Resenha: O Segredo dos Corpos, Dr. Vincent Di Maio e Ron Franscell

Dois mil anos atrás, em 44 a.C., Júlio César foi apunhalado até a morte por senadores romanos em um dos casos de assassinato mais famosos da história. Um médico chamado Antistius foi incumbido de examinar o cadáver do imperador. […] Era o primeiro registro de uma necropsia na história.

Se você já era um assíduo consumidor de séries nos anos 2000, com certeza se deixou fascinar (e viciar) pelos famosos seriados de investigação. Law & Order: SVU e Bones são alguns exemplos populares do gênero e que sobrevivem até hoje. Eu, particularmente, fui uma grande fã desse tipo de programa e, apesar de ser fascinada pelos discursos acalorados nos tribunais, gostava mesmo quando o médico-legista chegava com um laudo que garantia aquele plot twist arrebatador no episódio.

O Segredo dos Corpos é um livro escrito a quatro mãos pelo patologista forense Dr. Vincent Di Maio e pelo escritor Ron Franscell e conta a história do próprio Di Maio, que trabalhou por anos como médico-legista e foi responsável por mais de 9 mil autópsias. Ao contrário do que os seriados de investigação nos mostram e gostaríamos de acreditar, a medicina forense é muito menos emocionante do que parece, e esse é um ponto que o Dr. Vincent Di Maio faz questão de ressaltar logo no segundo capítulo de seu livro. Segundo ele, a quantidade demasiada de vísceras e fluídos corporais, somados aos baixos salários praticados, é o que afasta muitos médicos desse tipo de especialização nos EUA.

Já perto de terminar o curso de medicina, era hora de escolher minha especialidade. Quais eram as opções? Havia uma velha cantilena que dizia: “Clínicos gerais tudo sabem, mas nada fazem; cirurgiões nada sabem, mas tudo fazem; psiquiatras nada sabem e nada fazem; e patologistas tudo sabem e tudo fazem, mas aí já é tarde demais”.

Ao longo das páginas, Di Maio conta sobre sua trajetória pessoal e profissional, dando detalhes suficientes para criarmos uma persona deveras peculiar em nossa imaginação. Proveniente de uma família com muitos médicos, Vincent afirma que a medicina sempre foi a única opção profissional possível. Não que ele sofresse alguma pressão por parte dos pais para seguir na área ou algo do tipo. Di Maio simplesmente sabia o que queria ser e assim o fez.

Juntamente com a história do Dr. Vincent Di Maio temos a descrição romantizada de casos policiais famosos em que ele atuou. É aqui que percebemos a veia literária do autor Ron Franscell, que floreia os fatos na medida certa e deixa tudo muito parecido com os seriados policiais que amamos. Tenho certeza que esses capítulos em especial vão deixar os leitores prendendo a respiração até descobrirem como o caso foi solucionado.

Dentre os casos mostrados, o primeiro deles é sobre o assassinato de Trayvon Martin, um adolescente negro que foi baleado por um vigia de rua voluntário em Sanford, na Flórida (nos EUA, alguns moradores se voluntariam para fazer a ronda do bairro à noite e notificar a polícia sobre eventuais acontecimentos suspeitos). Trayvon foi a uma loja de conveniência comprar Skittles e uma lata de suco e, quando voltava para casa, foi considerado suspeito pelo vigia George Zimmerman. George ligou para a polícia, como manda o protocolo, mas mesmo assim decidiu seguir Trayvon pelas ruas, o que acabou em um confronto direto entre ambos e, logo em seguida, com Trayvon morto com um tiro no peito disparado pela arma de George. Foi por conta dessa tragédia que pessoas no mundo todo passaram a utilizar a hashtag #BlackLivesMatter em mídias sociais para denunciar casos de racismo contra os negros.

Di Maio utiliza esse caso emblemático para destacar alguns pontos importantes que dizem respeito à ciência forense. Um deles é que cabe ao profissional da área determinar a causa e o modo da morte, sem nenhum tipo de julgamento moral. O resultado de uma autópsia pode revelar coisas que os familiares da vítima e até mesmo a mídia não gostariam de saber. No caso de Trayvon Martin, isso gerou debates acalorados em diversos veículos de comunicação, mas eu não darei mais detalhes para guardar a surpresa de vocês para o momento da leitura, ok?

Como patologista forense, tenho um compromisso com a verdade. Presume-se que eu seja imparcial e diga a verdade. Fatos por si só não têm qualidades morais; somos nós que atribuímos moralidade a eles.

Além dos casos de tirar o fôlego (mesmo Di Maio reforçando que a medicina forense não é nada como no cinema e na TV) o que me chamou atenção em O Segredo dos Corpos foram as colocações perspicazes de Vincent sobre a morte. Assim como em Confissões do Crematório (clique aqui para conferir a resenha), é notório como as pessoas que trabalham com a morte desenvolvem uma relação saudável com a mesma, caminhando na direção contrária à nossa sociedade – que prefere fingir que esse tipo de coisa não existe. Costumo sentir que amadureço com esse tipo de leitura, e O Segredo dos Corpos com certeza foi um desses casos.

Publicado pela DarkSide Books, O Segredo dos Corpos impressiona não só pelo conteúdo, mas também pelo seu projeto e acabamento gráfico impecável que são a marca registrada da editora. Leitura obrigatória para estudantes e profissionais de medicina, além de todos aqueles que possuem uma curiosidade mórbida saudável (prazer, Rafaela).

Acredito de todo o coração que se pudéssemos magicamente trazer um médico-legista dos anos 1940 para trabalhar em um necrotério dos dias de hoje, depois de uma tarde de treinamento na nova ciência, ele seria capaz de exercer normalmente sua função. Por quê? Porque as melhores ferramentas de um patologista forense são seus olhos, seu cérebro e seu bisturi. Sem eles, toda a ciência no universo não basta.

Ficha técnica do livro
Título: O Segredo dos Corpos
Autora: Dr. Vincent Di Maio e Ron Franscell
Tradutora: Lucas Magdiel
Editora: DarkSide Books
Ano: 2017
Gênero: Biografia
Páginas: 256

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a DarkSide Books. ♥
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Sorteio de aniversário do blog!

Deixei o aniversário do blog passar batido nos outros dois anos, mas felizmente as coisas mudaram nesse terceiro aniversário, risos. Junto com os blogs A world to read e Sai da minha lente, preparamos um super sorteio imperdível! É aquele velho ditado: o aniversário é nosso, mas quem ganha é você.

Em conjunto com 12 blogs e editoras parceiras, criamos uma promoção super legal para vocês. Participem! São 24 prêmios, divididos em 4 kits, onde cada kit vai ter 1 vencedor, ou seja, teremos 4 ganhadores! Vocês podem participar de quantos quiserem, mas vou limitar a 2 kits por ganhador, caso a mesma pessoa seja sorteada duas vezes ou mais. Cada kit tem algumas regras obrigatórias. Após preencher essas entradas, o formulário vai liberar entradas extras opcionais. Cada kit tem entradas diferentes e em cada banner vocês poderão qual livro pertence a cada kit.

Regras da Promoção:
• É obrigatório residir em território brasileiro;
• Perfis falsos ou exclusivos para promoções serão desclassificados;
• A promoção se inicia hoje, 14/04/2017 e termina no dia 14/05/2017;
• O sorteio será feito até o dia 19/05/2017;
• Os blogs tem até o dia 21/05/2017 para conferir se os sorteados cumpriram as regras obrigatórias;
• O resultado está previsto para sair dia 23/05/2017;
• Nenhum dos blogs ou editoras se responsabilizam pelo extravio de prêmios;
• O ganhador tem até 72h para responder o e-mail que será enviado com seus dados completos.
• Cada kit terá apenas um vencedor.
• Como cada blog/editora enviará seu livro, os prêmios podem chegar em dias diferentes!
• Cada blog tem até 45 dias para enviar o livro, contando a partir do dia em que recebermos o endereço do ganhador.

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Qualquer dúvida é só mandar nos comentários aqui em baixo. Boa sorte! ♥

Entrevista com Kimberly Brubaker Bradley + Sorteio #DarkLove!

Na próxima quarta-feira, dia 08/03, celebramos o Dia da Mulher. A convite da DarkSide Books, hoje trago uma entrevista exclusiva com a autora Kimberly Brubaker Bradley, autora do próximo lançamento da caveirinha intitulado A guerra que salvou a minha vida. Você pode ler o primeiro capítulo do livro clicando aqui.

A guerra que salvou a minha vida é um daqueles romances que você lê com um nó no peito, sorrisos no rosto e lágrimas nos olhos entre um parágrafo e outro. Uma obra sobre as muitas batalhas que precisamos vencer para conquistar um lugar no mundo.

Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.

Me senti honrada em poder entrevistar a autora. Espero que gostem de saber mais sobre ela e a obra. Me contem nos comentários se estão tão ansiosos quanto eu para conferir o livro. Ah, fiquem até o final do post, pois tenho uma surpresa especial para vocês!

Chovendo Livros: Oi, Kimberly! A DarkSide Books me convidou para preparar algumas perguntas sobre seu primeiro livro a ser publicado aqui no Brasil, A guerra que salvou a minha vidaGostaria de dizer que estou ansiosa para ler o livro, e que ter lido somente o primeiro capítulo me deixou com vontade de ler ainda mais!

Então, vamos às perguntas!

A DarkSide Books é uma editora famosa aqui no Brasil por publicar livros com histórias incríveis e edições de luxo. Eu te garanto que os leitores já estão ansiosos para ler A guerra que salvou a minha vida! Qual é a sensação de ser publicada pela primeira vez no Brasil e o que você espera dos leitores brasileiros?
Kimberly Brubaker Bradley: Esse é o primeiro dos meus livros publicados internacionalmente e eu estou muito empolgada com isso. O Brasil é um país vibrante e adorável e eu mal posso esperar para saber a reação dos leitores. Há uns dias eu fiz uma entrevista ao vivo (no canal da Bruna Miranda) e fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que participaram e como elas pareciam entusiasmadas.

CH: A Segunda Guerra Mundial foi um período muito triste na história da humanidade, mas algumas pessoas conseguiram encontrar uma maneira de se animar nesse momento. A Ada parece ser uma dessas pessoas. Você pode nos contar um pouco sobre a personagem e como foi o processo de criação da voz da Ada?
KBB: A voz da Ada foi a parte mais difícil de acertar no livro e me tomou muito tempo. Os leitores precisavam perceber que enquanto as circunstâncias pelas quais a Ada estavam passando eram horríveis, ela em si era uma pessoa muito forte, inteligente e engenhosa. Foram muitas tentativas de reescrevê-la – algo em torno de seis rascunhos para a primeira apresentação do primeiro capítulo.

CH: Nós leitores sempre aprendemos muito com os livros que lemos. Às vezes somos tão tocados por um livro que esquecemos que o autor muito provavelmente também aprendeu com ele. O que A Guerra que salvou a minha vida lhe ensinou durante o processo de escrita?
KBB: Eu achava que já entendia o poder transformador do amor, mas aprendi mais sobre ele enquanto escrevia essa história – não só isso, mas também o quão satisfatório é ver outra pessoa se curando e florescendo.

CH: Eu li muitas resenhas escritas por adultos de A guerra que mudou a minha vida e todo mundo pareceu achar o livro muito profundo e tocante. Como você o escreveu tendo um público infantil em mente, estou curiosa para saber como você faz para escrever sobre emoções tão complexas de uma maneira que sejam significativas ao mesmo tempo para crianças, adolescentes e adultos.
KBB: 
Eu acho que as crianças entendem muito mais do que a gente imagina. Eu tentei de verdade fazer com que A guerra que salvou a minha vida fosse um livro honesto, que lidasse honestamente com a dificuldade das coisas, e eu sinto que as crianças respeitam essa honestidade. Os adultos também respeitam, mas chegam até a história com um ponto de vista diferente. Fico satisfeita que os adultos gostem do livro, mas fico muito mais feliz que as crianças respondam a ele positivamente. Eu escrevi o livro para elas.

CH: Você costuma escrever histórias sobre personagens fictícios que vivenciam eventos reais. Você possui alguma conexão pessoal com os eventos que escolhe ambientar seus personagens? Ou você é apenas uma amante de História?
KBB: A única conexão pessoal que possuo com as épocas que escrevo é o fato de elas me interessarem muito. Eu meio que pulo de tópico em tópico e o que eles têm em comum é que me fascinam, pessoalmente.

CH: E como a História é uma coisa muito presente no seu trabalho, quem são as personalidades histórias que mais te inspiram?
KBB:
São muitas – amo a atual rainha britânica, Elizabeth II, assim como sua xará, Elizabeth I. Eu amo, amo, amo o Nelson Mandela. A Rainha Hatshepsut, uma rainha-faraó do antigo Egito. Napoleão Bonaparte. Maria Antonieta. Guilherme, o Conquistador.

CH: Eu vi que a maioria de suas influências são mulheres. A DarkLove é um selo da DarkSide Books que publica somente autoras. Você acha que hoje em dia as autoras estão sendo mais reconhecidas mundialmente do que há alguns anos?
KBB: É difícil dizer; no Reino Unido, e especificamente com livros infantis, as mulheres têm sido populares há anos. Eu leio obras do mundo todo, mas somente os livros publicados em inglês – então só tenho acesso a uma parcela do mercado internacional.

CH: Kimberly, queria agradecer muito por você ter tirado um tempinho para responder às minhas perguntas. Para instigar os leitores brasileiros, você poderia comentar sobre o que podemos esperar de A guerra que salvou a minha vida? Tenho a impressão de que já deveria separar minha caixa de lencinhos para as lágrimas!
KBB: Espero que o livro faça vocês chorarem! E rir, e se sentirem profundamente satisfeitos. No final, é uma história de amor. Espero que vocês adorem!

E não pensem que as surpresas nessa semana do Dia da mulher acabaram! Em parceria com a DarkSide Books, sortearei para os leitores do blog um livro do selo DarkLove, à escolha do ganhador(a). Para participar, é obrigatório ser inscrito no canal do Chovendo Livros no YouTube e curtir a página da DarkSide Books no Facebook. Confirme sua inscrição no formulário abaixo.

Caso precise de dicas para escolher seu livro do selo DarkLove, confira as resenhas abaixo:

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O resultado será divulgado no Twitter e Facebook do Chovendo Livros no sábado, 11/03, às 12h. Fiquem ligados e boa sorte!

Resenha: Nimona, de Noelle Stevenson

Assim que Nimona começou a ganhar algum destaque no cenário literário internacional eu já fiquei de olho na obra. Afinal de contas, o quadrinho une três elementos que, juntos, dificilmente me desapontam: uma HQ escrita e ilustrada por uma mulher, com uma protagonista mulher e que se passa em um universo fantástico com uma pegada medieval. Aliás, se quiser me sugerir algo do tipo (não precisa necessariamente conter as três coisas que mencionei), a caixa de comentários é serventia da casa, risos.

Originalmente autopublicado por Noelle Stevenson como uma webcomic, Nimona começa contando a história da protagonista homônima que, além de metamorfa, sonha em ser uma vilã. E como Nimona, além de tudo, é muito decidida, ela corre para bater na porta do temível Ballister Coração-Negro – o maior vilão do reino – para tornar-se sua assistente.

Conforme Nimona conhece Ballister, ela percebe que ele não é tão mau quanto dizem por aí. Na verdade, o suposto vilão acaba se mostrando mais justo e escrupuloso que muitos dos guerreiros oficiais do reino, como é o caso de Sir Ouropelvis, que segue as regras da Instituição de Heroísmo & Manutenção da Ordem às cegas. Aliás, por trás da Instituição existe um grande segredo capaz de unir Nimona, Ballister e Ouropelvis em uma busca pela resolução de assuntos inacabados e autoconhecimento.

Não se deixe enganar pelo traço leve e divertido de Noelle Stevenson. Seus desenhos coloridos e despretensiosos revelam um roteiro cheio de reviravoltas e mensagens poderosas de autoaceitação, capaz de abalar até mesmo o mais insensível dos leitores. Considerando que você não é esse tipo de pessoa, eu garanto que a leitura de Nimona é uma experiência compensadora, com o poder de arrancar risadas e lágrimas na mesma proporção.

Em termos de layout e diagramação de quadros, Nimona é uma HQ tradicional. A ação da história fica por conta do roteiro e o excelente uso de cores ajuda com que as diferentes parte da história passem diferentes tipos de sentimento ao leitor. Com um trabalho tão impecável, não é de se surpreender que Noelle Stevenson ganhou o Eisner Award em 2015, com apenas 24 anos – nesse caso, pela série de quadrinhos Lumberjanes.

Nimona é a HQ perfeita para quem é fã de livros de fantasia e quer se aventurar no universo dos quadrinhos. Eu arriscaria dizer, inclusive, que é uma ótima opção para qualquer um que queira arriscar a leitura de um quadrinho e busque por uma protagonista mulher (menina, no caso) que fuja de todos os esteriótipos. É impossível não se apaixonar por essa metamorfa!

Ficha técnica do livro
Título: Nimona
Autora: Noelle Stevenson
Ilustrações: Noelle Stevenson
Tradutora: Flora Pinheiro
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Gênero: Ficção Americana
Páginas: 272

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a Intrínseca. ♥
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Resenha: Pax, de Sara Pennypacker

Falei desse livro fofo que é Pax no Book Haul de Agosto/Setembro e desde então venho pensando em como traduzir uma história tão doce e sutil para uma resenha escrita. O capricho do livro começa em seu projeto gráfico, passando pelas ilustrações lúdicas de Jon Klassen, e termina no texto inocente e cheio de metáforas da autora Sara Pennypacker.

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O livro é protagonizado por Peter, um garoto de 12 anos, e Pax, sua raposa de estimação. O pai de Peter foi chamado para servir na guerra (não fica claro qual guerra seria) e, por conta disso, Peter precisa se mudar para a casa do avô. O pai de Peter o obriga a abandonar Pax na estrada, já que a raposa não poderia viver com ele em sua nova casa. Pax já começa assim, com uma cena arrebatadora de uma criança tendo que abandonar seu bichinho de estimação. Já está com o coração em cacos? Pois, a essa altura, eu já estava.

Os capítulos de Pax intercalam entre a visão da raposa e do menino. Enquanto acompanhamos Pax sem entender porque seu dono o deixou na estrada, acompanhamos também um revoltado Peter que resolve fugir da casa do avô e andar quase quinhentos quilômetros para resgatar seu amigo. É no meio desse longo caminho que o menino conhecerá Vola, uma senhora enigmática mas de bom coração, que tem muito a ensinar e também a aprender com Peter. Já Pax vai conhecer Arrepiada e Miúdo, duas outras raposas que vão ensiná-lo que os humanos nem sempre são tão bons como o seu dono. A história de Pax se desenrola conforme o menino e a raposa vão desbravando o mundo, tanto fora como dentro de si, enquanto mantêm viva a esperança de se reencontrarem.

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Acompanhar os sentimentos de Pax e Peter é uma experiência bonita e intensa. Em um primeiro momento, conseguimos sentir no peito a saudade dos amigos, graças ao talento da autora para descrever sentimentos com poucas palavras. Conforme a história segue, o leitor é entregue, junto a Peter e Pax, a uma enxurrada de outros sentimentos envolvendo lealdade, obstinação e aceitação – tanto a autoaceitação como a aceitação de quem nos cerca.

Comentei anteriormente que os capítulos de Pax são intercalados entre a visão do menino e da raposa. Aposto que você está se perguntando como raios seria um capítulo narrado por uma raposa, certo? Pois saiba que a autora, Sara Pennypacker, se aprofundou no estudo das raposas-vermelhas para deixar o comportamento de Pax o mais próximo de uma raposa na natureza. Vai por mim: viver alguns capítulos na cabeça de Pax é divertidíssimo e extremamente convincente.

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Aliás, uma curiosidade: Pax se passa em um contexto de guerra e rivalidade, tanto entre humanos como entre humanos e animais. E pax em francês significa paz. Não tenho dúvidas sobre o quanto esse nome tão simples é tão representativo para a história do livro!

Pax é um livro dedicado ao público infantojuvenil, mas que não fica para trás na hora de conquistar os leitores adultos. Se você é um leitor sensível, como eu acredito que todo apaixonado por literatura seja, com certeza vai se contagiar pelas metáforas envolvendo o menino e sua raposa. Publicado pela Intrínseca em julho desse ano, a edição está muito bonita e é uma ótima pedida para presentear alguém querido nesse Natal (e em qualquer outra data do ano).

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Ficha técnica do livro
Título: Pax
Autora: Sara Pennypacker
Ilustrações: Jon Klassen
Tradutora: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Gênero: Ficção Infantojuvenil
Páginas: 288

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a Intrínseca. ♥
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Resenha: Confissões do Crematório, de Caitlin Doughty

Preciso admitir que, se não fosse o lançamento de Confissões do Crematório, eu jamais teria tido o prazer de conhecer a incrível Caitlin Doughty. Com apenas 32 anos de idade, ela já acumula 7 anos de experiência na indústria funerária norte americana e outros tantos advogando em defesa do que denomina como “boa morte”. Esse currículo pode até causar arrepios à primeira vista, mas a verdade é que a jovem Caitlin tem muito para ensinar a todos nós.

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Confissões do Crematório é um livro repleto de referências literárias, científicas e históricas comentando temas relacionados com a indústria funerária dos Estados Unidos, passando pelas leis aplicadas aos cadáveres até a maneira como essa sociedade lida com a morte. Como nesse assunto não ficamos longe dos norte americanos, praticamente tudo que a autora escreveu em Confissões do Crematório pode ser aplicado a nós, brasileiros.

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Por mais que a tecnologia possa ter se tornado nossa mestra, precisamos apenas de um cadáver humano para puxar a âncora do barco e nos levar de volta para o conhecimento firme de que somos animais glorificados que comem, cagam e estão fadados a morrer. Não somos nada mais do que futuros cadáveres.

Caitlin começa contando sobre sua experiência no crematório da funerária Westwind Cremation & Burial, em São Francisco. Ela passou dois anos por lá aprendendo a banhar cadáveres e prepará-los para o velório – o tipo de serviço que fingimos não existir, preferindo acreditar que os mortos simplesmente aparecem maquiados e engomados para suas cerimônias.

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Eu admito que boa parte do que me levou a ler Confissões do Crematório foi uma curiosidade mórbida sobre o funcionamento de uma funerária e as bizarrices que acontecem com quem lida diariamente com gente morta. Para a minha surpresa, o livro trouxe questionamentos existenciais que por pouco não me arrancaram lágrimas. Confissões do Crematório tem seu lugar garantido no meu pódio de melhores livros lidos em 2016.

Apesar de ser um livro do selo Darklove, dedicado às publicações menos sanguinolentas da DarkSide Books, Confissões do Crematório não é para corações fracos. Você sabia, por exemplo, que idosos acamados e que não são mudados de posição podem desenvolver um tipo de gangrena, ocasionada pelo peso dos ossos sobre a pele? E que após cremados, os restos mortais dos bebês são tão pequenos que não passam pela máquina de trituração e precisam ser esmagados à mão? Aliás, após a cremação, os restos do corpo humano precisam passar por um processamento para virarem cinzas. Não vamos do fogo ao pó naturalmente. Portanto, prepare-se para ler sobre essas e muitas outras informações nuas e cruas sobre a morte.

Todas as culturas têm valores de morte. […] Essa necessidade de significado é o motivo pelo qual alguns acreditarem em um sistema intrincado de vida após a morte, de outros acreditarem que sacrificar um determinado animal em um determinado dia leva a colheitas saudáveis e a outros acreditarem que o mundo vai acabar quando um navio construído com as unhas não cortadas dos mortos chegar carregando um exército de cadáveres para lutar com os deuses no fim dos dias (a mitologia nórdica sempre vai ser a mais radical, desculpem).

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Ao mesmo tempo que fala sobre coisas escatológicas, Caitlin transmite um bom humor que só um ser humano cheio de empatia poderia praticar. Essa foi a sutileza em Confissões do Crematório que derreteu meu coração. A pesquisa aprofundada da autora unida à sua paixão e respeito pela morte torna a leitura deliciosa e engrandecedora da alma – independente da sua crença religiosa.

Como falei no início do texto, a Caitlin hoje dedica sua carreira a advogar pela causa da “boa morte”, que nada mais é do que nos livrarmos da forma higienista com que lidamos com os mortos, compreendendo que olhar e tocar um cadáver sem intervenções químicas pode ser benéfico para lidarmos com a morte e o luto. Entender que a morte faz parte da nossa existência é um gatilho para o nosso amadurecimento como sociedade. A chamada Order of the Good Death conta com a contribuição de profissionais da indústria funerária, acadêmicos, artistas e simpatizantes do mundo todo.

Aceitar a morte não quer dizer que você não vai ficar arrasado quando alguém que você ama morrer. Quer dizer que você vai ser capaz de se concentrar na sua dor, sem o peso de questões existenciais maiores como “Por que as pessoas morrem?” e “Por que isso está acontecendo comigo?”. A morte não está acontecendo com você. Está acontecendo com todo mundo.

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A decisão de compartilhar minhas experiências de leitura nasceu, obviamente, da vontade de indicar livros que me marcaram de alguma forma (salvo resenhas negativas, mas estas não deixam de ter sua utilidade). Mas Confissões do Crematório é imperdível. Hoje, se eu tivesse que indicar apenas um livro de todos que resenhei para quem acompanha o Chovendo Livros, esse seria o livro.

Para quem se interessou por Confissões do Crematório, a Caitlin possui um canal no YouTube chamado Ask A Mortician, onde ela também fala sobre assuntos relacionados à morte e responde perguntas do público, tudo com um clima bem descontraído. Para quem consegue ouvir em inglês, recomendo muitíssimo!

Não esqueça de deixar seu comentário caso você tenha ficado curioso para ler Confissões do Crematório, ou se você já é um fã do trabalho da Caitlin. Boas leituras mortais!

Ficha técnica do livro
Título: Confissões do Crematório: lições para toda a vida
Autora: Caitlin Doughty
Tradutora: Regiane Winarski
Editora: DarkSide Books
Ano: 2016
Gênero: Não-ficção | Biografia
Páginas: 256

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a DarkSide Books. ♥
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Resenha: Exorcismo, de Thomas B. Allen

Há muitos anos, quando eu ainda era jovem e Harry Potter só existia até A Ordem da Fênix, fui na biblioteca do colégio procurar algo interessante para ler. Escondidinho, na seção dos livros de terror, encontrei um exemplar de O Exorcista e logo fiquei curiosa. Não sabia que aquele filme tão famoso era inspirado em um livro! Levei ele para casa e lembro de ter passado os dias seguintes com muito medo, porém vidrada na leitura. Durante um bom tempo, O Exorcista ocupou o posto de melhor livro de terror que eu já havia lido.

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Desde que a DarkSide Books anunciou o lançamento de Exorcismo eu fiquei possuída louca. Afinal de contas, o livro conta a história real que inspirou o William Peter Blatty a escrever O Exorcista. Mesmo que nesse meio tempo O Iluminado tenha destronado O Exorcista como melhor livro de terror da vida, ainda assim eu sempre fiquei muito curiosa com histórias envolvendo demônios.

Exorcismo conta a história do jovem Robert Mannheim que, após brincar inocentemente com uma tábua ouija, acaba possuído por um demônio. Após infernizar (literalmente) a vida de seus parentes com os sintomas, a família de Robert decide procurar um padre para realizar um exorcismo no garoto. O ritual dura cerca de quatro meses, muito difíceis e sofridos tanto por parte de Robert como dos jesuítas que assumiram a tarefa. Todos esses acontecimentos são agravados pelo fato de que, bem, eles aconteceram de verdade. E tudo o que Robert e sua família puderam fazer durante esse período era ter fé.

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Antes de ler Exorcismo, você precisa estar ciente de uma coisa: o autor, Thomas B. Allen, buscou escrever um relato jornalístico do ocorrido. Em outras palavras, isso significa que o livro não possui reviravoltas, ritmo acelerado, suspense, etc. Exorcismo é muito assustador se você pensar que tudo aquilo aconteceu de verdade (ao menos segundo as testemunhas entrevistadas pelo autor). Mas não espere uma leitura com ritmo de ficção.

Em uma entrevista para o blog Geeksaw, Thomas B. Allen admitiu não acreditar que Robert estava mesmo possuído. Mas isso não impediu que ele ficasse impressionado com os relatos do Padre Halloran, um dos jesuítas que realizou o exorcismo. Segundo o autor, o padre sempre mostrou-se muito racional, e os dois tornaram-se amigos por conta da pesquisa de Allen sobre o caso de possessão.

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O que eu achei mais interessante em Exorcismo foi justamente algo que chamou minha atenção há anos, quando li O Exorcista: a burocracia de um exorcismo. Ao contrário do que Hollywood nos fez acreditar, não basta chegar e recitar frases da Bíblia para exorcizar um demônio que habita uma pessoa. É preciso, primeiramente, obter a permissão da autoridade católica máxima da sua região. E para conseguir essa permissão, é necessário reunir provas concretas de que o caso não é apenas um problema mental. Os sintomas da possessão são vários, e vão desde falar outro idioma até manifestações sobrenaturais.

Além da história de Robert relatada por Thomas B. Allen, Exorcismo também acompanha um Diário do Exorcista, onde um dos padres que acompanhou o processo manteve um relatório detalhado das sessões de exorcismo, que duraram cerca de quatro meses.

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Exorcismo é imperdível para fãs de O Exorcista (prazer) e entusiastas de manifestações demoníacas. Por ser um relato jornalístico, pode decepcionar alguns leitores, por conta de seu ritmo pouco acelerado. Tenha isso em mente quando pegar Exorcismo para ler! Boas leituras e fique longe de tábuas ouija!

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a DarkSide Books. ♥

A importância da jornada – Especial: Em Algum Lugar nas Estrelas

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Hoje encerramos a semana especial de Em Algum Lugar nas Estrelas, mas o sorteio vai até semana que vem. Portanto, não perca a chance de levar para casa esse livro incrível! Clique aqui para participar do sorteio.

Quando planejei o conteúdo dessa semana, pensei no post de hoje como uma coletânea das frases mais marcantes de Em Algum Lugar nas Estrelas. Aconteceu que, após separar minhas passagens favoritas, eu me dei conta que todas elas versavam sobre a mesma temática: a importância da jornada, mais do que chegar no destino de fato.

Às vezes, é melhor não ver todo o caminho que se estende diante de você. Deixe a vida surpreendê-lo, Jackie. Há mais estrelas por aí do que as que já têm nome. E todas são lindas.

Esse é um tema pelo qual eu tenho muito apreço, pois é algo que levo como uma filosofia de vida. Ao invés de arrancar os cabelos por não alcançar um objetivo específico, prefiro me divertir com os pequenos aprendizados que tenho todos os dias, enquanto me esforço para conquistar o que almejo.

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Os que quase se deixam consumir pela caçada, os desesperados, digamos, por aquilo que acham que procuram, normalmente estão bem longe do que de fato estão procurando. É verdade, também, que às vezes eles não estão procurando nada, mas fugindo de alguma coisa.

Um assunto que vivo conversando com amigos próximos é a frustração vivida pela nossa geração para alcançar um certo padrão de qualidade de vida onde trabalho deve significar diversão e uma certa plenitude espiritual. A maioria de nós cresce e descobre que, bem, a vida não é um algodão-doce. Trabalhar não envolve criar um projeto inovador toda a semana, como acreditávamos que seria na faculdade (o pessoal da indústria criativa vai me entender aqui). E é na frustração de não criarmos coisas absurdamente incríveis agora que afundamos a nossa capacidade de perceber como as pequenas coisas podem ser uma semente para algo grandioso no futuro.

O que é mais importante, pensei. Procurar ou encontrar?

Eu acredito que procurar seja mais importante do que encontrar. Afinal de contas, nós raramente sabemos o que queremos encontrar (e Douglas Adams fez a melhor analogia da humanidade dizendo que a resposta para tudo é 42). A jornada de procurar nos ensina mais que qualquer conquista. Mais do que isso, nos prepara para o momento em que encontramos algo. Seja um trabalho, uma viagem ou qualquer outra coisa.

Não pretendo transformar esse texto em autoajuda, mas queria aproveitar que Em Algum Lugar nas Estrelas é um livro tão positivo para passar uma mensagem: não desanime se a vida não está correndo como você esperava. Ao invés disso, tente aprender ao máximo todos os dias com as suas vivências, e dê o seu melhor em tudo o que fizer. No futuro, quando você olhar para trás, vai perceber como foi útil ver a vida com olhos curiosos ao invés de ficar aborrecido(a) por não ter algo que você sequer sabia o que era.

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Ligar os pontos. Minha mãe dizia que olhar as estrelas tinha a ver com isso. “lá em cima é como aqui embaixo, Jackie. Você precisa procurar as coisas que nos conectam. Encontrar os jeitos com que nossos caminhos se cruzam, nossas vidas se interceptam e nossos corações se encontrem.

Acompanhar a jornada de Jack e Early no livro Em Algum Lugar nas Estrelas reforçou três lições em minha vida: seja gentil com as pessoas, nunca desista e preste atenção na sua jornada. Ela está repleta de ensinamentos que você não pode deixar passar.

A Beleza de uma Única Estrela
de Elaine Gallagher

As estrelas em seus cursos
Iluminam e guiam,
viajantes e andarilhos
para seguirem adiante.
Mas antes de Plêiades e Orion,
Antes de menores e maiores,
Eram só estrelas em seus cursos,
Cantando seus louvores.
Em uma só estrela há beleza suficiente,
Pura admiração, fascínio e esplendor,
Para levantar os olhos, estender os braços,
E permanecer, humilde,
agradecidos por elas de fato.

Abaixo, vou deixar a lista completa com todos os conteúdos da semana especial de Em Algum Lugar nas Estrelas. Não deixe de conferir tudinho:

Desejo a todos vocês uma ótima jornada, dentro e fora dos livros! ♥

Pôster musical – Especial: Em Algum Lugar nas Estrelas

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Estava ansiosa para compartilhar esse post! Para quem ainda não viu, essa semana é todinha dedicada ao livro Em Algum Lugar nas Estrelas, de Clare Vanderpool, uma leitura incrível e inspiradora (clique aqui para conferir a resenha). Como já contei por aqui, Early Auden, um dos personagens principais do livro, possui um gosto musical regrado e peculiar. Ele só ouve Louis Armstrong às segundas, Frank Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas e Mozart ao domingos. A menos que chovesse. Em dias chuvosos, ele sempre ouve Billie Holiday.

Fill my heart with song
And let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you

Inspirada pela seleção musical de Early, a DarkSide Books preparou uma playlist deliciosa, repleta de músicas perfeitas para embalar a leitura de Em Algum Lugar nas Estrelas. Não deixe de ouvir, sério!

Eu fiquei tão inspirada pelas músicas que resolvi criar um pôster com o nome da minha música preferida do Frank Sinatra, chamada Fly Me To The Moon. O pôster possui formato A4, para ficar fácil de imprimir em qualquer impressora e também de encontrar uma moldura que sirva. Espero que vocês aproveitem o pôster para decorar aquele cantinho especial.

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Clique aqui para baixar ♥

O que você acha desse tipo de conteúdo, para baixar e usar? Me conte nos comentários, eu vou adorar saber. E não esqueça de participar do sorteio de um exemplar de Em Algum Lugar nas Estrelas, que está rolando aqui. Boas leituras inspiradoras!

Resenha: Em Algum Lugar nas Estrelas, de Clare Vanderpool

Desde a primeira vez que a DarkSide Books divulgou uma imagem de Em Algum Lugar nas Estrelas, escrito por Clare Vanderpool, eu fiquei apaixonada. É o típico livro que te pega pelo olhar antes de você saber sobre o que se trata a história. Como eu sempre tive um apego grande pelo espaço e pelas estrelas (Sailor Moon mandou beijos), sabia que seria difícil me decepcionar com uma história envolvendo esses elementos. E foi assim que cheguei até esse livro maravilhoso.

Durante toda a semana, até sexta-feira, vai rolar um especial todinho dedicado ao livro Em Algum Lugar das Estrelas. O conteúdo será dividido e intercalado entre o blog e o canal. Quem ainda não segue o canal do Chovendo Livros é bom correr, para não perder nadinha! É só clicar aqui.

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Em Algum Lugar das Estrelas começa contando a história de Jack Baker, um jovem que perdeu sua mãe recentemente e foi mandado para um internato só para meninos pelo pai, um soldado das Forças Armadas. Jack era muito apegado à mãe, e a distância emocional em relação ao pai somada ao fato de estar em um colégio longe de sua terra natal fazem ele se sentir extremamente solitário naquele lugar. Até que Jack conhece Early.

Early Auden é um garoto peculiar em vários sentidos. Além de viver sozinho em um cômodo do internato que já serviu como despensa do zelador, ele tem a mania de contar e separar jujubas por cores quando fica nervoso. Early também possui regras musicais: ele só ouve Louis Armstrong às segundas, Frank Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas e Mozart ao domingos. A menos que chovesse. Em dias chuvosos, ele sempre ouve Billie Holiday.

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Mais estranho que tudo isso, Early tem um apego pelo número Pi. Ele acredita que seus algarismos contam a história de um menino chamado Pi, que viveu uma vida de aventuras explorando diversos lugares do mundo. Jack ouve a história com atenção, mas não acredita que aquilo aconteceu de verdade, ao contrário de Early.

Durante uma semana de férias no internato, apenas Jack e Early permanecem no local. Early comunica Jack que sairá em uma viagem atrás de seu irmão mais velho, declarado morto em um ataque ao seu batalhão durante a Segunda Guerra Mundial. Early jura que ele ainda está vivo e, apesar das tentativas de Jack de desencorajar a empreitada, ambos roubam um barco do internato e partem juntos pela imensidão do mar do Maine.

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Durante sua viagem, Jack percebe que o conhecimento de Early sobre a história de Pi pode ser muito útil, já que vários dos acontecimentos ocorridos com eles se parecem com as aventuras vividas pelo personagem fictício. É nessa mistura de realidade e ficção que Jack e Early enfrentarão situações inimagináveis para dois adolescentes e descobrirão o valor de uma amizade verdadeira.

O livro possui duas formas narrativas: na primeira, acompanhamos a aventura dos garotos em primeira pessoa, pelos olhos de Jack. Outros capítulos são narrados em terceira pessoa e contam as aventuras do jovem Pi. Os capítulos sobre Pi são curtos e não tiram o foco da história principal de Jack e Early.

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A cada página virada de Em Algum Lugar nas Estrelas eu me apegava mais e mais à história e aos protagonistas. Senti como se vivesse a aventura ao lado deles, vibrando a cada conquista e ficando nervosa quando eles se metiam em alguma encrenca. O que mais gostei, sem dúvidas, foi a mistura de magia e realidade durante a viagem de Jack e Early. Há quem ache confuso, mas eu sou uma grande fã de histórias onde o elemento mágico tira o leitor da zona de conforto, e ficamos sem saber dizer se algo aconteceu de verdade ou era apenas imaginação do personagem. Às vezes a mágica simplesmente acontece, e isso é incrível.

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Como forma de dividir essa história incrível com vocês, a DarkSide Books disponibilizou um exemplar de Em Algum Lugar nas Estrelas para sorteio aqui no Chovendo Livros. Para participar, basta cumprir os passos obrigatórios do formulário abaixo. Boa sorte para todos! ♥

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Lembrando que amanhã tem conteúdo especial de Em Algum Lugar nas Estrelas lá no canal, não esqueça de se inscrever para acompanhar. Boas leituras estreladas!