Resenha: Exorcismo, de Thomas B. Allen

Há muitos anos, quando eu ainda era jovem e Harry Potter só existia até A Ordem da Fênix, fui na biblioteca do colégio procurar algo interessante para ler. Escondidinho, na seção dos livros de terror, encontrei um exemplar de O Exorcista e logo fiquei curiosa. Não sabia que aquele filme tão famoso era inspirado em um livro! Levei ele para casa e lembro de ter passado os dias seguintes com muito medo, porém vidrada na leitura. Durante um bom tempo, O Exorcista ocupou o posto de melhor livro de terror que eu já havia lido.

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Desde que a DarkSide Books anunciou o lançamento de Exorcismo eu fiquei possuída louca. Afinal de contas, o livro conta a história real que inspirou o William Peter Blatty a escrever O Exorcista. Mesmo que nesse meio tempo O Iluminado tenha destronado O Exorcista como melhor livro de terror da vida, ainda assim eu sempre fiquei muito curiosa com histórias envolvendo demônios.

Exorcismo conta a história do jovem Robert Mannheim que, após brincar inocentemente com uma tábua ouija, acaba possuído por um demônio. Após infernizar (literalmente) a vida de seus parentes com os sintomas, a família de Robert decide procurar um padre para realizar um exorcismo no garoto. O ritual dura cerca de quatro meses, muito difíceis e sofridos tanto por parte de Robert como dos jesuítas que assumiram a tarefa. Todos esses acontecimentos são agravados pelo fato de que, bem, eles aconteceram de verdade. E tudo o que Robert e sua família puderam fazer durante esse período era ter fé.

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Antes de ler Exorcismo, você precisa estar ciente de uma coisa: o autor, Thomas B. Allen, buscou escrever um relato jornalístico do ocorrido. Em outras palavras, isso significa que o livro não possui reviravoltas, ritmo acelerado, suspense, etc. Exorcismo é muito assustador se você pensar que tudo aquilo aconteceu de verdade (ao menos segundo as testemunhas entrevistadas pelo autor). Mas não espere uma leitura com ritmo de ficção.

Em uma entrevista para o blog Geeksaw, Thomas B. Allen admitiu não acreditar que Robert estava mesmo possuído. Mas isso não impediu que ele ficasse impressionado com os relatos do Padre Halloran, um dos jesuítas que realizou o exorcismo. Segundo o autor, o padre sempre mostrou-se muito racional, e os dois tornaram-se amigos por conta da pesquisa de Allen sobre o caso de possessão.

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O que eu achei mais interessante em Exorcismo foi justamente algo que chamou minha atenção há anos, quando li O Exorcista: a burocracia de um exorcismo. Ao contrário do que Hollywood nos fez acreditar, não basta chegar e recitar frases da Bíblia para exorcizar um demônio que habita uma pessoa. É preciso, primeiramente, obter a permissão da autoridade católica máxima da sua região. E para conseguir essa permissão, é necessário reunir provas concretas de que o caso não é apenas um problema mental. Os sintomas da possessão são vários, e vão desde falar outro idioma até manifestações sobrenaturais.

Além da história de Robert relatada por Thomas B. Allen, Exorcismo também acompanha um Diário do Exorcista, onde um dos padres que acompanhou o processo manteve um relatório detalhado das sessões de exorcismo, que duraram cerca de quatro meses.

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Exorcismo é imperdível para fãs de O Exorcista (prazer) e entusiastas de manifestações demoníacas. Por ser um relato jornalístico, pode decepcionar alguns leitores, por conta de seu ritmo pouco acelerado. Tenha isso em mente quando pegar Exorcismo para ler! Boas leituras e fique longe de tábuas ouija!

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a DarkSide Books. ♥

Posted by Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

5 comments

  1. Me identifiquei logo de cara com a sua resenha, a diferença é que você quando era criança procurou pelo livro e eu acabei assistindo o filme sem saber absolutamente nada sobre aquilo que eu assistia, com sete anos de idade (guardo uma raivinha das minahs tias que alugaram o dvd na época, até hoje. >.<) e fiquei com aquelas cenas na cabeça por um tempão, e até hoje não gosto de filmes do tipo, mas claro que pretendo ler o livro também por conta da apuração jornalística que Thomas B. Allen deve ter feito em torno deste relato, e porque para mim, "Exorcismo" não é um livro de terror, trás muito mais com ele, e muita coisa que acho bacana se conhecer, por exemplo, a parte burocrática, é um ponto quase crucial nesse livro eu diria.

    A DarkSide mais uma vez fez um trabalho sensacional com esse livro, e acabamos adquirindo não somente um livro com uma história real, e todo os relatos que o autor conseguiu colocar alí (que imagino, não deve ter sido fácil), mas também um daqueles livros que tem aquele jeito de "livro proibido", então até dá um orgulhinho de se ter um "livro proibido" na estante kkkkk

    Abraços,
    Parabéns pela resenha. o/ :3

  2. Achei bem importante você citar que não tem reviravoltas. Muita gente achou que era algum romance que deu origem ao Exorcista, mas não é :) Ótima resenha, parabéns! Bjsss

  3. Acho que nem por um milhão de dólares, eu embarcaria nessa leitura hahaha. Eu sou a pessoa mais medrosa que conheço e essa história em questão me assusta tanto, que sei lá. Lembro que quando assisti fiquei um mês sem dormir, com pesadelos e insônias. Então, nem chego perto hahaha. E por mais que prenda a história é assustador saber que é real, né? Enfim hahaha.

    P.S: adorei o seu blog e o nome dele. =)

    Beijos, Carol
    http://www.pequenajornalista.com

  4. Posso sugerir que seu blog tenha, ao menos uma imagem clicável pra gente voltar para o início? Ou uma barra de acesso lá em cima com Home, Sobre, Redes Sociais… ? Pq sério, esse blog é ótimo, mas bem difícil de navegar.

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