morte não está acontecendo com você. Está acontecendo com todo mundo.

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A decisão de compartilhar minhas experiências de leitura nasceu, obviamente, da vontade de indicar livros que me marcaram de alguma forma (salvo resenhas negativas, mas estas não deixam de ter sua utilidade). Mas Confissões do Crematório é imperdível. Hoje, se eu tivesse que indicar apenas um livro de todos que resenhei para quem acompanha o Chovendo Livros, esse seria o livro.

Para quem se interessou por Confissões do Crematório, a Caitlin possui um canal no YouTube chamado Ask A Mortician, onde ela também fala sobre assuntos relacionados à morte e responde perguntas do público, tudo com um clima bem descontraído. Para quem consegue ouvir em inglês, recomendo muitíssimo!

Não esqueça de deixar seu comentário caso você tenha ficado curioso para ler Confissões do Crematório, ou se você já é um fã do trabalho da Caitlin. Boas leituras mortais!

Ficha técnica do livro
Título: Confissões do Crematório: lições para toda a vida
Autora: Caitlin Doughty
Tradutora: Regiane Winarski
Editora: DarkSide Books
Ano: 2016
Gênero: Não-ficção | Biografia
Páginas: 256

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a DarkSide Books. ♥
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Resenha: Exorcismo, de Thomas B. Allen

Há muitos anos, quando eu ainda era jovem e Harry Potter só existia até A Ordem da Fênix, fui na biblioteca do colégio procurar algo interessante para ler. Escondidinho, na seção dos livros de terror, encontrei um exemplar de O Exorcista e logo fiquei curiosa. Não sabia que aquele filme tão famoso era inspirado em um livro! Levei ele para casa e lembro de ter passado os dias seguintes com muito medo, porém vidrada na leitura. Durante um bom tempo, O Exorcista ocupou o posto de melhor livro de terror que eu já havia lido.

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Desde que a DarkSide Books anunciou o lançamento de Exorcismo eu fiquei possuída louca. Afinal de contas, o livro conta a história real que inspirou o William Peter Blatty a escrever O Exorcista. Mesmo que nesse meio tempo O Iluminado tenha destronado O Exorcista como melhor livro de terror da vida, ainda assim eu sempre fiquei muito curiosa com histórias envolvendo demônios.

Exorcismo conta a história do jovem Robert Mannheim que, após brincar inocentemente com uma tábua ouija, acaba possuído por um demônio. Após infernizar (literalmente) a vida de seus parentes com os sintomas, a família de Robert decide procurar um padre para realizar um exorcismo no garoto. O ritual dura cerca de quatro meses, muito difíceis e sofridos tanto por parte de Robert como dos jesuítas que assumiram a tarefa. Todos esses acontecimentos são agravados pelo fato de que, bem, eles aconteceram de verdade. E tudo o que Robert e sua família puderam fazer durante esse período era ter fé.

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Antes de ler Exorcismo, você precisa estar ciente de uma coisa: o autor, Thomas B. Allen, buscou escrever um relato jornalístico do ocorrido. Em outras palavras, isso significa que o livro não possui reviravoltas, ritmo acelerado, suspense, etc. Exorcismo é muito assustador se você pensar que tudo aquilo aconteceu de verdade (ao menos segundo as testemunhas entrevistadas pelo autor). Mas não espere uma leitura com ritmo de ficção.

Em uma entrevista para o blog Geeksaw, Thomas B. Allen admitiu não acreditar que Robert estava mesmo possuído. Mas isso não impediu que ele ficasse impressionado com os relatos do Padre Halloran, um dos jesuítas que realizou o exorcismo. Segundo o autor, o padre sempre mostrou-se muito racional, e os dois tornaram-se amigos por conta da pesquisa de Allen sobre o caso de possessão.

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O que eu achei mais interessante em Exorcismo foi justamente algo que chamou minha atenção há anos, quando li O Exorcista: a burocracia de um exorcismo. Ao contrário do que Hollywood nos fez acreditar, não basta chegar e recitar frases da Bíblia para exorcizar um demônio que habita uma pessoa. É preciso, primeiramente, obter a permissão da autoridade católica máxima da sua região. E para conseguir essa permissão, é necessário reunir provas concretas de que o caso não é apenas um problema mental. Os sintomas da possessão são vários, e vão desde falar outro idioma até manifestações sobrenaturais.

Além da história de Robert relatada por Thomas B. Allen, Exorcismo também acompanha um Diário do Exorcista, onde um dos padres que acompanhou o processo manteve um relatório detalhado das sessões de exorcismo, que duraram cerca de quatro meses.

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Exorcismo é imperdível para fãs de O Exorcista (prazer) e entusiastas de manifestações demoníacas. Por ser um relato jornalístico, pode decepcionar alguns leitores, por conta de seu ritmo pouco acelerado. Tenha isso em mente quando pegar Exorcismo para ler! Boas leituras e fique longe de tábuas ouija!

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a DarkSide Books. ♥

A importância da jornada – Especial: Em Algum Lugar nas Estrelas

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Hoje encerramos a semana especial de Em Algum Lugar nas Estrelas, mas o sorteio vai até semana que vem. Portanto, não perca a chance de levar para casa esse livro incrível! Clique aqui para participar do sorteio.

Quando planejei o conteúdo dessa semana, pensei no post de hoje como uma coletânea das frases mais marcantes de Em Algum Lugar nas Estrelas. Aconteceu que, após separar minhas passagens favoritas, eu me dei conta que todas elas versavam sobre a mesma temática: a importância da jornada, mais do que chegar no destino de fato.

Às vezes, é melhor não ver todo o caminho que se estende diante de você. Deixe a vida surpreendê-lo, Jackie. Há mais estrelas por aí do que as que já têm nome. E todas são lindas.

Esse é um tema pelo qual eu tenho muito apreço, pois é algo que levo como uma filosofia de vida. Ao invés de arrancar os cabelos por não alcançar um objetivo específico, prefiro me divertir com os pequenos aprendizados que tenho todos os dias, enquanto me esforço para conquistar o que almejo.

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Os que quase se deixam consumir pela caçada, os desesperados, digamos, por aquilo que acham que procuram, normalmente estão bem longe do que de fato estão procurando. É verdade, também, que às vezes eles não estão procurando nada, mas fugindo de alguma coisa.

Um assunto que vivo conversando com amigos próximos é a frustração vivida pela nossa geração para alcançar um certo padrão de qualidade de vida onde trabalho deve significar diversão e uma certa plenitude espiritual. A maioria de nós cresce e descobre que, bem, a vida não é um algodão-doce. Trabalhar não envolve criar um projeto inovador toda a semana, como acreditávamos que seria na faculdade (o pessoal da indústria criativa vai me entender aqui). E é na frustração de não criarmos coisas absurdamente incríveis agora que afundamos a nossa capacidade de perceber como as pequenas coisas podem ser uma semente para algo grandioso no futuro.

O que é mais importante, pensei. Procurar ou encontrar?

Eu acredito que procurar seja mais importante do que encontrar. Afinal de contas, nós raramente sabemos o que queremos encontrar (e Douglas Adams fez a melhor analogia da humanidade dizendo que a resposta para tudo é 42). A jornada de procurar nos ensina mais que qualquer conquista. Mais do que isso, nos prepara para o momento em que encontramos algo. Seja um trabalho, uma viagem ou qualquer outra coisa.

Não pretendo transformar esse texto em autoajuda, mas queria aproveitar que Em Algum Lugar nas Estrelas é um livro tão positivo para passar uma mensagem: não desanime se a vida não está correndo como você esperava. Ao invés disso, tente aprender ao máximo todos os dias com as suas vivências, e dê o seu melhor em tudo o que fizer. No futuro, quando você olhar para trás, vai perceber como foi útil ver a vida com olhos curiosos ao invés de ficar aborrecido(a) por não ter algo que você sequer sabia o que era.

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Ligar os pontos. Minha mãe dizia que olhar as estrelas tinha a ver com isso. “lá em cima é como aqui embaixo, Jackie. Você precisa procurar as coisas que nos conectam. Encontrar os jeitos com que nossos caminhos se cruzam, nossas vidas se interceptam e nossos corações se encontrem.

Acompanhar a jornada de Jack e Early no livro Em Algum Lugar nas Estrelas reforçou três lições em minha vida: seja gentil com as pessoas, nunca desista e preste atenção na sua jornada. Ela está repleta de ensinamentos que você não pode deixar passar.

A Beleza de uma Única Estrela
de Elaine Gallagher

As estrelas em seus cursos
Iluminam e guiam,
viajantes e andarilhos
para seguirem adiante.
Mas antes de Plêiades e Orion,
Antes de menores e maiores,
Eram só estrelas em seus cursos,
Cantando seus louvores.
Em uma só estrela há beleza suficiente,
Pura admiração, fascínio e esplendor,
Para levantar os olhos, estender os braços,
E permanecer, humilde,
agradecidos por elas de fato.

Abaixo, vou deixar a lista completa com todos os conteúdos da semana especial de Em Algum Lugar nas Estrelas. Não deixe de conferir tudinho:

Desejo a todos vocês uma ótima jornada, dentro e fora dos livros! ♥

Pôster musical – Especial: Em Algum Lugar nas Estrelas

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Estava ansiosa para compartilhar esse post! Para quem ainda não viu, essa semana é todinha dedicada ao livro Em Algum Lugar nas Estrelas, de Clare Vanderpool, uma leitura incrível e inspiradora (clique aqui para conferir a resenha). Como já contei por aqui, Early Auden, um dos personagens principais do livro, possui um gosto musical regrado e peculiar. Ele só ouve Louis Armstrong às segundas, Frank Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas e Mozart ao domingos. A menos que chovesse. Em dias chuvosos, ele sempre ouve Billie Holiday.

Fill my heart with song
And let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you

Inspirada pela seleção musical de Early, a DarkSide Books preparou uma playlist deliciosa, repleta de músicas perfeitas para embalar a leitura de Em Algum Lugar nas Estrelas. Não deixe de ouvir, sério!

Eu fiquei tão inspirada pelas músicas que resolvi criar um pôster com o nome da minha música preferida do Frank Sinatra, chamada Fly Me To The Moon. O pôster possui formato A4, para ficar fácil de imprimir em qualquer impressora e também de encontrar uma moldura que sirva. Espero que vocês aproveitem o pôster para decorar aquele cantinho especial.

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Clique aqui para baixar ♥

O que você acha desse tipo de conteúdo, para baixar e usar? Me conte nos comentários, eu vou adorar saber. E não esqueça de participar do sorteio de um exemplar de Em Algum Lugar nas Estrelas, que está rolando aqui. Boas leituras inspiradoras!

Resenha: Em Algum Lugar nas Estrelas, de Clare Vanderpool

Desde a primeira vez que a DarkSide Books divulgou uma imagem de Em Algum Lugar nas Estrelas, escrito por Clare Vanderpool, eu fiquei apaixonada. É o típico livro que te pega pelo olhar antes de você saber sobre o que se trata a história. Como eu sempre tive um apego grande pelo espaço e pelas estrelas (Sailor Moon mandou beijos), sabia que seria difícil me decepcionar com uma história envolvendo esses elementos. E foi assim que cheguei até esse livro maravilhoso.

Durante toda a semana, até sexta-feira, vai rolar um especial todinho dedicado ao livro Em Algum Lugar das Estrelas. O conteúdo será dividido e intercalado entre o blog e o canal. Quem ainda não segue o canal do Chovendo Livros é bom correr, para não perder nadinha! É só clicar aqui.

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Em Algum Lugar das Estrelas começa contando a história de Jack Baker, um jovem que perdeu sua mãe recentemente e foi mandado para um internato só para meninos pelo pai, um soldado das Forças Armadas. Jack era muito apegado à mãe, e a distância emocional em relação ao pai somada ao fato de estar em um colégio longe de sua terra natal fazem ele se sentir extremamente solitário naquele lugar. Até que Jack conhece Early.

Early Auden é um garoto peculiar em vários sentidos. Além de viver sozinho em um cômodo do internato que já serviu como despensa do zelador, ele tem a mania de contar e separar jujubas por cores quando fica nervoso. Early também possui regras musicais: ele só ouve Louis Armstrong às segundas, Frank Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas e Mozart ao domingos. A menos que chovesse. Em dias chuvosos, ele sempre ouve Billie Holiday.

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Mais estranho que tudo isso, Early tem um apego pelo número Pi. Ele acredita que seus algarismos contam a história de um menino chamado Pi, que viveu uma vida de aventuras explorando diversos lugares do mundo. Jack ouve a história com atenção, mas não acredita que aquilo aconteceu de verdade, ao contrário de Early.

Durante uma semana de férias no internato, apenas Jack e Early permanecem no local. Early comunica Jack que sairá em uma viagem atrás de seu irmão mais velho, declarado morto em um ataque ao seu batalhão durante a Segunda Guerra Mundial. Early jura que ele ainda está vivo e, apesar das tentativas de Jack de desencorajar a empreitada, ambos roubam um barco do internato e partem juntos pela imensidão do mar do Maine.

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Durante sua viagem, Jack percebe que o conhecimento de Early sobre a história de Pi pode ser muito útil, já que vários dos acontecimentos ocorridos com eles se parecem com as aventuras vividas pelo personagem fictício. É nessa mistura de realidade e ficção que Jack e Early enfrentarão situações inimagináveis para dois adolescentes e descobrirão o valor de uma amizade verdadeira.

O livro possui duas formas narrativas: na primeira, acompanhamos a aventura dos garotos em primeira pessoa, pelos olhos de Jack. Outros capítulos são narrados em terceira pessoa e contam as aventuras do jovem Pi. Os capítulos sobre Pi são curtos e não tiram o foco da história principal de Jack e Early.

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A cada página virada de Em Algum Lugar nas Estrelas eu me apegava mais e mais à história e aos protagonistas. Senti como se vivesse a aventura ao lado deles, vibrando a cada conquista e ficando nervosa quando eles se metiam em alguma encrenca. O que mais gostei, sem dúvidas, foi a mistura de magia e realidade durante a viagem de Jack e Early. Há quem ache confuso, mas eu sou uma grande fã de histórias onde o elemento mágico tira o leitor da zona de conforto, e ficamos sem saber dizer se algo aconteceu de verdade ou era apenas imaginação do personagem. Às vezes a mágica simplesmente acontece, e isso é incrível.

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Como forma de dividir essa história incrível com vocês, a DarkSide Books disponibilizou um exemplar de Em Algum Lugar nas Estrelas para sorteio aqui no Chovendo Livros. Para participar, basta cumprir os passos obrigatórios do formulário abaixo. Boa sorte para todos! ♥

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Lembrando que amanhã tem conteúdo especial de Em Algum Lugar nas Estrelas lá no canal, não esqueça de se inscrever para acompanhar. Boas leituras estreladas!

Resenha: Além-mundos, de Scott Westerfeld

No último vídeo de book haul do canal eu mostrei Além-mundos, do Scott Westerfeld, que recebi da Galera Record. Assim que abri o envelope já soube que passaria aquele livro na frente da pilha de leitura, pois já fazia um tempo que queria conhecer alguma obra do autor. Com a faca e o queijo na mão, não podia mais adiar esse objetivo, certo?

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Além-mundos é um livro que contém duas histórias diferentes, apresentadas em capítulos alternados. A primeira é uma ficção escrita por Scott Westerfeld, e a outra é a ficção da ficção, escrita pela personagem criada pelo autor na primeira história. Pareceu confuso? Continua comigo que eu explico.

Primeiramente, somos apresentados a Darcy Patel, uma jovem de família indiana, mas que nasceu e foi criada nos Estados Unidos. Darcy escreveu um livro intitulado Além-mundos em apenas um mês, e assim que completa 18 anos e consegue um contrato com uma editora, resolve mudar-se para Nova York para perseguir o sonho de se tornar uma escritora.

Em seguida, conhecemos Lizzie, a protagonista do romance de Darcy, Além-mundos. Ao fazer uma escala tarde da noite no aeroporto de Dallas, Lizzie presencia um ataque terrorista e precisa fingir-se de morta para escapar dos tiros. O problema é que Lizzie capricha na atuação e acaba atravessando a barreira entre o mundo dos vivos e o mundo dos fantasmas. Nesse outro lado, além de ver as almas das pessoas que estão morrendo à sua volta durante o ataque terrorista, Lizzie conhece Yamaraj, um jovem da sua idade que parece habituado em viver entre esses dois mundos.

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Nós acompanhamos, à partir de então, o desenrolar da vida dessas duas jovens. De um lado temos Darcy, com seus dilemas mundanos relacionados à indústria literária norte-americana, mais especificamente de livro young adult (jovem adulto). Do outro lado, descobrimos com Lizzie que os fantasmas estão por todos os lugares e que o além-mundo possui suas próprias regras, as quais ela compreenderá melhor com a ajuda de Yamaraj e de outros companheiros que já deixaram nosso plano.

É interessante ler a versão final de Além-mundos, enquanto acompanhamos Darcy finalizando o romance em tempo real durante seus capítulos, bem como os motivos que a levaram a tomar novos rumos na narrativa. Através da vivência de Darcy, nós temos um gostinho de como é ser um autor de YA badalado em Nova York, frequentando encontros exclusivos e turnês literárias. Também conhecemos o lado não tão florido de ser um escritor, como quando a editora exige um final feliz para o livro, ou a venda de seu primeiro romance é tão ruim que você corre o risco de perder seu contrato.

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Durante sua estadia em Nova York, Darcy conhece Imogen, uma jovem que também publicará um livro YA pela mesma editora. Elas passam a morar juntas e mantém um relacionamento muito bacana, com fofura e problemas na medida. Achei importante ressaltar que esse livro possui um casal lésbico, pois sei que muita gente busca se identificar em histórias do tipo, já que (infelizmente) a maioria dos casais em livros jovens são heterossexuais.

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Enquanto a vida adulta, com seus problemas reais até demais, engole Darcy Patel, a história de Lizzie é pura fantasia. Apesar de eu ter gostado do funcionamento do além-mundo e dos dilemas sobrenaturais com os quais Lizzie precisa lidar, fiquei um pouco incomodada com o romance da protagonista e Yamaraj. Sem dúvidas, um dos maiores instalove que já li. O que salvou é que eu sempre tive em mente que essa história fazia parte do primeiro livro escrito por uma garota de 17 anos. Depois fiquei pensando com meus botões que talvez Além-mundos seja um livro que o próprio Scott Westerfeld escreveu quando tinha essa idade, e deu um jeito de publicá-lo mesmo ele não estando tão redondo quanto poderia.

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Apesar desse porém, minha experiência de leitura com Além-mundos foi muito positiva. Fui conquistada por Darcy e Lizzie e ficava ansiosa para passar algum tempo do meu dia com elas e suas aventuras mundanas e sobrenaturais. Vi muita gente receosa com o tamanho de Além-mundos, mas não precisa se preocupar: é aquele tipo de livro que você lê 100 páginas e nem percebe. Com uma escrita tão gostosa, fica fácil entender por que Scott Westerfeld é um autor queridinho por tantos leitores.

E você, já leu ou ficou curioso(a) para ler Além-mundos? Qual livro do Scott Westerfeld você recomendaria para eu ler depois desse? Boas leituras!

5 motivos para assistir e amar Unbreakable Kimmy Schmidt

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Imaginem uma história sobre quatro mulheres raptadas e mantidas em cárcere privado durante 15 anos por um reverendo desequilibrado que contava a elas que o apocalipse havia chegado e devastado a humanidade? Pois esqueça os traumas e os dramas, pois Unbreakable Kimmy Schmidt vai te fazer rolar de tanto rir (literalmente, aconteceu comigo).

Unbreakable Kimmy Schmidt é mais uma das séries excelentes produzidas pela Netflix. Nela, acompanhamos o dia a dia de Kimmy que, após 15 anos mantida presa dentro de um bunker pelo reverendo maluco que mencionei ali em cima, busca recuperar o tempo perdido e reconstruir sua vida em Nova York.

Agora, tem uma coisa que preciso revelar a vocês: eu costumo detestar comédia. Não querendo fazer a culta mas já fazendo, quando o assunto é comédia, sou do time do sarcasmo e das alfinetadas. Por favor, nunca me chamem para assistir Se Beber, Não Case. E é justamente por isso que estou aqui falando sobre a maravilhosa Unbreakable Kimmy Schmidt, apresentando cinco motivos para vocês correrem para a Netflix e se apaixonarem também. Vamos lá?

1. Mulheres fazendo humor, sim, senhor!
Não é novidade que o grande público costuma achar homens mais engraçados que mulheres. Afinal de contas, servimos apenas como prêmio para o herói que salva o dia. A não ser quando estamos fora dos padrões de beleza, então servimos como motivo de piada (sempre rindo de nós, e não conosco). Unbreakable Kimmy Schmidt chuta bundas e grita na nossa cara que vai ter mulher comediante, sim! O elenco conta com Ellie Kemper (The Office), Jane Krakowski (30 Rock), Carol Kane (desafio vocês a nunca terem visto um filme ou série com essa mulher) e mais uma infinidade de atrizes. Lembrando que a série foi co-criada pela Tina Fey.

2. Episódios curtos
Os episódios de Unbreakable Kimmy Schmidt duram em média 25 minutos, ou seja: não precisa de cerimônia para sentar e assistir. Existem dois tipos de pessoas: as que conseguem assistir Unbreakable Kimmy Schmidt em etapas, para não terminar logo (prazer, Rafaela) e aquelas que deram o play no primeiro episódio e acabaram com a série em uma sentada. Depois me contem que tipo vocês são!

3. Humor inteligente e atual
Vivemos em um mundo onde cada vez mais (felizmente) as pessoas têm coragem de ser quem realmente são. As minorias ganham espaço a cada dia… Só que não. Quem está do lado menos favorecido (seja em termos de gênero, sexualidade, etnia) sabe que o discurso de inclusão é muito bonito na teoria, mas que a prática acaba desapontando. Unbreakable Kimmy Schmidt vai abordar todas essas questões e de quebra te arrancar muitas gargalhadas.

4. Titus Adromedon
Não tem como falar de Unbreakable Kimmy Schmidt e não falar de Titus Andromedon, melhor amigo da protagonista. Negro, gordo e gay, Titus tem tudo para ser aquele personagem reduzido a um esteriótipo. Na verdade, é ele quem tira sarro desse esteriótipo quando a gente menos espera – sem perder a oportunidade de alfinetar o espectador branco e heterossexual, é claro.

5. ‘Cause females are strong as hell!
Essa frase está presente na abertura da série, a qual é impossível não cantar e dançar junto (é só dar play no vídeo no início do post). Eu acho que ela diz muito sobre a série. Apesar do tema passar despercebido em meio a tantas piadas, Unbreakable Kimmy Schmidt fala sobre uma mulher que superou as dificuldades impostas sobre ela e deu a volta por cima. Como se isso não bastasse, ela ajuda outras mulheres em seu caminho, como a socialite Jacqueline Voorhees, que foi traída pelo marido milionário e acha que precisa continuar o relacionamento para manter as aparências. Ou suas colegas de bunker, que precisam da ajuda de Kimmy para colocar o reverendo na cadeia.

Agora é hora de todos vocês correrem para assistir Unbreakable Kimmy Schmidt! Depois venham aqui me contar sobre o que mais gostaram na série. A cada episódio visto, eu me perguntava porque não tinha assistido antes. Boa maratona!

Resenha: O árabe do futuro 2, de Riad Satouff

Ano passado eu li o excelente e sensível O árabe do futuro, quadrinho escrito e ilustrado pelo franco-sírio Riad Satouff (clique aqui para ler a resenha). Assim que fiquei sabendo do lançamento do segundo volume pela Intrínseca, em março desse ano, não pensei duas vezes: quis logo continuar o restante das aventuras do pequeno menino loiro pelo Oriente Médio.

Nesse segundo volume de O árabe do futuro, acompanhamos mais dois anos da infância de Riad, na Síria, entre 1984 e 1985. Já com idade suficiente para frequentar a escola, Riad começa a descobrir e entender mais sobre a cultura árabe – ainda com suas limitações de criança, claro.

Eu simplesmente amo histórias contadas do ponto de vista das crianças, e olha que eu nem gosto tanto assim delas na vida real, risos. Ver o mundo de uma perspectiva inocente e sem julgamentos permite que nós, adultos, também vejamos as coisas assim, mesmo que por um instante. Isso é o que mais chama a minha atenção na obra de Riad Satouff: conhecer mais sobre o Islamismo sem a carga de preconceitos com que nós, ocidentais, estamos acostumados a olhar para essa religião.

É claro que nem tudo são flores, e algumas situações contadas por Riad são assustadoras. Como quando uma familiar foi morta pelo pai e pelo irmão por ter engravidado fora do casamento – fato que constitui um crime contra a honra da família para o Islã. Ou quando os pais de Riad o levam para uma consulta no pediatra e o médico reclama que a maioria das famílias sírias só levam suas crianças ao médico quando já estão praticamente mortas.

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Para quem gosta de história, O árabe do futuro 2 também traz alguns detalhes sobre a ditadura de Hafez al-Assad, que governou a Síria de 1971 até sua morte, nos anos 2000. Atualmente, o país é governado pelo filho de Hafez, Bashar al-Assad.

Eu recomendo O árabe do futuro 2 para quem gostaria de começar a ler quadrinhos, mas tem dificuldade em mergulhar em histórias fantasiosas. Pra você que já é um leitor de quadrinhos, trate de ir correndo atrás desse material (depois de deixar seu comentário, claro). Boas leituras!

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Resenha: Feita de fumaça e osso, de Laini Taylor

Depois do boom das trilogias, eu passei a ter um pé atrás com esse tipo de formato de publicação. Comecei a perceber que muitas histórias não eram bem distribuídas nos três volumes, resultando em livros arrastados e com poucos acontecimentos relevantes. Feita de fumaça e osso é o primeiro livro de uma trilogia, a qual eu dei uma chance somente pela recomendação de uma grande amiga e da Maria Angélica, do canal Vamos Ler – pois percebo que temos um gosto parecido para fantasia, principalmente em se tratando de histórias protagonizadas por mulheres.

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Em Feita de fumaça e osso, nós acompanhamos a protagonista Karou por sua vida nada normal pela cidade de Praga. Ela estuda no Liceu de Artes e vive deixando Zuzana, sua melhor amiga, com a pulga atrás da orelha por conta de seus sumiços repentinos. Isso acontece pois, apesar das tentativas de ser uma garota comum, Karou trabalha secretamente para Brimstone, uma quimera com cabeça de bode que transforma dentes em desejos.

Apesar de ter sido criada por Brimstone e por outras quimeras desde quando era um bebê, Karou nunca soube nada sobre sua origem verdadeira – afinal de contas, ela é humana. Karou prefere deixar essa dúvida de lado, até que os portais que utilizava para encontrar Brimstone são incendiados por – nada mais, nada menos – serafins. É a partir daí que somos sugados para o universo incrível criado pela autora Laini Taylor, onde quimeras e serafins travam uma guerra milenar envolvendo poder e liberdade.

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Eu adorei esse livro por tantos motivos que fica difícil saber por onde começar. A história de Feita de fumaça e osso é autêntica e rica em detalhes. Você consegue perceber a sensibilidade e o esforço da autora em criar um universo original com uma mitologia convincente. Nesse primeiro volume da trilogia, somos apresentados em profundidade às quimeras. Entendemos seus hábitos, sua cultura e até o padrão de beleza da raça. Como o próprio nome sugere – segundo o Houaiss a Wikipédia, quimera significa combinação heterogênea ou incongruente de elementos diversos – as quimeras possuem formas variadas, que podem ser desde um humanóide com cabeça de cavalo e corpo de crocodilo até onde sua imaginação permitir.

Além da dinâmica do povo quimera, compreendemos sua motivação para lutar contra os serafins. As quimeras foram escravizadas durante anos por sua aparência e sua língua. A incapacidade de compreender as quimeras e percebê-las como iguais levou os serafins a tratarem-nas como animais, que poderiam ser domesticados para servirem ao seu povo. Acho que não precisamos de muito esforço para traçar um paralelo direto com a história da humanidade, certo? Apesar de ser bacana perceber essa comparação, o universo de Feita de fumaça e osso existe muito além do que já aconteceu no nosso mundo, conseguindo sustentar-se como uma excelente história de fantasia.

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Outro motivo que fez eu me apaixonar pelo livro foi o romance, o qual não posso dar muitos detalhes pois não quero estragar a leitura de ninguém. Detesto romances e gostei desse justamente por fazer muito sentido dentro do universo proposto pela Laini Taylor. O sentimento que eu tive foi de que, quando eu achava que a história tomaria um caminho água com açúcar, vinha a autora e jogava um balde de água fria na minha cabeça.

Como fiz na resenha de O circo mecânico Tresaulti, gostaria de indicar uma trilha sonora que embalou minha leitura de Feita de fumaça e osso. O álbum Beneath the Skin da banda Of Monsters and Men tem tudo a ver com esse livro. Em especial, Wolves Without Teeth, que me lembrou a fuga de Karou de uma quimera lobo que aparece em certo ponto da história, e Organs, que combina com os arrependimentos envolvendo alguns personagens.

Já li/ouvi por aí algumas pessoas dizendo que Feita de fumaça e osso demora para engrenar e que o início do livro é demasiadamente parado. Esse ritmo, particularmente, me agradou muito. Quando sou apresentada a novos universos, gosto que tudo seja feito com calma, de maneira detalhada e convincente. Se você se identifica comigo, aposto que também vai adorar o livro!

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Eu indico Feita de fumaça e osso para quem gosta de livros de fantasia e quer se surpreender com um universo que envolve quimeras e serafins – duas raças de criaturas que se confrontam diretamente pela primeira vez. Assim que eu finalizar outros livros que já estavam na fila de leitura, vou correr para continuar essa trilogia.

Não esqueça de deixar nos comentários o que você achou da resenha e se ficou curioso(a) para ler e conhecer mais sobre o mundo de Feita de fumaça e osso. Boas leituras quiméricas!

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Resenha: O Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentine

O Circo Mecânico Tresaulti chegou até mim através do Vórtice Fantástico, um grupo de leitura com divisões em vários estados do Brasil, dedicado aos gêneros de ficção científica, terror e fantasia – e que agora também possui sua versão gaúcha, comandada pela Tamirez do Resenhando Sonhos. O livro, publicado pela DarkSide Books, sempre chamou minha atenção pela edição caprichada (marca oficial da editora). Selecionado como o livro de abril no Vórtice Fantástico, não tive mais desculpas para adiar a leitura. Sorte a minha.

Em meio a um cenário pós-apocalíptico, O Circo Mecânico Tresaulti acompanha a história do circo homônimo e de seus integrantes, que tentam sobreviver como podem em um mundo com pouco ou nada de feliz para oferecer aos seus habitantes. O circo é comandado por Boss, uma mulher firme que garante o funcionamento do Tresaulti como deveria. Mas é através de Little George, seu pequeno ajudante, que percebemos a maior parte da primeira metade da história.

Nessa primeira metade, descobrimos a origem d’O Circo Mecânico Tresaulti e de seus integrantes nada convencionais. Através da magia de Boss, os artistas são transformados em verdadeiros ciborgues steam punks, conferindo-lhes características ideais para o trabalho arriscado no circo. O espetáculo do Tresaulti acontece na seguinte ordem: os malabaristas, as dançarinas, o homem forte, os equilibristas, os saltadores e as trapezistas. Há muito tempo atrás, a apresentação era finalizada pelo incrível Homem Alado, que deixava o público boquiaberto quando voava pela lona do circo. Hoje, no entanto, ele não faz mais parte do Tresaulti, e suas asas jazem estáticas na oficina de Boss.

Conforme conhecemos mais sobre os integrantes do circo, descobrimos que as asas do Homem Alado, apesar de aposentadas, seguem vivas na alma de seus colegas – em um misto de saudade e desejo de vê-las funcionando novamente. Penduradas de maneira imponente e sempre à vista de Boss, as asas possuem um segredo cujo alguns integrantes do Tresaulti são capazes de dar a vida para descobrirem, enquanto outros farão de tudo para impedir que isso seja revelado.

Contando desse jeito, parece até que estou falando de uma história de suspense. Mas O Circo Mecânico Tresaulti vai muito além da disputa pelas asas do Homem Alado. A mitologia do circo mecânico é uma alegoria – belíssima – que discute temas como a morte, a ligação profunda entre duas pessoas (longe de ser um romance) e a lealdade aos outros e a si mesmo. Tudo isso embalado pelo clima melancólico do circo, pela incerteza e pela sensação de não pertencer a um lugar fixo.

Eu mencionei que boa parte da história é narrada por Little George, mas todos os integrantes do circo brilham dentro e fora do espetáculo, entregando para o leitor o seu ponto de vista. Alguns capítulos são narrados em terceira pessoa, possibilitando conhecer os personagens sob vários ângulos. A narrativa vem e volta no tempo, intercalando passado e presente. O sentimento é de que todos os personagens são essenciais, protagonizando o livro à sua maneira. Separados, eles enfrentam seus próprios dilemas; juntos, eles são as engrenagens (literalmente) que mantém o Tresaulti.

Na segunda parte do livro, o cenário pós-apocalíptico, que até então parecia apenas um pano de fundo, passa a influenciar a história diretamente. Buscando reconstruir a civilização através da ordem, um homem do governo vê nos integrantes do circo – e na magia de Boss – uma forma de criar soldados poderosos e resistentes. O medo de acabarem vivissecados em uma mesa de laboratório e o desejo de sobreviver fazem com que os integrantes do Tresaulti encontrem maneiras inesperadas – e emocionantes! – para escapar dessa situação.

Para acompanhar a leitura d’O Circo Mecânico Tresaulti, eu sugiro fortemente que você escute uma playlist com músicas de piano. Essa climatização foi o toque final para que eu ficasse completamente imersa na história criada por Genevieve Valentine. Clique aqui para ouvir minha sugestão de playlist para ouvir lendo O Circo Mecânico Tresaulti. Aliás, vou começar a reparar mais nessa coisa de combinar livros com músicas. Não imaginava que podia fazer tanta diferença na minha experiência de leitura!

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Espero que eu tenha te convencido a dar uma chance para a autêntica história d’O Circo Mecânico Tresaulti. Não esqueça de contar nos comentários o que você achou da resenha. Também me conte se há algum outro livro ambientado em circo que marcou sua vida. Boas leituras e bom espetáculo!