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Jessica Jones não precisa da sua ajuda

Rafaela Paludo novembro 24, 2015
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Parecia que o dia 20 de novembro não chegaria nunca, mas eis que Jessica Jones finalmente estreiou no nosso querido Netflix. Além da ansiedade, eu prometi pra mim mesma maratonar a série e fazer resenha em primeira mão para vocês. Sigam-me os bons!

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Sempre gosto de começar minhas resenhas contando um pouco sobre minha expectativa em relação ao assunto. Afinal de contas, a expectativa é a mãe da merda decepção, capaz de influenciar toda nossa experiência em relação à séries/livros/filmes. Minha expectativa com Jessica Jones era alta. Primeiramente, por ser uma série protagonizada por uma mulher. Mais do que isso, uma mulher que não liga para sua aparência física e para sua (falta de) educação com pessoas inconvenientes. A abertura já começa com uma deliciosa música noir, conceito que é reforçado por alguns enquadramentos, pela fotografia e pela trilha sonora ao longo da temporada.

Jessica Jones foi criada pelo roteirista Brian Michael Bendis e pelo ilustrador Michael Gaydos. Sua primeira aparição nos quadrinhos foi em sua própria série, intitulada Alias, de 2001. Eu ainda não tive a oportunidade de ler Alias, então não quero me alongar muito nessa parte. O que eu sei é que a série de quadrinhos teve 28 edições, e apenas no final é que entra Kilgrave, o vilão principal da série do Netflix.

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Em nossa maravilhosa adaptação, Jessica Jones é uma detetive particular dotada de alguns poderes especiais. Ela possui força e resistência sobre-humanas, e consegue saltar tão alto que algumas pessoas acreditam que ela possa voar. Logo no primeiro episódio, nós descobrimos que Jessica possui um trauma, relacionado com o vilão Kilgrave. Conforme o andamento da história, nós descobrimos que Kilgrave possui a habilidade de fazer com que as pessoas obedeçam aos seus comandos verbais, e que utiliza seu “dom” para obrigar as pessoas a fazerem coisas terríveis, na maioria das vezes.

Contando desse jeito, Jessica Jones parece mais uma história comum de super-heróis, onde o bem e o mal possuem seus lugares bem delimitados. Mas a mágica da série está justamente no fato de Jessica ser uma “heroína” extremamente controversa. Começando pelo fato de ela detestar ser chamada por essa alcunha. Ao contrário do Demolidor, que treinou para defender Hell’s Kitchen, Jessica não sabe fazer movimentos sincronizados de luta, e conta apenas com a vantagem que seus poderes lhe dão e com sua esperteza para derrubar qualquer imprevisto em seu caminho. Ela também não liga para os problemas dos outros, e prefere deixar de lado o ideal de defender os fracos e oprimidos. Até que Kilgrave cruza seu caminho novamente.

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Ok, nós já sabemos que Kilgrave consegue controlar as pessoas. Isso não é exatamente uma exclusividade no universo dos super-vilões. Mas o que torna Kilgrave tão assustador no contexto da série? Kilgrave é um abusador sexual e psicológico de mulheres. E ele é obcecado por Jessica.

Como se já não bastasse a dificuldade óbvia de enfrentar um vilão que possui a habilidade de controlar sua mente, Jessica é obrigada a reviver os abusos que sofreu toda vez que está cara a cara com Kilgrave. Além disso, Jessica não pode simplesmente matá-lo: ela precisa de Kilgrave vivo, para que ele confesse seu poder de manipulação, visto que suas vítimas são desacreditadas. Em um determinado episódio, Kilgrave vai tentar nos convencer que pode mudar e parar de fazer o que faz. Exatamente como um relacionamento abusivo funciona.

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Mas nem só de tristeza vive nossa protagonista Jessica. Já não era surpresa que seu relacionamento com Luke Cage seria explorado pela série. O que me surpreendeu mesmo foi a força do vínculo de Jessica com sua melhor amiga, Patricia “Trish” Walker. Mesmo esbanjando girl power em Agents of S.H.I.E.L.D., a dupla Jessica Jones e Trish Walker é, sem dúvidas, a união mais forte entre mulheres que a Marvel apresentou até agora em seu universo cinematográfico. Nos quadrinhos, Trish luta contra o crime sob o disfarce de Gata do Inferno (Hellcat em inglês, bem melhor). Tudo indica que a Trish da série vai seguir os mesmos passos, dada sua obstinação em lutar ao lado de Jessica, mesmo sem possuir super-poderes.

E para fechar com chave de ouro, a Marvel resolveu substituir um famoso personagem homem por uma mulher lésbica. Jeryn virou Jeri Hogarth, e enquanto a família tradicional brasileira faz um escândalo por um selinho trocado entre mulheres, a série Jessica Jones já está bem mais adiantada nesse quesito. Jeri é uma advogada respeitada, que muito provavelmente aparecerá nas outras séries da parceria Marvel e Netflix.

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Além da violência psicológica, Jessica Jones também é carregada de violência gráfica. Assim como em Demolidor, espere por muito sangue e cenas que vão te dar um nó na garganta. Lembre-se que nosso vilão controlador de mentes não hesita em se livrar de suas testemunhas caso seja necessário.

Acho que depois de tantos elogios, nem preciso dizer que Jessica Jones alcançou minha expectativa (só não digo que superou porque ela estava realmente alta). A série entrega um roteiro cheio de tensão, com ação na medida certa e o mais importante: respeita todos os personagens femininos e não deixa que nenhum homem ofusque suas histórias. Nem Jessica nem as outras mulheres da série precisam da sua ajuda.

Minha maior crítica negativa não é exclusiva de Jessica Jones, mas a todo universo cinematográfico da Marvel. Onde estão as heroínas negras? Sei que a Enfermeira Noturna da Rosario Dawson possui um papel importantíssimo em unir diferentes heróis, mas queremos mais, e eu sei que a Marvel também pode fazer mais.

E você, já começou a assistir Jessica Jones? Conte nos comentários o que está achando, e se também ficou tão empolgado(a) como eu. Boa maratona!

Tags:
Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

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2 Comments

  1. Juliane dezembro 10, 2015

    Eu tinha certeza absoluta que tinha comentado esse seu post Rafa! Ou talvez comentei mentalmente :x
    Queria ter feito maratona também, mas acabou não dando certo, então sempre que tinha um tempinho, assisti a um episódio. Só digo uma coisa: fiquei muito chateada de não ter ido na CCXP.
    Cheguei sem saber muito o que esperar da série, só sabia que ela tinha uma força sobre-humana e que tinha esse passado com o Kilgrave. Ah, eu sabia também do uniforme engraçado dela de antes HAHAHAHA
    Por outro lado cheguei cheia de preconceitos com a atriz, achava que ela não iria dar conta devido aos tipos de papéis que ela interpretou antes (L!fe happens, Vamps, Apartment 23 e Breaking Bad – assistidos nessa ordem), na minha opinião, até então ela era uma daquelas atrizes que só conseguia interpretar um tipo de personagem, sabe? Apesar disso, queria muito estar enganada, pois era um seriado da Marvel+Netflix, era uma heroína mulher e era em Hell’s Kitchen. A receita para dar certo estava toda lá, só faltava misturar.
    E no final, eu realmente estava enganada. AINDA BEM! Vi muito da Chloe (Apartment 23) na Jessica e até bateu uma nostalgia, mas dizer que Krysten Ritter é uma atriz de um papel só é uma injustiça que você não me verá cometer.
    Adorei absolutamente tudo sobre a série, a maneira como os personagens foram ligados, as histórias das pessoas, os medos, as evoluções, a trilha sonora, os heróis coadjuvantes, as amizades, o vilão, tudo tudo TUDO. Estou recomendando para todo mundo que conheço, fãs de quadrinhos ou não.
    Até já tenho minhas teorias para a próxima temporada e outras coisas mais para falar, mas você vai ter que esperar minha resenha pra saber HUEHUEHUEHUEBRBR
    Beijos Rafa!

    Responder
    1. Rafaela Paludo dezembro 14, 2015

      QUERO ESSA RESENHA PRA ONTEM! A única vez que eu tinha visto a Krysten atuando foi em Confessions of a Shopaholic (minha cultura cinematográfica mandando beijos sqn hahaha), então eu tava meio sem saber o que esperar da atriz. Achei muito legal esses pontos que tu levantou, não esquece de colocar no texto, hein!

      Sobre a CCXP, também me arrependi muito de não ter ido :( Fiquei de cara pois eles anunciaram as maiores atrações faltando menos de um mês. Se eu soubesse do Frank Miller antes (mesmo que ele já esteja gagá), eu com certeza teria me programado. E a Krysten também! Aliás, esse ano perdi tanto evento bom que ano que vem estarei na Bienal e na CCXP, só de raiva! HAHAHA

      Beijos, Ju!

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