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Diversos Opinião

Livros clássicos são para todo mundo?

Rafaela Paludo 23 de Abril de 2018
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Hoje é Dia Mundial do Livro e eu gostaria muito de aproveitar a data para compartilhar com vocês alguns pensamentos sobre esse que é o objeto mais incrível já criado pelos humanos. Mais especificamente, sobre aqueles que carregam o peso da classificação sobre suas capas: os temidos clássicos.

Um livro é considerado um clássico quando ele pode servir como representante quase absoluto do período em que foi escrito, atravessando gerações sem perder o seu valor e servindo de inspiração para obras futuras (fonte: Universia). É importante lembrar que os livros que atualmente são classificados como clássicos nem sempre carregaram esse título. Alguns, inclusive, foram desvalorizados quando lançados, e somente anos depois sua contribuição para a literatura foi reconhecida. Um exemplo clássico (com o perdão do trocadilho) são os livros da Jane Austen. Os livros de Jane, hoje reconhecidos por suas protagonistas fortes e questionadoras, já foram menosprezados justamente por essa mesma característica – afinal de contas, um livro escrito por uma mulher e que fala sobre mulheres de maneira alguma poderia ser relevante na época (alguns continuam achando isso até hoje, mas vamos deixar essa discussão para outro momento).

E por serem livros antigos, a leitura de clássicos costuma vir acompanhada de algum tipo de empecilho – seja o receio de uma linguagem de difícil compreensão ou de a história ser parada e não prender o leitor. Esses receios parecem ter se popularizado e colocado os livros clássicos em um pedestal, o que é bastante preocupante na minha opinião. Percebo que o panteão dos clássicos passou a dividir os leitores em dois grupos: o primeiro, composto por seres de inteligência superior, capazes de ler um clássico e interpretar todos os seus significados ocultos, e o segundo, onde pertencem os meros mortais, sem vocabulário e capacidade suficiente para ler livros tão cultuados e compreender o que está escrito naquelas páginas. Felizmente existe um terceiro grupo (mais sensato, diga-se de passagem) que acredita que livros são apenas histórias incríveis esperando para serem lidas, e que todo mundo pode e deve ler essas histórias.

Gosto de citar como exemplo um caso que vivenciei ainda na escola. Nosso professor de literatura mandou a turma ler Metamorfose, de Franz Kafka, provavelmente um dos mais metafóricos entre os clássicos. Na época eu e meus colegas sequer desconfiávamos do peso que o livro tinha para a literatura, e passamos incólumes por sua leitura, sem cabeças fundidas ou cérebros derretidos. Todo mundo foi capaz de contribuir para a discussão da história, mesmo não sendo um leitor voraz. Contei essa anedota pois queria exemplificar aquela famosa frase de Jean Cocteau: “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.” Será que se os clássicos não carregassem essa aura de inacessibilidade, haveria tantas pessoas com receio de lê-los?

Eu acredito que sim, e parte da minha missão com o Chovendo Livros é provar que a literatura é para todos, seja clássico, contemporâneo, fantasia ou qualquer outro gênero ou classificação. Tento fazer minha parte falando de livros de maneira descontraída e acessível, pois não acredito haver outra maneira – mesmo quando discuto um livro cuja história é mais densa. Sou contra qualquer tipo de elitização intelectual e sou do time que acha que o conhecimento e as boas histórias devem estar ao alcance de todos.

Outra maneira de incentivar a leitura de clássicos ocorre quando as editoras comunicam seu produto de maneira instigante, incentivando o público a se interessar por aquela história e deixando-o louco para saber a resolução dos mistérios contidos naquelas páginas. Uma editora que recentemente levou autores clássicos para as mãos de leitores das mais variadas faixas etárias foi a DarkSide Books, com sua coleção Medo Clássico. Com uma comunicação divertida aliada a edições caprichadas (que são a marca registrada da editora), a DarkSide Books incentivou diversas pessoas a terem seu primeiro contato com Mary Shelley, Edgar Allan Poe e, mais recentemente, H. P. Lovecraft.

A coleção Medo Clássico, além de propor coletâneas das histórias de autores considerados clássicos, também costuma trazer materiais inéditos em suas edições. No livro de Mary Shelley, além de Frankenstein, temos mais quatro contos da autora, além de prefácios e uma resenha da época em que a história foi lançada. A edição de Edgar Allan Poe divide seus contos de acordo com os protagonistas, traz um prefácio de Charles Baudelaire, além de fotos da casa do autor, localizada na Pensilvânia. Já a edição de H. P. Lovecraft, juntamente com os contos do mestre, traz diversos textos complementares e anotações raras e inéditas. Para todos os livros, a DarkSide Books se preocupa em contratar ilustradores para que desenvolvam um trabalho exclusivo, complementando o conceito de cada edição. É tanto carinho e preocupação para deixar um livro ainda mais especial que fica difícil não querer mergulhar de cabeça nesses clássicos!

Eu nunca escondi minha admiração pelo posicionamento da DarkSide Books em investir na qualidade gráfica de suas edições. O capricho da editora elevou o mercado editorial brasileiro nesse sentido, transformando livros em objetos de desejo. Por esse motivo, fiquei muito feliz quando a Caveirinha (sou íntima) ofereceu um exemplar de H. P. Lovecraft: Medo Clássico para sortear entre os leitores do blog. Para concorrer, basta preencher o formulário abaixo:

a Rafflecopter giveaway

O resultado do sorteio será divulgado na quinta-feira, dia 26/04. Para ser contemplado, o  ganhador precisa residir em território nacional e ter completado direitinho as entradas obrigatórias do formulário.

Por fim, gostaria de reforçar: não deixe de ler por medo ou receio de não compreender a história. A vida é muito curta para não nos permitirmos viver aventuras incríveis – mesmo que elas aconteçam dentro das páginas de um livro.

 

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Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

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1 Comments

  1. Cristiane de oliveira 26 de Abril de 2018

    Os livros dessa editora são maravilhosos, participando!

    Responder

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