Resenha: Caixa de pássaros

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Desde que li sobre Caixa de pássaros, me interessei muito pelo livro. Para quem nunca ouviu falar, a história é uma espécia de Ensaio sobre a cegueira meets Mr. Night Shyamalan, e se passa em um mundo onde as pessoas não podem olhar para a rua ou são acometidas por um desejo incontrolável de se suicidarem. Ninguém sabe ao certo o que ou quem está causando essas mortes. Nós acompanhamos a protagonista Malorie, uma jovem mulher que vive trancada em uma casa com seus dois filhos pequenos (que ela curiosamente chama de Garoto e Menina), e um certo dia decide fugir de barco com eles pelo lago que fica nos fundos dessa casa.

Malorie e as crianças precisam fazer essa viagem vendados, para evitar enxergar qualquer que seja a coisa que está matando as pessoas, o que resulta em diversos momentos de tensão ao longo da narrativa. Minha maior surpresa, no entanto, foi que a história não trataria somente de Malorie no presente, mas sim intercalaria sua atual “aventura” com o que aconteceu no passado e fez com que ela chegasse até ali. Isso foi uma escolha muito assertiva do autor, Josh Malerman, pois criou dois pontos de tensão ao longo do livro. As duas narrativas tornam a leitura de Caixa de pássaros bem acelerada, pois ficamos com o coração na boca, querendo saber o que acontece a seguir. Eu concluí a leitura em cerca de sete horas. Não só foi o livro que li mais rápido na minha vida, mas também o mais fácil, no sentido de que o texto é tão fluido que eu nem via as páginas passarem.

Com a história paralela do passado de Malorie, descobrimos como essa epidemia de mortes começou. Os primeiros casos ocorreram em locais remotos, como o Alasca, mas foi o suficiente para que as pessoas começassem a discutir isso nas redes socias, bolando as mais diversas conspirações e justificativas. Esse foi um ponto bacana no livro, pois reflete exatamente o que aconteceria com as pessoas no Facebook caso algo parecido acontecesse hoje: metade escreveria um textão preocupado e sério e a outra metade compartilharia memes dizendo que é tudo culpa do PT. Malorie começa a achar um exagero as pessoas tapando suas janelas com cobertores e evitando sair nas ruas, até que ela mesma se vê obrigada a buscar, grávida, um lugar para fugir de seja lá o que for isso.

Tive apenas duas ressalvas com Caixa de pássaros. A primeira é que senti que faltou sensibilidade na hora de descrever as sensações dos personagens ao saírem na rua vendados, sentindo o mundo através dos outros sentidos. De qualquer maneira, entendo que isso acontece devido à narrativa rápida. A segunda é que, no meio do livro, temos um único capítulo percebido através de um personagem que não é Malorie. Achei uma solução pouco criativa para resolver o problema de mostrar ao leitor acontecimentos importantes não vividos pela protagonista. Creio que isso me passou ainda menos despercebido pois recentemente li Bonequinha de luxo, e o Capote é o mestre em fazer o leitor saber o que está acontecendo na história através de meios inusitados.

Apesar disso, o livro é uma excelente história de terror. Desde que li estou recomendando bastante para os amigos, e fiz essa resenha justamente com o intuito de recomendá-lo para ainda mais pessoas. Apesar de ser seu romance de estreia, Josh Malerman demonstrou ser muito habilidoso no gênero de suspense/terror, misturado a uma narrativa acelerada onde você até consegue imaginar tudo aquilo acontecendo numa tela de cinema. Aliás, eu não me impressionaria se Caixa de pássaros virasse filme em breve. Boas leituras horripilantes!

Posted by Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

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