Especial: Toda luz que não podemos ver

Antes de começar a resenha, saiba que essa será uma semana muito especial! De hoje até sexta-feira, vou publicar alguns textos especiais sobre o livro Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr. Dizer que a obra venceu o Prêmio Pulitzer de ficção em 2015 já é suficiente para despertar a curiosidade dos leitores, mas garanto que se você acompanhar essa resenha até o final, terá mais uma dezena de motivos! Vamos lá?

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Toda luz que não podemos ver é ambientado no período de 10 anos antes do término da Segunda Guerra Mundial, até o final do conflito. Os capítulos são alternados entre a visão de Marie-Laure, uma menina francesa de 6 anos que vive com o pai em Paris, e Werner, um menino alemão órfão que vive com a irmã mais nova em um orfanato na região de Zollverein. Ao longo do livro, alguns capítulos são narrados também por outros personagens, o que só enriqueceu a história, ao meu ver.

Logo de cara, percebi que a dicotomia nazistas e judeus era inexistente, o que já diferencia Toda luz que não podemos ver de outros best-sellers ambientados na Segunda Guerra Mundial. Mesmo estando presente em elementos gráficos, como a águia nos uniformes e a bandeira vermelha e branca com a suástica no centro, a palavra “nazismo” não é mencionada. Essa foi uma manobra inteligentíssima do autor, pois ajuda o leitor a perceber a guerra da mesma maneira que o povo da época: ninguém entendia muito bem o que estava acontecendo, nem mesmo os alemães (o povo, no caso).

Ainda nos primeiros capítulos, nossa protagonista Marie-Laure perde sua visão, devido a um problema crônico. Seu pai não mede esforços para fazer com que a filha se adapte à essa nova condição, construindo inclusive uma maquete fidelíssima ao bairro onde vivem. Dessa maneira, Marie-Laure pode sentir com os dedos a localização das coisas, o que mais tarde a ajuda a se locomover pelo lugar. A menina passa os dias no Museu, onde o pai trabalha como chaveiro.

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Em contraste com a infância tranquila de Marie-Laure, nós acompanhamos o jovem Werner e sua irmã Jutta no orfanato de Zollverein. Os irmãos se destacam por seus cabelos brancos, em contraste com o ambiente cor de chumbo, devido à fuligem das minas de carvão que cercam a região. Certo dia, ao revirarem uma pilha de objetos descartados pela população, eles encontram um rádio quebrado, do qual Werner não desgruda até consertar. Ao ouvirem música pela primeira vez, os irmãos ficam encantados. Sintonizar rádios de outros lugares significa que o mundo é muito maior que Zollverein, o que dá esperança a Werner e Jutta de um dia deixarem aquele lugar inóspito.

Quando a guerra estoura, em 1939, tanto Marie-Laure como Werner, mesmo morando tão longe, vêem suas vidas transformadas. Com o bombardeio de Paris, Marie-Laure foge com o pai para Saint Malo, a fim de buscarem abrigo na casa de um parente distante. Já Werner, com apenas 14 anos, é convocado para estudar na Academia em Schulpforta, local de preparação para os soldados alemães. Os jovens da Alemanha eram convencidos a servir com promessas de glória, além de histórias sobre Adolf Hitler querer transformar a Alemanha no centro do mundo, construindo até mesmo uma cidade na Lua.

A maneira com que o autor conduz e entrelaça ambas as histórias é maestral. Todos os personagens cumprem um papel essencial na trama, o que faz com que o leitor precise ficar atento aos acontecimentos e referências, que serão retomados mais à frente. Além disso, os capítulos são curtos, tornando a leitura de Toda luz que não podemos ver muito dinâmica e prazerosa.

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O que tornou esse livro inesquecível para mim sem dúvidas foi perceber a Segunda Guerra Mundial através da vivência de pessoas simples, francesas e alemãs. Em uma determinada parte, acompanhamos os soldados alemães tentando localizar e exterminar rebeldes russos que enviam mensagens por rádios. Werner fica confuso, pois seus superiores e o próprio Reich pintavam os cidadãos russos como guerrilheiros inteligentíssimos, portadores de armas letais. Quando encontram esses “monstros” ao vivo, eles são apenas pessoas assustadas, buscando passar mensagens simples para amigos e familiares. Mesmo questionando mentalmente o que fazia, a Werner não restava outra opção senão cumprir suas ordens.

Confesso que até hoje sinto saudade de alguns personagens de Toda luz que não podemos ver. E nós leitores sabemos bem que isso é pré-requisito para um livro ser considerado incrível! É por esse motivo que no post de amanhã vou falar sobre meus personagens preferidos do livro e explicar porque eles me tocaram tanto.

Ficou curioso(a) para conferir essa história? Participe do sorteio de um exemplar de Toda luz que não podemos ver lá no Facebook. Boas leituras!

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Posted by Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

7 comments

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  5. Eu já li dezenas de livros sobre a segunda guerra, mas a criatividade humana não tem fim e sempre existirá um livro incrível que vai te encantar.

    Estou com esse livro na lista para ser lido, acho que vou adorar.

    • Oi, Rodrigo! Com certeza tu vai adorar esse livro. Vou acompanhar teu blog para ver a resenha, hein! :)

  6. Sobre personagens que sentimos saudades: eu não achava que isso fosse possível, sabe? Sentir saudades de uma pessoa que não existe, que você nem conheceu de verdade. Mas me enganei e descobri isso quando li as séries Estilhaça-me, Delírio e Feios e olha que a saudade as vezes nem foi do protagonista. Ambos retratam realidades de guerras, iniciadas pelos mais diversos motivos e grupos e nenhuma delas que tenha acontecido de fato. Mas os personagens estavam lá, lutando, sofrendo, crescendo e alguns, com toda a certeza, me marcaram para sempre.
    Confesso que achei alguns livros incríveis e os personagens não tão memoráveis assim, acho que varia muito da história e de nossas experiências de vida. Se você me perguntasse hoje qual meu personagem favorito de todos os tempos dos livros que já li, eu não saberia dizer. Você tem essa resposta na ponta da língua Rafa?
    Sobre o livro: foi um dos livros do mês de algum dos encontros do meu clube do livro, comecei a ler e não me prendi nem aos personagens e nem à história. Acho que faltou um pouco de sensibilidade da minha parte ou eu não estava num momento bom pra esse livro. Ele continua na minha estante, quem sabe eu não dê uma chance pra ele?
    Beijos Rafa!

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