Resenha: Nimona, de Noelle Stevenson

Assim que Nimona começou a ganhar algum destaque no cenário literário internacional eu já fiquei de olho na obra. Afinal de contas, o quadrinho une três elementos que, juntos, dificilmente me desapontam: uma HQ escrita e ilustrada por uma mulher, com uma protagonista mulher e que se passa em um universo fantástico com uma pegada medieval. Aliás, se quiser me sugerir algo do tipo (não precisa necessariamente conter as três coisas que mencionei), a caixa de comentários é serventia da casa, risos.

Originalmente autopublicado por Noelle Stevenson como uma webcomic, Nimona começa contando a história da protagonista homônima que, além de metamorfa, sonha em ser uma vilã. E como Nimona, além de tudo, é muito decidida, ela corre para bater na porta do temível Ballister Coração-Negro – o maior vilão do reino – para tornar-se sua assistente.

Conforme Nimona conhece Ballister, ela percebe que ele não é tão mau quanto dizem por aí. Na verdade, o suposto vilão acaba se mostrando mais justo e escrupuloso que muitos dos guerreiros oficiais do reino, como é o caso de Sir Ouropelvis, que segue as regras da Instituição de Heroísmo & Manutenção da Ordem às cegas. Aliás, por trás da Instituição existe um grande segredo capaz de unir Nimona, Ballister e Ouropelvis em uma busca pela resolução de assuntos inacabados e autoconhecimento.

Não se deixe enganar pelo traço leve e divertido de Noelle Stevenson. Seus desenhos coloridos e despretensiosos revelam um roteiro cheio de reviravoltas e mensagens poderosas de autoaceitação, capaz de abalar até mesmo o mais insensível dos leitores. Considerando que você não é esse tipo de pessoa, eu garanto que a leitura de Nimona é uma experiência compensadora, com o poder de arrancar risadas e lágrimas na mesma proporção.

Em termos de layout e diagramação de quadros, Nimona é uma HQ tradicional. A ação da história fica por conta do roteiro e o excelente uso de cores ajuda com que as diferentes parte da história passem diferentes tipos de sentimento ao leitor. Com um trabalho tão impecável, não é de se surpreender que Noelle Stevenson ganhou o Eisner Award em 2015, com apenas 24 anos – nesse caso, pela série de quadrinhos Lumberjanes.

Nimona é a HQ perfeita para quem é fã de livros de fantasia e quer se aventurar no universo dos quadrinhos. Eu arriscaria dizer, inclusive, que é uma ótima opção para qualquer um que queira arriscar a leitura de um quadrinho e busque por uma protagonista mulher (menina, no caso) que fuja de todos os esteriótipos. É impossível não se apaixonar por essa metamorfa!

Ficha técnica do livro
Título: Nimona
Autora: Noelle Stevenson
Ilustrações: Noelle Stevenson
Tradutora: Flora Pinheiro
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Gênero: Ficção Americana
Páginas: 272

Este livro foi lido e resenhado em parceria com a Intrínseca. ♥
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Posted by Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

One comment

  1. Oi Rafa! Vim correndo do instagram ver o que você achou da HQ.
    Eu ainda não li Lumberjanes, mas tenho vontade. Quanto a Nimona, curti muito, a história, o traço da autora e o desenvolvimento das personagens.
    Gostei de ver uma protagonista forte, guerreira e sem muitas papas na língua, mas teve uma coisa que me incomodou e eu mencionei na minha resenha: a autora se eforçou muito pra criar uma personagem super descontruída, ao passo que, pra mim, passou um pouco do limite e a Nimona ficou forçada em alguns aspectos.
    Tirando essa ressalva, é uma HQ que eu adorei e também super recomendo!
    Bom te ver de volta ao bloguinho!
    Beijos!

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