Resenha: Além-mundos, de Scott Westerfeld

No último vídeo de book haul do canal eu mostrei Além-mundos, do Scott Westerfeld, que recebi da Galera Record. Assim que abri o envelope já soube que passaria aquele livro na frente da pilha de leitura, pois já fazia um tempo que queria conhecer alguma obra do autor. Com a faca e o queijo na mão, não podia mais adiar esse objetivo, certo?

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Além-mundos é um livro que contém duas histórias diferentes, apresentadas em capítulos alternados. A primeira é uma ficção escrita por Scott Westerfeld, e a outra é a ficção da ficção, escrita pela personagem criada pelo autor na primeira história. Pareceu confuso? Continua comigo que eu explico.

Primeiramente, somos apresentados a Darcy Patel, uma jovem de família indiana, mas que nasceu e foi criada nos Estados Unidos. Darcy escreveu um livro intitulado Além-mundos em apenas um mês, e assim que completa 18 anos e consegue um contrato com uma editora, resolve mudar-se para Nova York para perseguir o sonho de se tornar uma escritora.

Em seguida, conhecemos Lizzie, a protagonista do romance de Darcy, Além-mundos. Ao fazer uma escala tarde da noite no aeroporto de Dallas, Lizzie presencia um ataque terrorista e precisa fingir-se de morta para escapar dos tiros. O problema é que Lizzie capricha na atuação e acaba atravessando a barreira entre o mundo dos vivos e o mundo dos fantasmas. Nesse outro lado, além de ver as almas das pessoas que estão morrendo à sua volta durante o ataque terrorista, Lizzie conhece Yamaraj, um jovem da sua idade que parece habituado em viver entre esses dois mundos.

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Nós acompanhamos, à partir de então, o desenrolar da vida dessas duas jovens. De um lado temos Darcy, com seus dilemas mundanos relacionados à indústria literária norte-americana, mais especificamente de livro young adult (jovem adulto). Do outro lado, descobrimos com Lizzie que os fantasmas estão por todos os lugares e que o além-mundo possui suas próprias regras, as quais ela compreenderá melhor com a ajuda de Yamaraj e de outros companheiros que já deixaram nosso plano.

É interessante ler a versão final de Além-mundos, enquanto acompanhamos Darcy finalizando o romance em tempo real durante seus capítulos, bem como os motivos que a levaram a tomar novos rumos na narrativa. Através da vivência de Darcy, nós temos um gostinho de como é ser um autor de YA badalado em Nova York, frequentando encontros exclusivos e turnês literárias. Também conhecemos o lado não tão florido de ser um escritor, como quando a editora exige um final feliz para o livro, ou a venda de seu primeiro romance é tão ruim que você corre o risco de perder seu contrato.

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Durante sua estadia em Nova York, Darcy conhece Imogen, uma jovem que também publicará um livro YA pela mesma editora. Elas passam a morar juntas e mantém um relacionamento muito bacana, com fofura e problemas na medida. Achei importante ressaltar que esse livro possui um casal lésbico, pois sei que muita gente busca se identificar em histórias do tipo, já que (infelizmente) a maioria dos casais em livros jovens são heterossexuais.

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Enquanto a vida adulta, com seus problemas reais até demais, engole Darcy Patel, a história de Lizzie é pura fantasia. Apesar de eu ter gostado do funcionamento do além-mundo e dos dilemas sobrenaturais com os quais Lizzie precisa lidar, fiquei um pouco incomodada com o romance da protagonista e Yamaraj. Sem dúvidas, um dos maiores instalove que já li. O que salvou é que eu sempre tive em mente que essa história fazia parte do primeiro livro escrito por uma garota de 17 anos. Depois fiquei pensando com meus botões que talvez Além-mundos seja um livro que o próprio Scott Westerfeld escreveu quando tinha essa idade, e deu um jeito de publicá-lo mesmo ele não estando tão redondo quanto poderia.

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Apesar desse porém, minha experiência de leitura com Além-mundos foi muito positiva. Fui conquistada por Darcy e Lizzie e ficava ansiosa para passar algum tempo do meu dia com elas e suas aventuras mundanas e sobrenaturais. Vi muita gente receosa com o tamanho de Além-mundos, mas não precisa se preocupar: é aquele tipo de livro que você lê 100 páginas e nem percebe. Com uma escrita tão gostosa, fica fácil entender por que Scott Westerfeld é um autor queridinho por tantos leitores.

E você, já leu ou ficou curioso(a) para ler Além-mundos? Qual livro do Scott Westerfeld você recomendaria para eu ler depois desse? Boas leituras!

5 motivos para assistir e amar Unbreakable Kimmy Schmidt

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Imaginem uma história sobre quatro mulheres raptadas e mantidas em cárcere privado durante 15 anos por um reverendo desequilibrado que contava a elas que o apocalipse havia chegado e devastado a humanidade? Pois esqueça os traumas e os dramas, pois Unbreakable Kimmy Schmidt vai te fazer rolar de tanto rir (literalmente, aconteceu comigo).

Unbreakable Kimmy Schmidt é mais uma das séries excelentes produzidas pela Netflix. Nela, acompanhamos o dia a dia de Kimmy que, após 15 anos mantida presa dentro de um bunker pelo reverendo maluco que mencionei ali em cima, busca recuperar o tempo perdido e reconstruir sua vida em Nova York.

Agora, tem uma coisa que preciso revelar a vocês: eu costumo detestar comédia. Não querendo fazer a culta mas já fazendo, quando o assunto é comédia, sou do time do sarcasmo e das alfinetadas. Por favor, nunca me chamem para assistir Se Beber, Não Case. E é justamente por isso que estou aqui falando sobre a maravilhosa Unbreakable Kimmy Schmidt, apresentando cinco motivos para vocês correrem para a Netflix e se apaixonarem também. Vamos lá?

1. Mulheres fazendo humor, sim, senhor!
Não é novidade que o grande público costuma achar homens mais engraçados que mulheres. Afinal de contas, servimos apenas como prêmio para o herói que salva o dia. A não ser quando estamos fora dos padrões de beleza, então servimos como motivo de piada (sempre rindo de nós, e não conosco). Unbreakable Kimmy Schmidt chuta bundas e grita na nossa cara que vai ter mulher comediante, sim! O elenco conta com Ellie Kemper (The Office), Jane Krakowski (30 Rock), Carol Kane (desafio vocês a nunca terem visto um filme ou série com essa mulher) e mais uma infinidade de atrizes. Lembrando que a série foi co-criada pela Tina Fey.

2. Episódios curtos
Os episódios de Unbreakable Kimmy Schmidt duram em média 25 minutos, ou seja: não precisa de cerimônia para sentar e assistir. Existem dois tipos de pessoas: as que conseguem assistir Unbreakable Kimmy Schmidt em etapas, para não terminar logo (prazer, Rafaela) e aquelas que deram o play no primeiro episódio e acabaram com a série em uma sentada. Depois me contem que tipo vocês são!

3. Humor inteligente e atual
Vivemos em um mundo onde cada vez mais (felizmente) as pessoas têm coragem de ser quem realmente são. As minorias ganham espaço a cada dia… Só que não. Quem está do lado menos favorecido (seja em termos de gênero, sexualidade, etnia) sabe que o discurso de inclusão é muito bonito na teoria, mas que a prática acaba desapontando. Unbreakable Kimmy Schmidt vai abordar todas essas questões e de quebra te arrancar muitas gargalhadas.

4. Titus Adromedon
Não tem como falar de Unbreakable Kimmy Schmidt e não falar de Titus Andromedon, melhor amigo da protagonista. Negro, gordo e gay, Titus tem tudo para ser aquele personagem reduzido a um esteriótipo. Na verdade, é ele quem tira sarro desse esteriótipo quando a gente menos espera – sem perder a oportunidade de alfinetar o espectador branco e heterossexual, é claro.

5. ‘Cause females are strong as hell!
Essa frase está presente na abertura da série, a qual é impossível não cantar e dançar junto (é só dar play no vídeo no início do post). Eu acho que ela diz muito sobre a série. Apesar do tema passar despercebido em meio a tantas piadas, Unbreakable Kimmy Schmidt fala sobre uma mulher que superou as dificuldades impostas sobre ela e deu a volta por cima. Como se isso não bastasse, ela ajuda outras mulheres em seu caminho, como a socialite Jacqueline Voorhees, que foi traída pelo marido milionário e acha que precisa continuar o relacionamento para manter as aparências. Ou suas colegas de bunker, que precisam da ajuda de Kimmy para colocar o reverendo na cadeia.

Agora é hora de todos vocês correrem para assistir Unbreakable Kimmy Schmidt! Depois venham aqui me contar sobre o que mais gostaram na série. A cada episódio visto, eu me perguntava porque não tinha assistido antes. Boa maratona!

Resenha: O árabe do futuro 2, de Riad Satouff

Ano passado eu li o excelente e sensível O árabe do futuro, quadrinho escrito e ilustrado pelo franco-sírio Riad Satouff (clique aqui para ler a resenha). Assim que fiquei sabendo do lançamento do segundo volume pela Intrínseca, em março desse ano, não pensei duas vezes: quis logo continuar o restante das aventuras do pequeno menino loiro pelo Oriente Médio.

Nesse segundo volume de O árabe do futuro, acompanhamos mais dois anos da infância de Riad, na Síria, entre 1984 e 1985. Já com idade suficiente para frequentar a escola, Riad começa a descobrir e entender mais sobre a cultura árabe – ainda com suas limitações de criança, claro.

Eu simplesmente amo histórias contadas do ponto de vista das crianças, e olha que eu nem gosto tanto assim delas na vida real, risos. Ver o mundo de uma perspectiva inocente e sem julgamentos permite que nós, adultos, também vejamos as coisas assim, mesmo que por um instante. Isso é o que mais chama a minha atenção na obra de Riad Satouff: conhecer mais sobre o Islamismo sem a carga de preconceitos com que nós, ocidentais, estamos acostumados a olhar para essa religião.

É claro que nem tudo são flores, e algumas situações contadas por Riad são assustadoras. Como quando uma familiar foi morta pelo pai e pelo irmão por ter engravidado fora do casamento – fato que constitui um crime contra a honra da família para o Islã. Ou quando os pais de Riad o levam para uma consulta no pediatra e o médico reclama que a maioria das famílias sírias só levam suas crianças ao médico quando já estão praticamente mortas.

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Para quem gosta de história, O árabe do futuro 2 também traz alguns detalhes sobre a ditadura de Hafez al-Assad, que governou a Síria de 1971 até sua morte, nos anos 2000. Atualmente, o país é governado pelo filho de Hafez, Bashar al-Assad.

Eu recomendo O árabe do futuro 2 para quem gostaria de começar a ler quadrinhos, mas tem dificuldade em mergulhar em histórias fantasiosas. Pra você que já é um leitor de quadrinhos, trate de ir correndo atrás desse material (depois de deixar seu comentário, claro). Boas leituras!

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Resenha: Feita de fumaça e osso, de Laini Taylor

Depois do boom das trilogias, eu passei a ter um pé atrás com esse tipo de formato de publicação. Comecei a perceber que muitas histórias não eram bem distribuídas nos três volumes, resultando em livros arrastados e com poucos acontecimentos relevantes. Feita de fumaça e osso é o primeiro livro de uma trilogia, a qual eu dei uma chance somente pela recomendação de uma grande amiga e da Maria Angélica, do canal Vamos Ler – pois percebo que temos um gosto parecido para fantasia, principalmente em se tratando de histórias protagonizadas por mulheres.

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Em Feita de fumaça e osso, nós acompanhamos a protagonista Karou por sua vida nada normal pela cidade de Praga. Ela estuda no Liceu de Artes e vive deixando Zuzana, sua melhor amiga, com a pulga atrás da orelha por conta de seus sumiços repentinos. Isso acontece pois, apesar das tentativas de ser uma garota comum, Karou trabalha secretamente para Brimstone, uma quimera com cabeça de bode que transforma dentes em desejos.

Apesar de ter sido criada por Brimstone e por outras quimeras desde quando era um bebê, Karou nunca soube nada sobre sua origem verdadeira – afinal de contas, ela é humana. Karou prefere deixar essa dúvida de lado, até que os portais que utilizava para encontrar Brimstone são incendiados por – nada mais, nada menos – serafins. É a partir daí que somos sugados para o universo incrível criado pela autora Laini Taylor, onde quimeras e serafins travam uma guerra milenar envolvendo poder e liberdade.

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Eu adorei esse livro por tantos motivos que fica difícil saber por onde começar. A história de Feita de fumaça e osso é autêntica e rica em detalhes. Você consegue perceber a sensibilidade e o esforço da autora em criar um universo original com uma mitologia convincente. Nesse primeiro volume da trilogia, somos apresentados em profundidade às quimeras. Entendemos seus hábitos, sua cultura e até o padrão de beleza da raça. Como o próprio nome sugere – segundo o Houaiss a Wikipédia, quimera significa combinação heterogênea ou incongruente de elementos diversos – as quimeras possuem formas variadas, que podem ser desde um humanóide com cabeça de cavalo e corpo de crocodilo até onde sua imaginação permitir.

Além da dinâmica do povo quimera, compreendemos sua motivação para lutar contra os serafins. As quimeras foram escravizadas durante anos por sua aparência e sua língua. A incapacidade de compreender as quimeras e percebê-las como iguais levou os serafins a tratarem-nas como animais, que poderiam ser domesticados para servirem ao seu povo. Acho que não precisamos de muito esforço para traçar um paralelo direto com a história da humanidade, certo? Apesar de ser bacana perceber essa comparação, o universo de Feita de fumaça e osso existe muito além do que já aconteceu no nosso mundo, conseguindo sustentar-se como uma excelente história de fantasia.

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Outro motivo que fez eu me apaixonar pelo livro foi o romance, o qual não posso dar muitos detalhes pois não quero estragar a leitura de ninguém. Detesto romances e gostei desse justamente por fazer muito sentido dentro do universo proposto pela Laini Taylor. O sentimento que eu tive foi de que, quando eu achava que a história tomaria um caminho água com açúcar, vinha a autora e jogava um balde de água fria na minha cabeça.

Como fiz na resenha de O circo mecânico Tresaulti, gostaria de indicar uma trilha sonora que embalou minha leitura de Feita de fumaça e osso. O álbum Beneath the Skin da banda Of Monsters and Men tem tudo a ver com esse livro. Em especial, Wolves Without Teeth, que me lembrou a fuga de Karou de uma quimera lobo que aparece em certo ponto da história, e Organs, que combina com os arrependimentos envolvendo alguns personagens.

Já li/ouvi por aí algumas pessoas dizendo que Feita de fumaça e osso demora para engrenar e que o início do livro é demasiadamente parado. Esse ritmo, particularmente, me agradou muito. Quando sou apresentada a novos universos, gosto que tudo seja feito com calma, de maneira detalhada e convincente. Se você se identifica comigo, aposto que também vai adorar o livro!

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Eu indico Feita de fumaça e osso para quem gosta de livros de fantasia e quer se surpreender com um universo que envolve quimeras e serafins – duas raças de criaturas que se confrontam diretamente pela primeira vez. Assim que eu finalizar outros livros que já estavam na fila de leitura, vou correr para continuar essa trilogia.

Não esqueça de deixar nos comentários o que você achou da resenha e se ficou curioso(a) para ler e conhecer mais sobre o mundo de Feita de fumaça e osso. Boas leituras quiméricas!

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Resenha: O Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentine

O Circo Mecânico Tresaulti chegou até mim através do Vórtice Fantástico, um grupo de leitura com divisões em vários estados do Brasil, dedicado aos gêneros de ficção científica, terror e fantasia – e que agora também possui sua versão gaúcha, comandada pela Tamirez do Resenhando Sonhos. O livro, publicado pela DarkSide Books, sempre chamou minha atenção pela edição caprichada (marca oficial da editora). Selecionado como o livro de abril no Vórtice Fantástico, não tive mais desculpas para adiar a leitura. Sorte a minha.

Em meio a um cenário pós-apocalíptico, O Circo Mecânico Tresaulti acompanha a história do circo homônimo e de seus integrantes, que tentam sobreviver como podem em um mundo com pouco ou nada de feliz para oferecer aos seus habitantes. O circo é comandado por Boss, uma mulher firme que garante o funcionamento do Tresaulti como deveria. Mas é através de Little George, seu pequeno ajudante, que percebemos a maior parte da primeira metade da história.

Nessa primeira metade, descobrimos a origem d’O Circo Mecânico Tresaulti e de seus integrantes nada convencionais. Através da magia de Boss, os artistas são transformados em verdadeiros ciborgues steam punks, conferindo-lhes características ideais para o trabalho arriscado no circo. O espetáculo do Tresaulti acontece na seguinte ordem: os malabaristas, as dançarinas, o homem forte, os equilibristas, os saltadores e as trapezistas. Há muito tempo atrás, a apresentação era finalizada pelo incrível Homem Alado, que deixava o público boquiaberto quando voava pela lona do circo. Hoje, no entanto, ele não faz mais parte do Tresaulti, e suas asas jazem estáticas na oficina de Boss.

Conforme conhecemos mais sobre os integrantes do circo, descobrimos que as asas do Homem Alado, apesar de aposentadas, seguem vivas na alma de seus colegas – em um misto de saudade e desejo de vê-las funcionando novamente. Penduradas de maneira imponente e sempre à vista de Boss, as asas possuem um segredo cujo alguns integrantes do Tresaulti são capazes de dar a vida para descobrirem, enquanto outros farão de tudo para impedir que isso seja revelado.

Contando desse jeito, parece até que estou falando de uma história de suspense. Mas O Circo Mecânico Tresaulti vai muito além da disputa pelas asas do Homem Alado. A mitologia do circo mecânico é uma alegoria – belíssima – que discute temas como a morte, a ligação profunda entre duas pessoas (longe de ser um romance) e a lealdade aos outros e a si mesmo. Tudo isso embalado pelo clima melancólico do circo, pela incerteza e pela sensação de não pertencer a um lugar fixo.

Eu mencionei que boa parte da história é narrada por Little George, mas todos os integrantes do circo brilham dentro e fora do espetáculo, entregando para o leitor o seu ponto de vista. Alguns capítulos são narrados em terceira pessoa, possibilitando conhecer os personagens sob vários ângulos. A narrativa vem e volta no tempo, intercalando passado e presente. O sentimento é de que todos os personagens são essenciais, protagonizando o livro à sua maneira. Separados, eles enfrentam seus próprios dilemas; juntos, eles são as engrenagens (literalmente) que mantém o Tresaulti.

Na segunda parte do livro, o cenário pós-apocalíptico, que até então parecia apenas um pano de fundo, passa a influenciar a história diretamente. Buscando reconstruir a civilização através da ordem, um homem do governo vê nos integrantes do circo – e na magia de Boss – uma forma de criar soldados poderosos e resistentes. O medo de acabarem vivissecados em uma mesa de laboratório e o desejo de sobreviver fazem com que os integrantes do Tresaulti encontrem maneiras inesperadas – e emocionantes! – para escapar dessa situação.

Para acompanhar a leitura d’O Circo Mecânico Tresaulti, eu sugiro fortemente que você escute uma playlist com músicas de piano. Essa climatização foi o toque final para que eu ficasse completamente imersa na história criada por Genevieve Valentine. Clique aqui para ouvir minha sugestão de playlist para ouvir lendo O Circo Mecânico Tresaulti. Aliás, vou começar a reparar mais nessa coisa de combinar livros com músicas. Não imaginava que podia fazer tanta diferença na minha experiência de leitura!

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Espero que eu tenha te convencido a dar uma chance para a autêntica história d’O Circo Mecânico Tresaulti. Não esqueça de contar nos comentários o que você achou da resenha. Também me conte se há algum outro livro ambientado em circo que marcou sua vida. Boas leituras e bom espetáculo!

Resenha: Jumanji, de Chris Van Allsburg

Qualquer criança da da década de 90 que se preze assistiu Jumanji. Na época, o filme sobre o famoso jogo que trazia para a vida real tudo que acontecia no tabuleiro causou assombro e fascinação em todos nós. Eu sonhava em encontrar um Jumanji perdido por aí, e imaginar que eu vivia todas aquelas situações do filme fazia parte das minhas brincadeiras quando criança. Sim, eu já gritei JUMANJI algumas (muitas!) vezes e ainda grito.

No final do ano passado, a editora Cosac Naify anunciou que iria encerrar suas atividades. Foi um momento triste para o mercado editorial brasileiro e, claro, para nós, leitores. Dentre tantos títulos, a Cosac nos deixou uma edição maravilhosa do livro homônimo que inspirou o filme de Jumanji.

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Com um projeto gráfico impecável, como era de praxe com os títulos publicados pela editora, Jumanji conta a história original escrita e ilustrada por Chris Van Allsburg em 1981. Por ser um livro infantil, a história é muito mais simplificada se comparada ao filme. Spoiler: o Robin Williams não existe no livro. Mas isso não quer dizer que a leitura não seja uma experiência divertidíssima para os mais velhos, principalmente aqueles que são entusiastas de livros infantis.

Fico até sem palavras para descrever as ilustrações de Chris Van Allsburg. Se eu tivesse que escolher apenas uma, seria: impecáveis. Ao pesquisar mais sobre o trabalho de Van Allsburg, fiquei sabendo que ele costuma usar perspectivas comuns às crianças pequenas. Pude constatar isso observando mais atentamente as ilustrações de Jumanji: muitas são vistas de baixo para cima, o que faz o leitor – não importando a idade – sentir-se engolido pela aventura.

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Como já comentei, o projeto gráfico é incrível. A capa dura e o papel amarelado de alta gramatura (ou papel durinho, para os leigos) fazem de Jumanji um livro indispensável para quem gosta de ilustrações de uma maneira geral.

Além de Jumanji, Van Allsburg também escreveu e ilustrou O Expresso Polar e Zathura – a continuação espacial de Jumanji. Você sabia disso? Pois eu não sabia, e nunca sequer dei bola para a adaptação cinematográfica de 2005. Vou já correr atrás disso!

Conte nos comentários se você já leu Jumanji ou ficou com vontade de adquirir essa edição linda da Cosac Naify. Não esqueça de me dizer quais filmes marcaram sua infância. Boas leituras mágicas!

Resenha: Caçadores de trolls, de Guillermo del Toro e Daniel Kraus

Guillermo del Toro é um diretor que possui muitos admiradores, e eu faço questão de dizer que faço parte desse fã-clube. O fato de ele ser co-autor de Caçadores de trolls já havia despertado meu interesse pelo livro, mas foi depois de saber que a Netflix e a Dreamworks transformariam a obra em série que eu pensei: preciso ler pra ontem! Admito, sou meio obcecada em estar bem informada sobre lançamentos.

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Caçadores de trolls é co-escrito por Guillermo del Toro e por Daniel Kraus, autor que também possui alguma experiência em cinema. Em seu livro, os autores levam o leitor por uma viagem subterrânea através do universo dos trolls, misturando elementos mitológicos clássicos desses seres com uma abordagem contemporânea. A narrativa é enriquecida pelas ilustrações de Sean Murray, que já trabalhou para títulos como Dungeons & Dragons Online e The Lord of the Rings Online.

O livro começa com um prólogo, contando a história da Epidemia das Caixas de Leite em 1969. Tal acontecimento ganhou essa alcunha após diversas crianças desaparecerem na cidade de San Bernardino, tendo seus rostos, consequentemente, estampados em caixas de leite (uma prática comum nos Estados Unidos). Naquela época, os jovens Jack e Jim Sturges brincavam tranquilos pelas ruas, apesar das advertências dos pais. Foi numa tarde aparentemente pacata, enquanto os irmãos andavam de bicicleta, que Jack Sturges sumiu misteriosamente.

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No primeiro capítulo de Caçadores de trolls, somos transportados novamente para nossa época, onde Jim Sturges é o pai amargurado e paranóico do nosso protagonista, Jim Sturges Jr. Ao lado de seu melhor amigo Bola, criado pela avó (assim como o próprio del Toro), Jim enfrenta diariamente todas as aventuras que um garoto de 15 anos poderia ser submetido: provas de matemática, paixonites e a eterna humilhação por parte do valentão da escola. A vida segue, até que Jim é capturado e levado para o mundo subterrâneo dos trolls sem muita cerimônia.

Em seu cursinho intensivo, Jim descobre que é uma peça essencial na batalha contra Gunmar, o Sombrio, responsável pela Epidemia das Caixas de Leite de 1969. É somente quando as crianças do seu bairro começam a sumir misteriosamente que Jim se vê incapaz de negar o chamado dos Caçadores de Trolls.

Finalizei a leitura de Caçadores de trolls ainda mais ansiosa para ver sua adaptação nas telas. Por ser um livro infanto-juvenil, confesso que estava esperando por uma história amena, sem grandes reviravoltas e com soluções simplistas para grandes problemas. Fiquei surpresa ao me deparar com um livro que não subestima o leitor jovem – e com certeza deixa o leitor adulto muito satisfeito. Os personagens esbanjam carisma e a trama é bem estruturada e inteligente, como esperaríamos de uma história co-assinada por um nome de peso como Guillermo del Toro.

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Eu certamente não lembrava a última vez de ter devorado um livro com tanta facilidade como Caçadores de trolls. Prepare-se para grandes aventuras ao lado de Jim, Bola e seus companheiros de luta nada convencionais (preferi manter esse detalhe em segredo para não estragar a surpresa de ninguém).

Não esqueça de deixar nos comentários o que você achou da resenha e se também ficou ansioso pela série da Netflix. Lembrando que a parceria com a Dreamworks também inclui a disponibilização dos outros longas do estúdio. Notícia boa, né? Você também pode saber mais sobre Caçadores de trolls no hotsite especial da Intrínseca. Boas leituras e cuidado com os trolls malvados!

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Você confia no Demônio?

Um tiro atrás do outro, esse será o ano de 2016 em termos de produções relacionadas a quadrinhos. Em fevereiro, Deadpool surpreendeu positivamente (confira a resenha clicando aqui), conquistando uma legião de fãs que sequer já abriu um quadrinho do anti-herói (isso, de maneira alguma, é algo negativo). Eis que, em março, chegamos ao próximo e aguardadíssimo item dessa lista: a segunda temporada de Demolidor na Netflix.

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Acabei de assistir ao último episódio, então podem esperar por uma resenha cheia de feels. Não consigo imaginar uma maneira melhor de falar sobre a série que não seja com os sentimentos à flor da pele.

Eu já contei aqui no blog que Demolidor foi uma série marcante na minha vida. Graças a ela, redescobri o gosto pelos quadrinhos e mergulhei em um universo que pouco havia explorado até então – o universo Marvel. Isso resume bem o quanto eu gostei da primeira temporada de Demolidor, além do quanto eu esperava dessa nova temporada. Resolvi dividir minhas impressões em itens, pois assim poderia apontar direitinho as coisas que me agradaram. Vamos lá?

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Justiceiro
Frank Castle roubou a cena desde que sua participação na série foi confirmada. Durante a temporada, os diálogos do personagem e a atuação incrível do Jon Bernthal garantiram um lugar especial para o Justiceiro no imaginário dos espectadores. A não ser que você seja uma alma abençoada como Matt Murdock, garanto que seus princípios serão abalados pelas ações de Frank.

Pelo pouco que conheço do Justiceiro, sei que ele é um cara objetivo, persistente e inabalável. Em Demolidor, nós sabemos que sua família foi assassinada e por isso ele está atrás de vingança. Fiquei muito satisfeita com a dose correta de sofrimento que deram para o Frank na série, onde em nenhum momento o ocorrido com sua família parece o enfraquecer. Sem dúvida, ele será o novo queridinho de muitos em se tratando de MCU (Marvel Cinematic Universe). Prepare-se para ver muita gente com camiseta do Justiceiro andando por aí já estou providenciando a minha.

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Elektra
Ao contrário de Jon Bernthal, Elodie Yung não foi tão bem aceita logo de cara pelos fãs como a ninja assassina e sedutora. Felizmente, ela sambou na cara de Hell’s Kitchen, trazendo uma Elektra misteriosa, espontânea e letal. Nós já acompanhamos bandidos, policiais corruptos, gângsters, traficantes, etc. Elektra traz para a série o tom místico que ainda não havia sido explorado nessa adaptação.

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Karen e Foggy
Chegou um ponto no meio da minha maratona que eu falei: cancela Demolidor, já podemos chamar a série de Karen e Foggy! Nada me deixou mais feliz do que ver esses dois personagens existido muito além de Matt Murdock ou do Demolidor. Ambos são catalisadores de seus próprios acontecimentos e estão anos luz de serem as donzelas que precisam ser salvas pelo protagonista.

A Karen de agora dá continuidade à personagem independente mostrada na primeira temporada. O desejo pela verdade faz com que ela acabe envolvendo-se em situações perigosas, o que só faz aumentar sua coragem e determinação. Foggy, por sua vez, reluta em aceitar que as coisas estão mudando e que não pode contar sempre com seu amigo e sócio. Confesso que me identifiquei com o perfil trouxiane dele, sempre dando uma segunda chance para a vida e as pessoas. No fim das contas, mesmo sem super poderes, Foggy acaba salvando o dia à sua maneira.

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Demolidor
Nessa temporada, ao invés de desejar que o Demolidor apareça logo, você vai querer que ele suma! Perdi as contas de quantas vezes ele atrapalhou o serviço do Justiceiro. Apesar do aborrecimento, isso foi excelente. Na segunda temporada, o Demolidor consolida-se como o herói dos quadrinhos que luta para que a lei seja cumprida.

Como eu comentei acima, o Homem Sem Medo cumpre um papel moderado no desenvolvimento dos acontecimentos da série. Isso, além de valorizar os demais personagens, é positivo para o próprio herói. Quando o Demolidor faz-se necessário, isso não acontece somente por ele ser o protagonista da série, mas sim porque a situação requer sua intervenção indiscutivelmente. Os roteiristas fizeram valer a complexidade psicológica do personagem, explorando seu universo com maestria ao longo dos novos episódios.

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Para finalizar
A segunda temporada de Demolidor é um organismo vivo que pulsa por todos os lados. Para onde você olhar, verá uma história interessante a ser explorada, mesmo se tratando de personagens sem muito tempo de tela.

Falando de fotografia: os planos, os ângulos e as paletas de cores estão de tirar o fôlego. A primeira temporada já se destacou nesse quesito das demais produções live action de super-heróis, mas a segunda temporada consegue ser ainda melhor. Os diálogos são marcantes, proferidos em planos fechados que fazem o espectador sentir-se no meio do fogo cruzado – das ações e das palavras.

E você, já fez a sua maratona de Demolidor? Conte nos comentários o que você achou, ou quais são suas expectativas para essa temporada. Quando sua fé fraquejar, não esqueça: in the Devil we trust.

5 motivos para assistir Agent Carter

Ano passado eu me tornei a louca das séries, tudo culpa de Daredevil. Quando terminei de assistir à primeira temporada, fiquei desnorteada por alguns dias, sem saber o que fazer da vida. Como o MCU (Marvel Cinematic Universe) já vinha despertando meu interesse, resolvi dar uma chance para Agents of S.H.I.E.L.D. (vocês podem conferir 5 motivos para assistir a série clicando aqui). Foi somente após terminar a segunda temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. que eu finalmente dei uma chance para a subestimada Agent Carter. E então meu coração bateu mais forte.

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Você deve conhecer Peggy Carter do filme Capitão América: O Primeiro Vingador. Ela foi uma das agentes responsáveis pela supervisão do projeto super-soldado, lutando ao lado do Capitão América até seu desaparecimento. Em Capitão América: O Soldado Invernal, descobrimos que Peggy foi uma das fundadoras da S.H.I.E.L.D., motivo decisivo para o Capitão América ainda permanecer fiel à organização. Mas o que poucos sabem é que Peggy enfrentou um árduo caminho cheio de colegas de trabalho machistas para que eles e o mundo levassem seu trabalho a sério.

Peggy Carter pode ser uma personagem fictícia, mas, como mulher, não é difícil eu me identificar com seus dilemas. Por esse motivo, achei que indicar Agent Carter para vocês na semana do Dia da Mulher seria muito pertinente. Espero convencê-los a dar uma chance para essa série maravilhosa e ainda pouco conhecida aqui no Brasil (apesar de já estar na segunda temporada). Vamos lá?

1. Peggy sabe o seu valor
Apesar de viver em uma sociedade que desvaloriza as mulheres e ser lembrada constantemente por seus colegas homens de que ela não é tão boa quanto eles, as decisões de Peggy não são tomadas pensando em agradar ou provar seu valor para alguém. Como a própria personagem diz, ela sabe o seu valor, e não importa a opinião dos outros. O que ela faz ou deixa de fazer diz respeito apenas aos seus princípios e às suas vontades. E ela faz o que for preciso para manter-se fiel a si mesma.

2. Investigação sem super-poderes
Peggy Carter é uma heroína que não possui super-poderes. Ela dá conta do recado apenas com sua inteligência e habilidades de luta. Achei notável a Marvel investir em uma série desse tipo, e algumas pessoas podem até se decepcionar com a falta de ação. Mas eu considero essa uma oportunidade de destacar outras coisas do MCU, aprofundando esse universo além dos aliens e das fendas espaciais. De quebra, você vai descobrir a origem dos gadgets super tecnológicos utilizados hoje pela S.H.I.E.L.D., entender porque a inteligência artificial do Homem de Ferro foi batizada de Jarvis e até conhecer a precursora da Viúva Negra.

3. As personagens secundárias também são fodas
Às vezes, na ânsia de criar uma personagem feminina que se destaque das demais, as personagens secundárias acabam tendo suas qualidades suprimidas, para contrastarem ainda mais com a protagonista. Acreditem em mim: não faltam mulheres para admirar em Agent Carter. Assim como no caso da Peggy, as personagens secundárias possuem suas próprias motivações e não estão preocupadas em agradar ninguém.

4. Humor simples e inteligente
Há quem diga que o humor deve ser politicamente incorreto, mas eu discordo totalmente. Sou uma grande fã daquele humor tipo Chaves (alô pra você que cresceu assistindo SBT), com piadas hilárias sem precisar ofender alguém. Agent Carter prefere divertir o espectador com as trapalhadas dos personagens e frases de efeito. Como ambos protagonistas são britânicos, prepare-se para muitos bloody hell ao invés da enxurrada de palavrões americanos. Também tem muita mulher socando homem babaca – e isso é reconfortante.

 5. Figurinos, cenários e trilha sonora
Além de desenvolver muito bem as personagens femininas, Agent Carter não deixa a peteca cair em outros quesitos, como figurino, cenários e trilha sonora. Tudo é muito bem executado e transporta o espectador diretamente para a época após a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos. Prepare-se para adicionar Ella Fitzgerald e Frank Sinatra na sua playlist, além de uma vontade tentadora de renovar seu guarda-roupa em um brechó (aconteceu comigo, confesso).

Sei que eu não deveria indicar coisas ilícitas, mas enquanto Agent Carter não está disponível no Netflix, você pode assistir todos os episódios pelo Stremio. Depois me conta o que achou, ok? E não esqueça de deixar nos comentários a sua indicação de série com muito girl power. Boas maratonas!

Lendo Marvel – Ms. Marvel: Nada Normal

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Só eu sei como estava ansiosa para ler essa HQ! Faz algumas semanas que a Panini anunciou o lançamento do encadernado da Ms. Marvel, mas ele não chegava nunca aqui em Porto Alegre. Finalmente conheci a história de Kamala Khan e não podia deixar de fazer uma resenha. Lembrando que esse post faz parte do projeto Lendo Marvel (você pode saber mais clicando aqui).

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Ms. Marvel foi lançado nos EUA em 2014 e muito se falou sobre a inovação da personagem, tanto para o universo dos super-heróis como um todo, mas principalmente em se tratando de super-heroínas. Mais do que o recomeço da Ms. Marvel na Nova Marvel, essa história também marca a necessidade latente na indústria dos quadrinhos de personagens representativos para todas as culturas.

Em Ms. Marvel, acompanhamos a jovem Kamala Khan em sua vida cotidiana. O subtítulo da série, Nada Normal, não diz respeito apenas à vida de Kamala como heroína. Antes de adquirir seus poderes inumanos, ela já passava por conflitos envolvendo sua origem paquistanesa e sua família muçulmana.

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Os personagens secundários trabalham muito bem na hora de desmistificar o Islamismo para nós, leitores ocidentais. Por exemplo, Kamala possui uma amiga turca que cobre o cabelo por opção, e não por imposição da família. Já o irmão de Kamala é o único membro da família que segue o Alcorão de forma extremamente conservadora, mesmo vivendo em Nova Jersey. Temos até a clássica personagem branca e norte americana – que, convenhamos, representa a maioria de nós ocidentais – que está sempre pronta para dizer o quanto ama as culturas exóticas (nem preciso dizer que não é legal usar esse termo para nos referirmos a outras culturas, certo?).

O roteiro de Ms. Marvel foi escrito pela autora G. Willow Wilson que é muçulmana e nasceu, advinhem, em Nova Jersey! Fiquei muito empolgada quando soube disso e tenho certeza que é o principal motivo pelo qual a personagem da Kamala é tão convincente. Em nenhum momento a história força a barra para expor temas polêmicos, e creio que só alguém que viveu os mesmos conflitos da personagem poderia colocar isso de forma tão sutil e cativante.

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Ms. Marvel é tão interessante que, como vocês podem ver, nem toquei ainda no assunto de super poderes. Kamala Khan é uma inumana, mas só soube disso após ser exposta à névoa terrígena (sem querer) e adquirir seu poder de mudar de aparência. Como toda super-heroína iniciante, Kamala precisa aprender a controlar sua habilidade, o que só consegue depois de muitas tentativas. Enquanto isso não acontece, a história aproveita para explorar a insatisfação da personagem com seus traços, seus cabelos e sua cor.

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A edição da Panini contém as edições 1 a 5 de Ms. Marvel e uma história retirada de All-New Marvel Now! Point One 1. Recomendo muito para quem busca uma história de super-heroína para amar e se identificar. Além de tudo, Kamala é nerd e muito fã dos Vingadores, especialmente da Capitã Marvel. Ou seja, Ms. Marvel também tem mulheres admirando mulheres!

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E você, já tinha ouvido falar na Ms. Marvel? Conte nos comentários o que você achou da resenha e quem sabe indicar algum quadrinho protagonizado por uma heroína. Boas leituras!