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Diversos Opinião

Feminismo e a nova pauta da Cosmopolitan

Rafaela Paludo 3 de maio de 2015
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No início de Abril eu estava vendo um dos vídeos da incrível JoutJout onde ela contou que foi convidada para escrever uma coluna na Cosmopolitan, antiga Nova, famosa revista voltada para o público feminino. Desde que eu comecei a ler sobre feminismo e me identificar com o movimento eu (felizmente) acabei deixando de lado esse tipo de leitura, que, conforme eu comecei a perceber, servia só pra me fazer ver defeitos em mim mesma. Mas como vi no vídeo da JoutJout, a Nova estava passando por uma atualização de pauta, focada nos novos interesses do seu público, e pra demarcar essa mudança a revista também atualizou seu nome para Cosmopolitan (como suas irmãs internacionais). A curiosidade matou o gato e assim que eu passei por uma banca comprei a bendita para julgar com meus próprios olhos.

Já admito: a mudança foi bem positiva e perceptível. Em alguns dos textos eu até me senti lendo alguns dos vários blogs feministas que sempre visito. Uma das matérias em destaque fala de porque é importante que mulheres apoiem outras mulheres, destacando que ninguém sai ganhando com essa bobagem de chamar a coleguinha de feia ou vadia. Outra matéria perguntou a diversas famosas o que elas gostariam de responder em entrevistas, ao invés do clássico e ordinário o que está vestindo + dieta do momento. A Cosmopolitan americana, além de fazer o mesmo com a linda Scarlett Johansson, aproveitou pra dar uma zoada no Mark Ruffalo fazendo perguntas feitas geralmente para as atrizes (veja o vídeo aqui).

Na parte de sexualidade não temos um tutorial ensinando como enlouquecer seu homem na cama/guia do sexo lacrado/insira aqui outra bobagem do tipo. Ao invés disso temos, pasmem, um guia para chegar ao orgasmo sozinha ou acompanhada. E pensar que precisamos esperar até 2015 para uma matéria assim! Confesso que achei algumas dicas dessa parte da revista um pouco forçadas, mas o que não serve pra mim pode servir para outras mulheres e vice-versa.

Claro que nada é perfeito e, como toda mudança acontece gradativamente, ainda temos alguns deslizes. Logo nas primeiras páginas temos uma foto da Scheila Carvalho usando um macacão jeans e uma flecha indicando “curto e justo? Evite”. Evitar por quê? Por que é vulgar? Por que alguém vai olhar e não vai gostar? Por que não é elegante para os padrões de alguém? Se vamos pregar a independência feminina, que pelo menos a gente comece deixando as mulheres vestirem o que elas bem entenderem. Se vocês procurarem encontrarão mais coisas desnecessárias, mas essa me saltou aos olhos por estar bem no início, quando eu comecei a ler a revista com aquele clima GIRL POWER do editorial.

Após ler todinha minha Cosmopolitan (por sinal a coluna maravilhosa da JoutJout é a última), acho que o importante é que já evoluímos se comparado ao formato antigo da revista. Além disso, é uma publicação feita por mulheres e para mulheres, e isso ao meu ver já é uma grande coisa, abrindo espaço para um diálogo muito mais sincero entre as leitoras e a equipe. A nova edição já deve chegar às bancas essa semana, e eu pretendo ir atrás pra conferir se a nova proposta se manteve. Boas leituras empoderadoras!

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Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

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