LOADING

Type to search

Cinema Diversos

Resenha: Divergente, o filme (2014)

Rafaela Paludo 24 de abril de 2014
Share

04

No último feriado, arrastei a família inteira para o cinema para assistir à adaptação de Divergente. Minha empolgação infelizmente não resistiu até o final do filme, pois percebi diversas incoerências com a história original (o que é comum em qualquer adaptação). O filme, no entanto, também apresentou alguns pontos positivos. Resolvi dividir o texto em tópicos para não esquecer de nenhum ponto que gostaria de observar. Nem preciso lembrar que a resenha conterá spoilers e comparações diretas com a história do livro, então se isso te incomoda de alguma forma, é melhor parar por aqui. Se quiser saber mais sobre a história de Divergente e porque eu sou fã da trilogia, confira essa resenha.

Certa vez, um professor me ensinou que sempre que vamos criticar o trabalho de alguém, devemos fazer um elogio, seguir com a crítica, e finalizar com outro elogio. O primeiro elogio de Divergente vai para a trilha sonora, que inclusive estou ouvindo enquanto escrevo esse post, para dar uma inspiração a mais. Viciei nas músicas pelo menos um mês antes do lançamento do filme, além de ter influenciado muito as minhas expectativas (mais que o trailer). É tudo lindo e contagiante, e faz muito sentido com a história. Não pretendo parar de ouvir tão cedo!

01

Agora que já estou liberada para fazer minhas críticas negativas, vamos lá. O que eu não gostei na adaptação de Divergente:

A pressão psicológica no treinamento da Audácia
Faltou sensibilidade na hora de desenvolver os conflitos psicológicos que os personagens estavam vivendo durante o treinamento na Audácia. Muitas atitudes e diálogos ficaram rasos. O suicídio de Al é uma dessas coisas. Ter perdido a cabeça e tentado matar Tris foi a gota d’água de um problema que começou bem antes.

Peter bonzinho
Peter é o personagem mais cruel da história. Ele é instável e faz de tudo para conseguir o que quer – isso inclui enfiar uma faca no olho do coleguinha, cena que foi omitida do filme. Na adaptação, ele faz um bullying básico, não mais que isso.

A eliminação fajuta da Tris
No livro, a Tris nunca é eliminada durante o processo de seleção da Audácia. Achei que essa mudança deu um tom de superação piegas à personagem, principalmente na cena em que ela corre atrás do trem. Só faltou o Raul cantando no fundo “tente outra veeeeez”. Mas pior que isso foi o Eric, um dos líderes da Audácia, aceitando ela de volta como se nada tivesse acontecido. Ele é um dos personagens mais cruéis da história e jamais teria sido tão compreensivo.

A cena da tiroleza
Essa é minha cena favorita do filme, tive que segurar as lágrimas – e quem leu a trilogia sabe porque. Na história original, os membros da Audácia que esperavam a Tris no final do percurso fazem uma espécie de cama com os braços, para que ela consiga pular e cair em segurança. É uma parte importante, pois é nesse momento que a protagonista começa a ver a bondade e o companheirismo entre os membros da Audácia, além de sentir que realmente poderia viver naquela facção pelo resto de sua vida. No filme, essa parte foi substituída por uma cena clichê de filme de ação em que a Tris quase dá de cara na parede, mas freia no último segundo. Sem mais.

A mudança do conflito final
Quando Tris chega até a sala de controle da Audácia para desligar a simulação que está matando os membros da Abnegação, ela encontra Tobias e apenas ele comandando os computadores. Não tem eletrodos, cientistas e Jeanine Matthews para contar história. Aliás, assim como no caso do Eric, essa foi outra mudança de atitude da personagem que não gostei. Jeanine é o tipo de vilã que dá ordens e jamais correria o risco de estar na linha de fogo.

“Não sou da Audácia, sou DIVERGENTE!”
Quando essa frase foi proferida, eu não me contive. Soltei um (mais alto do que deveria) “QUE TOSCO” no meio do cinema. Sério, roteirista? Ser divergente, além de ir contra o sistema da cidade, é algo muito obscuro na história do livro. Ninguém sai falando que é divergente, porque nem os próprios divergentes sabem exatamente o que isso significa.

Ufa, acho que falei demais! Poderia comentar mais coisas, mas vou poupar vocês do meu apego aos detalhes. Resumindo, o que mais me incomodou foram as mudanças que mexeram com a parte emocional da história, as metáforas, que para mim são o mais importante e foi o que me conquistou em Divergente. Tire isso e você tem apenas uma história distópica, com muitos efeitos especiais e tiroteios, mas sem nenhuma reflexão.

Apesar de tudo o que comentei acima, o filme tem seus pontos positivos, é claro. A direção de arte ficou impecável. Os cenários e figurinos ficaram excelentes, e passaram bem a ideia de cada facção. E eu seria uma herege se não comentasse sobre o Tobias. Theo James nasceu para ser o Four. Ele é melhor do que o Four que eu tinha na minha cabeça, e pela primeira vez não ficarei frustrada por não conseguir imaginar um personagem que não seja o ator do filme quando reler os livros (sofro demais com isso em Harry Potter).

03

Não gosto de dar notas, então para concluir, eu diria: Divergente é um filme bom e que apresenta de maneira clara a história original. A essência do livro se perde quando não se consegue desenvolver as questões psicológicas, mas o enredo básico está lá. É um bom programa para o final de semana. E não esqueça de pedir a pipoca com muita manteiga!

Tags:
Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

  • 1
Previous Article

You Might also Like

1 Comments

  1. Camila Oliveira 27 de maio de 2014

    Ufa, achei que tinha sido a única que não tinha gostado taaaaanto assim do filme. Saí da sala do cinema com uma sensação de que faltou alguma coisa e você disse todas. Foi estranho ver a reação das pessoas nas redes sociais, falando que o filme é SUPER (com muita enfase) fiel ao livro, quando na verdade teve mudanças bem “what the fuck?” e acrescentaram algumas outras coisas muito what the fuck também. Eu sempre vou reclamar da inutilidade da cena que a Jeanine fala que um carro vai levar a Tris para o complexo Audácia e ao invés de terem feito um corte rápido e mostrado a Tris lá no complexo, eles ainda perderam tempo gravando o carro andando e a Tris dentro dele fazendo nada. Eu fiquei “mas pra que essa cena gente?????”. Mas enfim, mesmo com algumas falhas, o filme é realmente bom e espero que Insurgente consiga ser melhor ainda!

    Responder

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *