Resenha: Minha vida fora dos trilhos

Quem já acompanha o Chovendo Livros sabe que, no ano passado, rolou por aqui uma semana especial do livro Em algum lugar nas estrelas (clique aqui para conferir). O estilo da autora Clare Vanderpool fez desta uma leitura muito especial na época, pois explorava de forma sensível e original temas como o autismo, a morte e a amizade. Por esse motivo, quando a DarkSide Books anunciou em maio que publicaria outro livro da autora, intitulado Minha vida fora dos trilhos, eu logo fiquei empolgada para ler – algo me dizia que Vanderpool me conduziria novamente por uma narrativa mágica e inesquecível. Spoiler: eu estava certa.

Em Minha vida fora dos trilhos nós acompanhamos a jornada de Abilene, uma menina de 12 anos que foi enviada pelo pai para a pequena cidade de Manifest, sob a alegação de que ele precisava realizar um trabalho pesado na estrada de ferro de Iowa e não considerava aquele um lugar adequado para Abilene. Ao chegar em Manifest, nossa protagonista conhece Shady, o homem que fica encarregado de cuidar dela até seu pai retornar do serviço, dali cerca de um mês. Manifest é o que podemos classificar como uma cidadezinha do interior largada às traças. Mas o que, num primeiro momento, parece um lugar entediante, acaba por revelar grandes histórias.

 Percebi que ia levar um tempo para aprender o jeito daquela terra. Mas não tinha problema. Essas meninas eram muito simpáticas, a Coca-Cola descia bem e, no outono, eu estaria longe, bem longe, disse a mim mesma, empurrando para o lado a insegurança que ia e voltava. (p. 48)

Abilene e seu pai, Gideon, sempre estiveram acostumados a viajar de trem (às vezes clandestinamente) para diversos lugares dos Estados Unidos. A vida nômade acaba por se tornar o verdadeiro lar de ambos, e por esse motivo a menina não consegue enxergar Manifest como um lar – mesmo porque, sua estadia ali será temporária. Esse pensamento distancia Abilene dos outros habitantes. Há uma passagem interessante em que ela nos conta sobre o que classifica como universais: pessoas que falam e se comportam de maneira tão previsível que você muito provavelmente encontrará um exemplar em cada lugar que conhecer. Essa demonstração inocente de preconceito é uma atitude muito identificável, já que estamos acostumados a fazer julgamentos sem antes conhecermos as pessoas.

Um dia, Abilene encontra, escondido sob o assoalho do seu quarto na casa de Shady, uma caixa contendo vários objetos peculiares, entre eles uma isca de anzol e um charuto. Mas o que mais chama a atenção dela é uma carta, datada de 1918, que, dentre outras coisas, informa que um tal Cascavel está vigiando a cidade. Isso, obviamente, intriga Abilene, que junto de duas amigas que conheceu na escola começa a explorar Manifest atrás de pistas de quem poderia ser Cascavel.

Em uma de suas andanças pela cidade, Abilene conhece a srta. Sadie, uma mulher solitária que vive um uma casa soturna, protegida por portões de ferro peculiarmente decorados com a palavra Perdição. A srta. Sadie prende a atenção de Abilene quando começa a falar sobre os objetos contidos na caixa encontrada pela menina, mencionando até mesmo os nomes do remetente e do destinatário contidos na carta que falava sobre Cascavel: Ned e Jinx. Empolgada com as histórias contadas pela vidente e vislumbrando a possibilidade de conseguir desvendar a identidade de Cascavel, Abilene passa a descobrir mais sobre o passado de Manifest e seus habitantes, e principalmente sobre os protagonistas da carta que encontrou.

Quando há sofrimento, procuramos um motivo. E é mais fácil encontrar esse motivo dentro de si mesmo. (p. 143)

O livro se passa em um contexto pós Primeira Guerra Mundial até a Grande Depressão dos Estados Unidos e se aproveita de alguns acontecimentos desse período para compor a jornada de seus personagens. Apesar de ser uma cidade fictícia, não foi à toa que a autora escolheu situar Manifest no estado do Kansas, conhecido por abrigar imigrantes latinos, europeus e africanos ao longo de sua história. Foi nesse período também que a Ku Klux Klan ganhou força nos EUA, instaurando uma sensação generalizada de medo e repressão em negros e imigrantes.

Os capítulos de Minha vida fora dos trilhos são intercalados entre as aventuras de Abilene, o mistério envolvendo Ned e Jinx (remetente e destinatário da carta contida dentro da caixa) e alguns recortes do jornal local, contendo reportagens que complementam a história contada pela autora. Aliada a capítulos curtos, essa troca de focalizadores torna a leitura rápida e divertida, e os ganchos no final de cada capítulo não vão deixar você largar o livro.

Como uma fã antiga de Em algum lugar nas estrelas, posso garantir que Clare Vanderpool consegue reproduzir em Minha vida fora dos trilhos (que foi escrito antes, apesar de publicado aqui no Brasil posteriormente) o mesmo clima saudosista. Enquanto no primeiro ela se vale da música pra evocar uma época passada, aqui nós temos o projeto gráfico auxiliando nessa tarefa, com os recorte de jornal diagramados como antigamente. A história de Ned e Jinx também se encarrega de nos levar para tempos distantes, onde a Primeira Guerra Mundial teve início e os Estados Unidos receberam um grande número de imigrantes advindos dos mais diversos lugares do mundo. É através dos dois que descobrimos também os segredos escondidos em Manifest e o passado de alguns moradores, que surpreendem Abilene e, com certeza, também surpreenderão você.

Naquela noite houve solidariedade entre as essas reunidas no bar de Shady. Uma a uma, todas saíram das suas trincheiras e se aventuraram na terra de ninguém. (p. 176)

Minha vida fora dos trilhos contém a sensibilidade característica da autora para lidar com temas complexos. Talvez sua escolha por protagonistas crianças auxilie o leitor a também ver o drama de almas marcadas pela Primeira Guerra Mundial com uma lente mais inocente e otimista, que nos convence que, apesar de todas as dificuldades, ainda podemos dar a volta por cima e superar o que um dia nos derrubou.

Eu escrevi essa resenha ouvindo a excelente playlist montada pela DarkSide Books. Me ajudou muito a resgatar o clima do livro, portanto recomendo que vocês também escutem quando pegarem Minha vida fora dos trilhos para ler:

Espero que tenham gostado da resenha. Boas leituras nostálgicas!

Ficha técnica do livro
Título: Minha vida fora dos trilhos
Autora: Clare Vanderpool
Tradutora: Débora Isidoro
Editora: Darkside Books
Ano: 2017
Gênero: Ficção
Páginas: 320

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a DarkSide Books. ♥
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Resenha: A Leitora (Mar de Tinta e Ouro #1), Traci Chee

Imagine um mundo onde não existem livros de nenhum tipo. Pra ser mais exata, nem a escrita existe, e todas as histórias e conhecimentos são passados de forma oral. Ninguém ao menos sabe ler. Ficou desesperado? Pois é sobre essa premissa que a história de A Leitora vai se desenrolar. A Leitora é o primeiro livro, e único publicado até então, pertencente à trilogia Mar de Tinta e Ouro, escrita por Traci Chee. O exemplar que li foi gentilmente cedido pela Plataforma 21 para os membros do Vórtice Fantástico, clube de leitura que faço parte aqui em Porto Alegre.

Logo no primeiro capítulo somos apresentados a Sefia, uma menina de aproximadamente 16 anos, e sua tutora Nin. As duas vivem uma vida de nômades, passando de cidade em cidade na região de Kelanna para vender as peles dos animais que caçam. Por ser conhecida como uma ladra, Nin é uma fugitiva da lei, então sobra para Sefia abordar potenciais clientes e vender a mercadoria. Na volta de uma das peregrinações de Sefia para a cidade, ela presencia dois soldados vestidos de negro torturando Nin e a levando embora com eles. Horrorizada e escondida no meio de arbustos enquanto observava a cena, em seu íntimo, Sefia sabia porque aquelas pessoas vieram atrás delas.

Lembra que eu falei no início que estamos em um mundo onde não existem livros? Pois bem, acontece que Sefia guarda consigo um objeto idêntico ao que conhecemos hoje como um livro. É claro que ela não sabe que aquilo é um livro, o que a faz ficar ainda mais intrigada sobre a importância daquele objeto tão peculiar e que traz páginas e páginas de símbolos que ela não faz ideia do que significam. Tudo o que ela sabe é que foi por conta daquele objeto que sua tia Nin foi sequestrada e que, há anos, fez com que a mesma organização sinistra, liderada pelo maléfico Serakeen, viesse atrás de seu pai.

Sefia está determinada a encontrar Nin e punir as pessoas que a torturaram e a levaram embora. Ela então partirá em uma caçada por Kelanna atrás dos soldados misteriosos, e no meio do caminho encontrará aliados fiéis e também grandes mistérios relacionados ao objeto misterioso que leva consigo. Mal sabe Sefia que ela, o livro, os seus aliados e Serakeen possuem muito mais em comum do que ela podia imaginar.

O universo criado por Traci Chee é bastante original, não podemos negar. Imaginar um mundo onde o principal recurso que permitiu à humanidade registrar seu conhecimento e, consequentemente, evoluir, é uma premissa bem ousada. Eu estava curiosa para saber como isso afetaria na construção de mundo de A Leitora, mas a verdade é que um fato tão importante teve pouca ou nenhuma influência no desenvolvimento de Kelanna. As pessoas possuem todos os tipos de objetos que exigem algum tipo de registro escrito e pesquisa para serem fabricados: armas de fogo, navios, casas, roupas e acessórios relativamente elaborados (botas, cintos, armaduras). O comércio também parece se desenvolver sem nenhum empecilho, existindo inclusive grandes mercados ao ar livre nas cidades, onde Sefia e Nin vendiam suas peles.

Um dos personagens mais interessantes e carismáticos, na minha opinião, surge nos primeiros capítulos e é batizado por Sefia de Arqueiro. O menino misterioso é encontrado pela protagonista preso em uma caixa carregada por uma comitiva de capangas de Serakeen, que ela encontra em suas andanças pela floresta. A caixa em que Arqueiro era mantido prisioneiro possuía gravada no topo o mesmo símbolo presente na capa do objeto misterioso carregado em segredo por Sefia (o livro, no caso). Arqueiro não fala, e ele e Sefia precisam desenvolver uma maneira própria de se comunicar – o que acabou por ser uma maneira muito positiva de representar pessoas mudas em uma história de fantasia. Por esse motivo, algumas decisões tomadas pela autora no final desse primeiro livro me deixaram deveras decepcionada.

Paralela à história de Sefia, acompanhamos a trajetória do capitão Cannek Reed e sua tripulação no navio Corrente da Fé, que buscam por um tesouro nada convencional. Acompanhamos também a história de Lon, um menino que é artista de rua e possui um dom especial (parecido com o que Sefia descobre possuir durante o livro) e por conta disso é convocado por um homem para se tornar um Aprendiz n’A Biblioteca – um lugar onde, pasmem, existem vários livros. A maneira como essas duas histórias se entrelaçam com a trajetória de Sefia são dois pontos altos no livro. É percebido que Traci Chee criou uma maneira muito particular de como o espaço e o tempo funcionam em seu universo e isso é o que estou mais curiosa para saber em detalhes nos livros posteriores.

A estrela de A Leitora, no entanto, está no projeto gráfico do livro, desenvolvido especialmente para conversar com a própria história e com nós leitores. De mensagens escondidas e palavras que precisam ser caçadas entre as páginas até borrões e parágrafos riscados em que é impossível ler o que está escrito, o projeto gráfico foi um show à parte e, na minha opinião, se destacou mais que o enredo criado pela autora, que acabou por não me surpreender tanto assim.

A Leitora traz metáforas bonitas sobre o que é um livro e como pessoas, em seu universo particular, também são grandes livros contendo seu passado, presente e futuro. Conforme descobrimos que os livros existem, sim, nesse universo, e que somente algumas pessoas podem ter acesso a eles, podemos levantar questionamentos interessantes sobre censura. Porém, em certo momento, a autora define que o ato de conseguir ler (tanto livros como pessoas) é algo mágico, o que pra mim só reforçou o fato de existirem pessoas “especiais” e que merecem ter acesso ao conhecimento.

Entendo que esse é apenas o primeiro livro de uma trilogia e que muita coisa ainda está por vir, mas acredito que um livro deve bastar-se por si. A Leitora abre muitos questionamentos e possibilidades e acaba por não responder nada ao leitor nesse primeiro volume. Isso me causou mais frustração do que curiosidade para continuar a trilogia, mesmo que eu pretenda fazer isso de qualquer maneira já que não consigo controlar a minha própria curiosidade.

E você, já leu ou está curioso(a) para ler A Leitora? Conte nos comentários quais as suas expectativas em relação à história e o que você achou da resenha. Boas leituras fantásticas!

Ficha técnica do livro
Título: A Leitora
Autora: Traci Chee
Tradutor: Edmundo Barreiros
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Gênero: Ficção
Páginas: 464

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Resenha: Destinos e Fúrias, Lauren Groff

Barack Obama, o eterno ex-presidente norte americano favorito segundo a opinião popular mundial, foi responsável por garantir o sucesso das vendas de diversas obras literárias, com suas famigeradas listas de livros de cabeceira. Lembro que o primeiro livro a ser lançado ao estrelato graças à indicação de Obama foi Onde Vivem os Monstros, que inclusive ganhou uma versão para as telonas. Toda Luz Que Não Podemos Ver também figurava na lista e ganhou uma semana especial aqui no blog (clique aqui para conferir). Minha última empreitada nas recomendações de Obama foi Destinos e Fúrias da autora Lauren Groff, que além da aprovação do ex-presidente, foi declarado pela Amazon como o melhor livro publicado em 2015. The stakes were high!

A primeira coisa que chamou minha atenção na estrutura de Destinos e Fúrias é que o livro é dividido em duas partes, batizadas de acordo com o título. Na parte Destinos, somos apresentados ao personagem Lotto, e acompanhamos sua vida a partir do seu nascimento. Lotto nasceu em uma família de posses, e a morte prematura do seu pai, aliada à outras experiências durante a jornada escolar, moldaram sua personalidade de maneira peculiar. De criança tímida ao jovem que mais fazia sucesso com as mulheres na faculdade de Artes, conseguimos sentir na pele a vida intensa de Lotto através das descrições sensíveis da autora.

A existência boêmia e promíscua de Lotto sofre uma reviravolta quando ele conhece Mathilde, uma misteriosa garota que foi sua colega na faculdade, mas que só conheceu próximo de sua formatura. A paixão à primeira vista foi tamanha que logo após a formatura, Lotto e Mathilde casaram e juntos passaram a viver uma intensa lua de mel.

A essa altura da resenha você deve estar achando que Destinos e Fúrias é uma espécie de livro erótico que fala de amor e relacionamentos de uma forma dramática e surreal. Calma, que eu já vou chegar lá.

Ainda na parte Destinos, acompanhamos a jornada matrimonial de Lotto e Mathilde, no início como um casal duro que mobiliou e decorou o apartamento com objetos encontrados no lixo e posteriormente como um casal celebrado devido ao estrelato de Lotto como dramaturgo. Ao mesmo tempo, acompanhamos os sacrifícios feitos por Mathilde, como é comum em muitos relacionamentos até hoje onde a mulher se sacrifica pelo bem estar emocional e o sucesso profissional do marido. Essas atitudes podem passar despercebidas pelos leitores menos atentos, já que, até então, estamos acompanhando tudo pela visão de Lotto. E é após uma reviravolta na vida do casal que a parte Fúrias inicia.

Ao contrário de Destinos, Fúrias é totalmente narrado por Mathilde. E se em Destinos acompanhamos Lotto desde seu nascimento até a vida adulta, em Fúrias começamos acompanhando uma Mathilde madura que, aos poucos, nos conta sobre sua história de vida. Seu jeito enigmático, que fez Lotto se apaixonar à primeira vista, é muito mais que apenas charme, e mergulhar em sua infância e adolescência sombrias nos dá uma visão muito diferente da personagem que havíamos formado até então.

Se você está pensando em pegar Destinos e Fúrias para ler, de imediato já aviso que esse não é um livro para ser devorado, e sim para ser lido aos poucos – o que será necessário para digerir todos os acontecimentos apresentados pela autora. Lauren Groff entrega em apenas 368 páginas um desenvolvimento de personagens que deixaria George Martin com inveja (sim, me rendi à leitura de As Crônicas de Gelo e Fogo recentemente). Além de abordar temas que envolvem o relacionamento longo de um casal, o livro pincela situações como abuso sexual, consequências da fama e como o meio influencia o indivíduo.

Destinos e Fúrias é uma obra para quem busca uma história de amor crua e realista, já que o amor romântico e idealizado dificilmente perdura após os primeiros anos de um relacionamento. Ao mesmo tempo, nos mostra dois personagens com histórias de vida e personalidades muito bem desenvolvidas, tornando palpáveis e críveis as atitudes que tomam ao longo do livro. Se essa é sua praia, pode mergulhar na história sem medo (só tome cuidado com as ondas, que não estampam a capa à toa).

Ficha técnica do livro
Título: Destinos e Fúrias
Autora: Lauren Groff
Tradutora: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Gênero: Ficção
Páginas: 368

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a Intrínseca. ♥
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(Re)visitando Hogwarts: Apresentação

Que Harry Potter é uma das paixões da minha vida vocês já estão carecas de saber. E pra deixar esse dia 31/07, aniversário do nosso querido bruxinho, ainda mais divertido, que tal começarmos um projeto de leitura que diz respeito ao mundo mágico criado pela rainha J. K. Rowling?

Idealizado pela Nathalie Martins do canal FaNATic, o projeto (Re)visitando Hogwarts tem como objetivo exatamente o que o nome diz: revisitar a escola de magia e bruxaria sob um novo olhar, buscando coisas que talvez tenham passado despercebidas nas leituras anteriores.

A ideia é fazer a releitura dos sete livros de maneira calma e divertida, sem prazos loucos de conclusão. É por isso que teremos o mês de agosto inteirinho para finalizar Harry Potter e a Pedra Filosofal. As datas de leitura dos próximos livros serão divulgadas aos poucos, após a conclusão de cada leitura. Vamos ir com calma que é pra ninguém sofrer por antecipação, risos.

Abaixo você confere todos os canais que estão participando do (Re)visitando Hogwarts. Não esqueça de acompanhar o projeto por lá também!

ϟ Barbara Demerov (Cinematecando)
https://www.youtube.com/cinematecandobr

ϟ Carissa Vieira
https://www.youtube.com/carissavieira

ϟ Jaqueline Andreta (Nerdices da Jaque)
https://www.youtube.com/JaqueAndreta1302

ϟ Juliana Minotto (Máquina de Escrever)
https://www.youtube.com/JulianaMinotto

ϟ Larissa Andrioli (Sonseriníssima)
https://www.youtube.com/sonseriníssima

ϟ Lígia Villon
https://ligiahelena.wordpress.com

ϟ Nathalia Munhoz (Bits ‘N’ Bobs)
https://www.youtube.com/BitsNBobs

ϟ Nathalie Martins (faNATic)
https://www.youtube.com/faNATicOficial

ϟ Tamiris Garcia (Pó de Flu)
https://www.youtube.com/channel/UCKQmXHLuQmUwjRrH7Zy0mjw

E para a nossa releitura ficar ainda mais enriquecedora, entre o final de agosto e o início de setembro vamos fazer uma live no canal da Nathalie para debater a nossa experiência revisitando o universo mágico de Harry Potter. Por isso fiquem ligados aqui no Chovendo Livros e nos outros canais participantes para não perder nenhuma novidade!

Espero muito que vocês também se animem para participa dessa maratona assim como eu. Sem contar que será um prazer revisitar Hogwarts em tão boas companhias. Boas leituras e caprichem no estoque de sapos de chocolate para acompanhar essa viagem ♥

Resenha: Mitologia Nórdica, Neil Gaiman

Sempre adorei mitologias de uma maneira geral, sejam elas criadas por povos antigos e contemporâneos ou aquelas criadas por escritores e diretores nos livros e filmes que tanto amamos. Já passei incontáveis horas pesquisando sobre deuses e criaturas que eram venerados e temidos por diferentes culturas – certamente o tipo de coisa que decidi fazer naquela madrugada em que precisava acordar cedo no outro dia pela manhã. Curiosamente, em meio a gregos, hindus e egípcios, a verdade é que nunca dei muita atenção para os povos nórdicos. Eu sabia somente o básico: Odin, Thor e Loki (e vamos fingir que a Marvel não teve nada a ver com isso). Até que Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman, caiu em minhas mãos.

Fruto de uma pesquisa aprofundada do autor, somada ao seu talento inigualável para escrever fantasia, Mitologia Nórdica reconta os mitos nórdicos mais populares através de uma narrativa linear e uma prosa tão deliciosa que vai lhe fazer devorar o livro em uma sentada. Gaiman dá vozes e personalidades marcantes para os deuses de Asgard e para os gigantes de Jotunheim, o que resultou em um apego emocional de minha parte por alguns seres dessa mitologia.

Mas apesar de você concluir a leitura achando que sabe tudo sobre o pessoal que vive na Yggdrasil, existe um porém: nossa civilização possui pouquíssimos registros sobre os mitos nórdicos. Oficialmente, existem registros apenas de Odin, Thor e Loki, e os demais deuses têm suas histórias construídas a partir das aparições nos mitos registrados, bem como uma e outra evidência histórica de adoração dos povos antigos. É importante ter isso em mente para não sair por aí falando que sabe tudo de mitos nórdicos após ler o livro do Gaiman, ok? Aliás, a romantização da mitologia é um ponto que o autor deixa bem claro em seu prefácio: apesar de suas pesquisas, Mitologia Nórdica não tem a pretensão de ser fiel historicamente às suas fontes.

O livro é dividido em capítulos curtos e cada capítulo apresenta um acontecimento da mitologia nórdica em terceira pessoa, através de uma voz narrativa sucinta que escolhe palavras simples para relatar histórias tão antigas ao leitor. Para quem conhece pouco ou nada sobre o tema (meu caso), Mitologia Nórdica acaba por ser uma leitura enriquecedora, além de um primeiro passo para um mergulho de cabeça nas desventuras de Odin e sua prole. Para os estudiosos, profissionais ou amadores, garanto que será muito divertido revisitar os mitos pelo texto agradável de Neil Gaiman.

A edição da Intrínseca possui capa dura com acabamento especial fosco e detalhes em dourado. Toda entrada de capítulo é ilustrada por uma imagem inspirada pelos grafismos escandinavos, assim como a guarda do livro. O papel é amarelado (o que nós leitores amamos, diga-se de passagem) tornando a leitura muito mais agradável.

Gostaria de aproveitar esse post para pedir recomendações sobre obras que falam de mitologia nórdica – sejam elas livros, filmes, séries ou qualquer outra coisa. A leitura de Mitologia Nórdica me deixou mais que curiosa para aprender mais sobre esses mitos e será um prazer receber indicações de vocês. Boas leituras e tomem cuidado com os gigantes de gelo!

Ficha técnica do livro
Título: Mitologia Nórdica
Autor: Neil Gaiman
Tradutor: Edmundo Barreiros
Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Gênero: Ficção
Páginas: 288

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a Intrínseca. ♥
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Resenha: O Segredo dos Corpos, Dr. Vincent Di Maio e Ron Franscell

Dois mil anos atrás, em 44 a.C., Júlio César foi apunhalado até a morte por senadores romanos em um dos casos de assassinato mais famosos da história. Um médico chamado Antistius foi incumbido de examinar o cadáver do imperador. […] Era o primeiro registro de uma necropsia na história.

Se você já era um assíduo consumidor de séries nos anos 2000, com certeza se deixou fascinar (e viciar) pelos famosos seriados de investigação. Law & Order: SVU e Bones são alguns exemplos populares do gênero e que sobrevivem até hoje. Eu, particularmente, fui uma grande fã desse tipo de programa e, apesar de ser fascinada pelos discursos acalorados nos tribunais, gostava mesmo quando o médico-legista chegava com um laudo que garantia aquele plot twist arrebatador no episódio.

O Segredo dos Corpos é um livro escrito a quatro mãos pelo patologista forense Dr. Vincent Di Maio e pelo escritor Ron Franscell e conta a história do próprio Di Maio, que trabalhou por anos como médico-legista e foi responsável por mais de 9 mil autópsias. Ao contrário do que os seriados de investigação nos mostram e gostaríamos de acreditar, a medicina forense é muito menos emocionante do que parece, e esse é um ponto que o Dr. Vincent Di Maio faz questão de ressaltar logo no segundo capítulo de seu livro. Segundo ele, a quantidade demasiada de vísceras e fluídos corporais, somados aos baixos salários praticados, é o que afasta muitos médicos desse tipo de especialização nos EUA.

Já perto de terminar o curso de medicina, era hora de escolher minha especialidade. Quais eram as opções? Havia uma velha cantilena que dizia: “Clínicos gerais tudo sabem, mas nada fazem; cirurgiões nada sabem, mas tudo fazem; psiquiatras nada sabem e nada fazem; e patologistas tudo sabem e tudo fazem, mas aí já é tarde demais”.

Ao longo das páginas, Di Maio conta sobre sua trajetória pessoal e profissional, dando detalhes suficientes para criarmos uma persona deveras peculiar em nossa imaginação. Proveniente de uma família com muitos médicos, Vincent afirma que a medicina sempre foi a única opção profissional possível. Não que ele sofresse alguma pressão por parte dos pais para seguir na área ou algo do tipo. Di Maio simplesmente sabia o que queria ser e assim o fez.

Juntamente com a história do Dr. Vincent Di Maio temos a descrição romantizada de casos policiais famosos em que ele atuou. É aqui que percebemos a veia literária do autor Ron Franscell, que floreia os fatos na medida certa e deixa tudo muito parecido com os seriados policiais que amamos. Tenho certeza que esses capítulos em especial vão deixar os leitores prendendo a respiração até descobrirem como o caso foi solucionado.

Dentre os casos mostrados, o primeiro deles é sobre o assassinato de Trayvon Martin, um adolescente negro que foi baleado por um vigia de rua voluntário em Sanford, na Flórida (nos EUA, alguns moradores se voluntariam para fazer a ronda do bairro à noite e notificar a polícia sobre eventuais acontecimentos suspeitos). Trayvon foi a uma loja de conveniência comprar Skittles e uma lata de suco e, quando voltava para casa, foi considerado suspeito pelo vigia George Zimmerman. George ligou para a polícia, como manda o protocolo, mas mesmo assim decidiu seguir Trayvon pelas ruas, o que acabou em um confronto direto entre ambos e, logo em seguida, com Trayvon morto com um tiro no peito disparado pela arma de George. Foi por conta dessa tragédia que pessoas no mundo todo passaram a utilizar a hashtag #BlackLivesMatter em mídias sociais para denunciar casos de racismo contra os negros.

Di Maio utiliza esse caso emblemático para destacar alguns pontos importantes que dizem respeito à ciência forense. Um deles é que cabe ao profissional da área determinar a causa e o modo da morte, sem nenhum tipo de julgamento moral. O resultado de uma autópsia pode revelar coisas que os familiares da vítima e até mesmo a mídia não gostariam de saber. No caso de Trayvon Martin, isso gerou debates acalorados em diversos veículos de comunicação, mas eu não darei mais detalhes para guardar a surpresa de vocês para o momento da leitura, ok?

Como patologista forense, tenho um compromisso com a verdade. Presume-se que eu seja imparcial e diga a verdade. Fatos por si só não têm qualidades morais; somos nós que atribuímos moralidade a eles.

Além dos casos de tirar o fôlego (mesmo Di Maio reforçando que a medicina forense não é nada como no cinema e na TV) o que me chamou atenção em O Segredo dos Corpos foram as colocações perspicazes de Vincent sobre a morte. Assim como em Confissões do Crematório (clique aqui para conferir a resenha), é notório como as pessoas que trabalham com a morte desenvolvem uma relação saudável com a mesma, caminhando na direção contrária à nossa sociedade – que prefere fingir que esse tipo de coisa não existe. Costumo sentir que amadureço com esse tipo de leitura, e O Segredo dos Corpos com certeza foi um desses casos.

Publicado pela DarkSide Books, O Segredo dos Corpos impressiona não só pelo conteúdo, mas também pelo seu projeto e acabamento gráfico impecável que são a marca registrada da editora. Leitura obrigatória para estudantes e profissionais de medicina, além de todos aqueles que possuem uma curiosidade mórbida saudável (prazer, Rafaela).

Acredito de todo o coração que se pudéssemos magicamente trazer um médico-legista dos anos 1940 para trabalhar em um necrotério dos dias de hoje, depois de uma tarde de treinamento na nova ciência, ele seria capaz de exercer normalmente sua função. Por quê? Porque as melhores ferramentas de um patologista forense são seus olhos, seu cérebro e seu bisturi. Sem eles, toda a ciência no universo não basta.

Ficha técnica do livro
Título: O Segredo dos Corpos
Autora: Dr. Vincent Di Maio e Ron Franscell
Tradutora: Lucas Magdiel
Editora: DarkSide Books
Ano: 2017
Gênero: Biografia
Páginas: 256

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a DarkSide Books. ♥
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Sorteio de aniversário do blog!

Deixei o aniversário do blog passar batido nos outros dois anos, mas felizmente as coisas mudaram nesse terceiro aniversário, risos. Junto com os blogs A world to read e Sai da minha lente, preparamos um super sorteio imperdível! É aquele velho ditado: o aniversário é nosso, mas quem ganha é você.

Em conjunto com 12 blogs e editoras parceiras, criamos uma promoção super legal para vocês. Participem! São 24 prêmios, divididos em 4 kits, onde cada kit vai ter 1 vencedor, ou seja, teremos 4 ganhadores! Vocês podem participar de quantos quiserem, mas vou limitar a 2 kits por ganhador, caso a mesma pessoa seja sorteada duas vezes ou mais. Cada kit tem algumas regras obrigatórias. Após preencher essas entradas, o formulário vai liberar entradas extras opcionais. Cada kit tem entradas diferentes e em cada banner vocês poderão qual livro pertence a cada kit.

Regras da Promoção:
• É obrigatório residir em território brasileiro;
• Perfis falsos ou exclusivos para promoções serão desclassificados;
• A promoção se inicia hoje, 14/04/2017 e termina no dia 14/05/2017;
• O sorteio será feito até o dia 19/05/2017;
• Os blogs tem até o dia 21/05/2017 para conferir se os sorteados cumpriram as regras obrigatórias;
• O resultado está previsto para sair dia 23/05/2017;
• Nenhum dos blogs ou editoras se responsabilizam pelo extravio de prêmios;
• O ganhador tem até 72h para responder o e-mail que será enviado com seus dados completos.
• Cada kit terá apenas um vencedor.
• Como cada blog/editora enviará seu livro, os prêmios podem chegar em dias diferentes!
• Cada blog tem até 45 dias para enviar o livro, contando a partir do dia em que recebermos o endereço do ganhador.

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Qualquer dúvida é só mandar nos comentários aqui em baixo. Boa sorte! ♥

Entrevista com Kimberly Brubaker Bradley + Sorteio #DarkLove!

Na próxima quarta-feira, dia 08/03, celebramos o Dia da Mulher. A convite da DarkSide Books, hoje trago uma entrevista exclusiva com a autora Kimberly Brubaker Bradley, autora do próximo lançamento da caveirinha intitulado A guerra que salvou a minha vida. Você pode ler o primeiro capítulo do livro clicando aqui.

A guerra que salvou a minha vida é um daqueles romances que você lê com um nó no peito, sorrisos no rosto e lágrimas nos olhos entre um parágrafo e outro. Uma obra sobre as muitas batalhas que precisamos vencer para conquistar um lugar no mundo.

Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.

Me senti honrada em poder entrevistar a autora. Espero que gostem de saber mais sobre ela e a obra. Me contem nos comentários se estão tão ansiosos quanto eu para conferir o livro. Ah, fiquem até o final do post, pois tenho uma surpresa especial para vocês!

Chovendo Livros: Oi, Kimberly! A DarkSide Books me convidou para preparar algumas perguntas sobre seu primeiro livro a ser publicado aqui no Brasil, A guerra que salvou a minha vidaGostaria de dizer que estou ansiosa para ler o livro, e que ter lido somente o primeiro capítulo me deixou com vontade de ler ainda mais!

Então, vamos às perguntas!

A DarkSide Books é uma editora famosa aqui no Brasil por publicar livros com histórias incríveis e edições de luxo. Eu te garanto que os leitores já estão ansiosos para ler A guerra que salvou a minha vida! Qual é a sensação de ser publicada pela primeira vez no Brasil e o que você espera dos leitores brasileiros?
Kimberly Brubaker Bradley: Esse é o primeiro dos meus livros publicados internacionalmente e eu estou muito empolgada com isso. O Brasil é um país vibrante e adorável e eu mal posso esperar para saber a reação dos leitores. Há uns dias eu fiz uma entrevista ao vivo (no canal da Bruna Miranda) e fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que participaram e como elas pareciam entusiasmadas.

CH: A Segunda Guerra Mundial foi um período muito triste na história da humanidade, mas algumas pessoas conseguiram encontrar uma maneira de se animar nesse momento. A Ada parece ser uma dessas pessoas. Você pode nos contar um pouco sobre a personagem e como foi o processo de criação da voz da Ada?
KBB: A voz da Ada foi a parte mais difícil de acertar no livro e me tomou muito tempo. Os leitores precisavam perceber que enquanto as circunstâncias pelas quais a Ada estavam passando eram horríveis, ela em si era uma pessoa muito forte, inteligente e engenhosa. Foram muitas tentativas de reescrevê-la – algo em torno de seis rascunhos para a primeira apresentação do primeiro capítulo.

CH: Nós leitores sempre aprendemos muito com os livros que lemos. Às vezes somos tão tocados por um livro que esquecemos que o autor muito provavelmente também aprendeu com ele. O que A Guerra que salvou a minha vida lhe ensinou durante o processo de escrita?
KBB: Eu achava que já entendia o poder transformador do amor, mas aprendi mais sobre ele enquanto escrevia essa história – não só isso, mas também o quão satisfatório é ver outra pessoa se curando e florescendo.

CH: Eu li muitas resenhas escritas por adultos de A guerra que mudou a minha vida e todo mundo pareceu achar o livro muito profundo e tocante. Como você o escreveu tendo um público infantil em mente, estou curiosa para saber como você faz para escrever sobre emoções tão complexas de uma maneira que sejam significativas ao mesmo tempo para crianças, adolescentes e adultos.
KBB: 
Eu acho que as crianças entendem muito mais do que a gente imagina. Eu tentei de verdade fazer com que A guerra que salvou a minha vida fosse um livro honesto, que lidasse honestamente com a dificuldade das coisas, e eu sinto que as crianças respeitam essa honestidade. Os adultos também respeitam, mas chegam até a história com um ponto de vista diferente. Fico satisfeita que os adultos gostem do livro, mas fico muito mais feliz que as crianças respondam a ele positivamente. Eu escrevi o livro para elas.

CH: Você costuma escrever histórias sobre personagens fictícios que vivenciam eventos reais. Você possui alguma conexão pessoal com os eventos que escolhe ambientar seus personagens? Ou você é apenas uma amante de História?
KBB: A única conexão pessoal que possuo com as épocas que escrevo é o fato de elas me interessarem muito. Eu meio que pulo de tópico em tópico e o que eles têm em comum é que me fascinam, pessoalmente.

CH: E como a História é uma coisa muito presente no seu trabalho, quem são as personalidades histórias que mais te inspiram?
KBB:
São muitas – amo a atual rainha britânica, Elizabeth II, assim como sua xará, Elizabeth I. Eu amo, amo, amo o Nelson Mandela. A Rainha Hatshepsut, uma rainha-faraó do antigo Egito. Napoleão Bonaparte. Maria Antonieta. Guilherme, o Conquistador.

CH: Eu vi que a maioria de suas influências são mulheres. A DarkLove é um selo da DarkSide Books que publica somente autoras. Você acha que hoje em dia as autoras estão sendo mais reconhecidas mundialmente do que há alguns anos?
KBB: É difícil dizer; no Reino Unido, e especificamente com livros infantis, as mulheres têm sido populares há anos. Eu leio obras do mundo todo, mas somente os livros publicados em inglês – então só tenho acesso a uma parcela do mercado internacional.

CH: Kimberly, queria agradecer muito por você ter tirado um tempinho para responder às minhas perguntas. Para instigar os leitores brasileiros, você poderia comentar sobre o que podemos esperar de A guerra que salvou a minha vida? Tenho a impressão de que já deveria separar minha caixa de lencinhos para as lágrimas!
KBB: Espero que o livro faça vocês chorarem! E rir, e se sentirem profundamente satisfeitos. No final, é uma história de amor. Espero que vocês adorem!

E não pensem que as surpresas nessa semana do Dia da mulher acabaram! Em parceria com a DarkSide Books, sortearei para os leitores do blog um livro do selo DarkLove, à escolha do ganhador(a). Para participar, é obrigatório ser inscrito no canal do Chovendo Livros no YouTube e curtir a página da DarkSide Books no Facebook. Confirme sua inscrição no formulário abaixo.

Caso precise de dicas para escolher seu livro do selo DarkLove, confira as resenhas abaixo:

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O resultado será divulgado no Twitter e Facebook do Chovendo Livros no sábado, 11/03, às 12h. Fiquem ligados e boa sorte!

Resenha: Nimona, de Noelle Stevenson

Assim que Nimona começou a ganhar algum destaque no cenário literário internacional eu já fiquei de olho na obra. Afinal de contas, o quadrinho une três elementos que, juntos, dificilmente me desapontam: uma HQ escrita e ilustrada por uma mulher, com uma protagonista mulher e que se passa em um universo fantástico com uma pegada medieval. Aliás, se quiser me sugerir algo do tipo (não precisa necessariamente conter as três coisas que mencionei), a caixa de comentários é serventia da casa, risos.

Originalmente autopublicado por Noelle Stevenson como uma webcomic, Nimona começa contando a história da protagonista homônima que, além de metamorfa, sonha em ser uma vilã. E como Nimona, além de tudo, é muito decidida, ela corre para bater na porta do temível Ballister Coração-Negro – o maior vilão do reino – para tornar-se sua assistente.

Conforme Nimona conhece Ballister, ela percebe que ele não é tão mau quanto dizem por aí. Na verdade, o suposto vilão acaba se mostrando mais justo e escrupuloso que muitos dos guerreiros oficiais do reino, como é o caso de Sir Ouropelvis, que segue as regras da Instituição de Heroísmo & Manutenção da Ordem às cegas. Aliás, por trás da Instituição existe um grande segredo capaz de unir Nimona, Ballister e Ouropelvis em uma busca pela resolução de assuntos inacabados e autoconhecimento.

Não se deixe enganar pelo traço leve e divertido de Noelle Stevenson. Seus desenhos coloridos e despretensiosos revelam um roteiro cheio de reviravoltas e mensagens poderosas de autoaceitação, capaz de abalar até mesmo o mais insensível dos leitores. Considerando que você não é esse tipo de pessoa, eu garanto que a leitura de Nimona é uma experiência compensadora, com o poder de arrancar risadas e lágrimas na mesma proporção.

Em termos de layout e diagramação de quadros, Nimona é uma HQ tradicional. A ação da história fica por conta do roteiro e o excelente uso de cores ajuda com que as diferentes parte da história passem diferentes tipos de sentimento ao leitor. Com um trabalho tão impecável, não é de se surpreender que Noelle Stevenson ganhou o Eisner Award em 2015, com apenas 24 anos – nesse caso, pela série de quadrinhos Lumberjanes.

Nimona é a HQ perfeita para quem é fã de livros de fantasia e quer se aventurar no universo dos quadrinhos. Eu arriscaria dizer, inclusive, que é uma ótima opção para qualquer um que queira arriscar a leitura de um quadrinho e busque por uma protagonista mulher (menina, no caso) que fuja de todos os esteriótipos. É impossível não se apaixonar por essa metamorfa!

Ficha técnica do livro
Título: Nimona
Autora: Noelle Stevenson
Ilustrações: Noelle Stevenson
Tradutora: Flora Pinheiro
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Gênero: Ficção Americana
Páginas: 272

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a Intrínseca. ♥
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Resenha: Pax, de Sara Pennypacker

Falei desse livro fofo que é Pax no Book Haul de Agosto/Setembro e desde então venho pensando em como traduzir uma história tão doce e sutil para uma resenha escrita. O capricho do livro começa em seu projeto gráfico, passando pelas ilustrações lúdicas de Jon Klassen, e termina no texto inocente e cheio de metáforas da autora Sara Pennypacker.

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O livro é protagonizado por Peter, um garoto de 12 anos, e Pax, sua raposa de estimação. O pai de Peter foi chamado para servir na guerra (não fica claro qual guerra seria) e, por conta disso, Peter precisa se mudar para a casa do avô. O pai de Peter o obriga a abandonar Pax na estrada, já que a raposa não poderia viver com ele em sua nova casa. Pax já começa assim, com uma cena arrebatadora de uma criança tendo que abandonar seu bichinho de estimação. Já está com o coração em cacos? Pois, a essa altura, eu já estava.

Os capítulos de Pax intercalam entre a visão da raposa e do menino. Enquanto acompanhamos Pax sem entender porque seu dono o deixou na estrada, acompanhamos também um revoltado Peter que resolve fugir da casa do avô e andar quase quinhentos quilômetros para resgatar seu amigo. É no meio desse longo caminho que o menino conhecerá Vola, uma senhora enigmática mas de bom coração, que tem muito a ensinar e também a aprender com Peter. Já Pax vai conhecer Arrepiada e Miúdo, duas outras raposas que vão ensiná-lo que os humanos nem sempre são tão bons como o seu dono. A história de Pax se desenrola conforme o menino e a raposa vão desbravando o mundo, tanto fora como dentro de si, enquanto mantêm viva a esperança de se reencontrarem.

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Acompanhar os sentimentos de Pax e Peter é uma experiência bonita e intensa. Em um primeiro momento, conseguimos sentir no peito a saudade dos amigos, graças ao talento da autora para descrever sentimentos com poucas palavras. Conforme a história segue, o leitor é entregue, junto a Peter e Pax, a uma enxurrada de outros sentimentos envolvendo lealdade, obstinação e aceitação – tanto a autoaceitação como a aceitação de quem nos cerca.

Comentei anteriormente que os capítulos de Pax são intercalados entre a visão do menino e da raposa. Aposto que você está se perguntando como raios seria um capítulo narrado por uma raposa, certo? Pois saiba que a autora, Sara Pennypacker, se aprofundou no estudo das raposas-vermelhas para deixar o comportamento de Pax o mais próximo de uma raposa na natureza. Vai por mim: viver alguns capítulos na cabeça de Pax é divertidíssimo e extremamente convincente.

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Aliás, uma curiosidade: Pax se passa em um contexto de guerra e rivalidade, tanto entre humanos como entre humanos e animais. E pax em francês significa paz. Não tenho dúvidas sobre o quanto esse nome tão simples é tão representativo para a história do livro!

Pax é um livro dedicado ao público infantojuvenil, mas que não fica para trás na hora de conquistar os leitores adultos. Se você é um leitor sensível, como eu acredito que todo apaixonado por literatura seja, com certeza vai se contagiar pelas metáforas envolvendo o menino e sua raposa. Publicado pela Intrínseca em julho desse ano, a edição está muito bonita e é uma ótima pedida para presentear alguém querido nesse Natal (e em qualquer outra data do ano).

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Ficha técnica do livro
Título: Pax
Autora: Sara Pennypacker
Ilustrações: Jon Klassen
Tradutora: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Gênero: Ficção Infantojuvenil
Páginas: 288

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a Intrínseca. ♥
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