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Livros Quadrinhos

Quando os gângsters invadem Hell’s Kitchen

Rafaela Paludo 15 de julho de 2015
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Por incrível que pareça, mesmo após tantas bilheterias de sucesso, minha porta de entrada para os quadrinhos da Marvel foi a série Demolidor, produzida em parceria com o Netflix. Foi ela que me motivou a começar a ler publicações da editora, e minha primeira HQ foi Demolidor: Diabo da Guarda, publicado pela Salvat. Desde então a coisa desandou, e eu praticamente ando lendo só Marvel, quem diria. Desapeguei de guerrinhas bobas entre Marvel e DC Comics, afinal de contas gosto mesmo é de boas histórias (Batman, você ainda é meu preferido, ok?).

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Recentemente adquiri Demolidor Noir, um encadernado de quatro edições que estava esgotado há tempo nas livrarias. Nem preciso dizer que fiquei super feliz e fui correndo para casa ler! Além do excelente enredo, que adapta a história do Homem Sem Medo para o gênero noir, ainda percebi muitas semelhanças da fotografia desse quadrinho com a fotografia da série do Netflix. Inspirada pela dica da Juliane, do blog A world to read, resolvi fazer imagens comparativas entre as cenas de ambos, que vocês poderão conferir ao longo do texto.

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Em Demolidor Noir, nós temos a conhecida história de Matt Murdock adaptada para meados dos anos 1920, onde a Lei Seca estava em vigor nos Estados Unidos e a venda, fabricação e distribuição de bebida alcoólica estava na mão de grandes criminosos. Nessa época, devido ao preconceito e ao acesso dificultado aos estudos, seria praticamente impossível um homem cego se tornar advogado, ainda mais sendo filho de um boxeador (por sinal, uma das motivações desse Demolidor é vingar a morte de seu pai, Jack Murdock). Para se sustentar, Matt trabalhou como circense, onde desenvolveu habilidades acrobáticas. Como forma de se aproximar de seu sonho, ele começou a trabalhar também como assistente informal de seu amigo Foggy Nelson, esse sim um advogado formado.

Na primeira página, vemos o Demolidor encontrando Wilson Fisk em um prédio, após bater muito em todos os seus capangas. Fisk dá a entender que planejou o encontro dos dois, e como todo bom vilão, quer se gabar contando seu plano desde o início. Nessa história contada por Fisk, vemos todos os elementos clássicos das histórias noir, como a mulher bonita e fatal que chega no escritório de advocacia pedindo ajuda, as organizações criminosas, muita chuva e uma paleta de cores composta somente por tons escuros. Por ser um arco pequeno, composto por apenas quatro volumes, qualquer detalhe a mais que eu der sobre a história pode estragar a surpresa de vocês.

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Eu tenho um encanto natural por saber como as coisas foram feitas. Não sei se devo isso à minha formação em Design Gráfico, mas fico ainda mais empolgada com uma coisa quando descubro as referências do autor. A edição da Panini Comics possui um prefácio escrito pelo roteirista de Demolidor Noir, Alex Irvine, feito exclusivamente para essa edição brasileira. Alex conta que um de seus objetivos foi mostrar como um homem de sentidos hiperaguçados poderia ficar extremamente perturbado em um mundo barulhento como o nosso. Em uma cena do quadrinho, vemos Matt Murdock tentando relaxar em casa, sem sucesso, por conta de uma briga entre vizinhos. Isso o deixa com mais raiva ainda do que há de errado na sociedade. Seus sentidos poderiam ser tanto seus aliados como seus inimigos.

Outro ponto trabalhado por Alex Irvine em Demolidor Noir é a confiança demasiada que o Demolidor possui em sua habilidade de detectar mentiras. Ao crer que nenhum ser humano pode enganá-lo, a arrogância do herói pode ser uma arma importante na mão de seus inimigos. Nas últimas páginas do encadernado, temos também uma entrevista dupla com Alex e o ilustrador Tomm Coker, responsável por tornar essa história uma obra-prima visual. Cada virada de página me fez prender a respiração, tanto pelo mistério do enredo quanto pela beleza das cenas. Mesmo com minha pouca experiência no universo dos quadrinhos, posso assegurar que essa dupla fez um trabalho impecável.

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Além dos fãs do herói, Demolidor Noir pode agradar também quem prefere quadrinhos mais sombrios ao estilo Vertigo. Para quem coleciona referências de ilustração, o traço realista e ao mesmo tempo sujo de Tomm Coker é um excelente material. E se você nunca leu nada do Demolidor, pode se jogar sem medo, pois a história de Demolidor Noir é independente de qualquer acontecimento dos outros quadrinhos. Fiquei curiosa para conferir os demais títulos desse especial noir, como Justiceiro, Luke Cage e X-Men. Bem que a Marvel poderia aproveitar o sucesso da série e lançar um Agent Carter Noir, não é mesmo? Boas leituras e não se meta com Wilson Fisk!

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Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

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6 Comments

  1. Juliane 23 de julho de 2015

    Bátima sempre ❤
    Ai que fofa você Rafa, me citou ali ❤❤❤
    Quero dizer que criaram esse ator pra fazer esse papel, não é possível, não existe tanta semelhança assim no mundo, olha a boca, o nariz, o formato do rosto, TUDO!!
    Ai ai ai o Foggy \o/ nossa Rafa, nem te conto, tava me partindo o coração aqueles últimos episódios da série por causa do Foggy, ele é um amorzinho!!
    Pelo visto a série deu uma boa misturada na história dos quadrinhos né?
    Vi na Amazon esse livro um tanto de vezes para comprar, colocava no carrinho, mas nunca comprava. Isso mudou depois de hoje, PRECISO pra ontem!
    Tenho um certo preconceitinho com alguns tipos de traços de quadrinhos, mas não aconteceu com esse, YAY!
    Vou só esperar o meu chegar agora pra começar a ler!
    Beijos Rafa!

    Responder
    1. Rafaela Paludo 27 de julho de 2015

      Momento Peppa: esse quadrinho é MUITO ADULTO hahaha! Aliás, tudo que tenho do Demolidor (ok, são só 3 encadernados, haha) é bem sombrio. Como sei que tu também é fã do Bátima, recomendo muito!

      E sobre o Foggy, também tive o coração partido nos últimos episódios da série ❤ Aliás, acho que o maior acerto da série foi dividir generosamente o foco do enredo com os personagens secundários, como a Karen e o Foggy. No fim, me apaixonei pelo elenco inteiro! E fico tri feliz quando vejo os mesmos personagens aparecendo nos quadrinhos hehe

      Ah, e eu te citei ali pois não teria dedicado um post inteiro ao quadrinho se tu não tivesse comentado no Twitter! Valeu mesmo, Ju :-)

  2. Thyen "Sebastião" Hong 23 de julho de 2015

    Grandessíssima Rafaela!

    Adorei o review e as comparações! Me deixou curioso pra saber como essa história se desenvolve, vou voando procurar uma versão pra comprar!

    Sugiro que leia também as séries Noir do Homem Aranha e Homem de Ferro, para ter uma ambientação melhor do universo. Infelizmente a Marvel meio que só publicou uma versão de cada, mas todos eles funcionam bem como histórias independentes. E alguns deles (em especial Homem Aranha Noir) fazem aparições futuras em crossovers com o universo principal da Marvel.

    Espero ver mais resenhas de quadrinhos Rafaela!

    []s

    Responder
    1. Rafaela Paludo 27 de julho de 2015

      Olá, Thyen!

      Fico feliz que tu tenha gostado da resenha! Esse quadrinho me marcou bastante, adorei tudo nele. Essa edição costuma estar sempre em promo no Amazon, pode aproveitar sem medo, hehe.

      Com certeza vou procurar as outras versões Noir da Marvel, obrigada pelas dicas :-) A Panini andou reimprimindo muitas edições esgotadas, bem que poderiam trazer as continuações, né?

      Beijos!

  3. Juliane 24 de julho de 2015

    Fiz um comentário todo fofo aqui, mas perdi ele :/
    Obrigada pela citação Rafa, sua linda <3
    (BÁTIMA pra sempre!)
    Então Rafa, o Cox é a cara do Demolidor dos quadrinhos!! IGUAL IGUAL! Boca, nariz, formato do rosto e tudo mais!
    Sempre vi essa HQ na Amazon, mas nunca tinha comprado, parece que o jogo virou, não é mesmo? HAHAHA
    Rafa, sua fofa, seu post ficou ótimo!
    (tinha comentado em dois outros posts mas os comentários estão sumindo, não sei o que é isso </3)
    Beijos!

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