Resenha: O Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentine

O Circo Mecânico Tresaulti chegou até mim através do Vórtice Fantástico, um grupo de leitura com divisões em vários estados do Brasil, dedicado aos gêneros de ficção científica, terror e fantasia – e que agora também possui sua versão gaúcha, comandada pela Tamirez do Resenhando Sonhos. O livro, publicado pela DarkSide Books, sempre chamou minha atenção pela edição caprichada (marca oficial da editora). Selecionado como o livro de abril no Vórtice Fantástico, não tive mais desculpas para adiar a leitura. Sorte a minha.

Em meio a um cenário pós-apocalíptico, O Circo Mecânico Tresaulti acompanha a história do circo homônimo e de seus integrantes, que tentam sobreviver como podem em um mundo com pouco ou nada de feliz para oferecer aos seus habitantes. O circo é comandado por Boss, uma mulher firme que garante o funcionamento do Tresaulti como deveria. Mas é através de Little George, seu pequeno ajudante, que percebemos a maior parte da primeira metade da história.

Nessa primeira metade, descobrimos a origem d’O Circo Mecânico Tresaulti e de seus integrantes nada convencionais. Através da magia de Boss, os artistas são transformados em verdadeiros ciborgues steam punks, conferindo-lhes características ideais para o trabalho arriscado no circo. O espetáculo do Tresaulti acontece na seguinte ordem: os malabaristas, as dançarinas, o homem forte, os equilibristas, os saltadores e as trapezistas. Há muito tempo atrás, a apresentação era finalizada pelo incrível Homem Alado, que deixava o público boquiaberto quando voava pela lona do circo. Hoje, no entanto, ele não faz mais parte do Tresaulti, e suas asas jazem estáticas na oficina de Boss.

Conforme conhecemos mais sobre os integrantes do circo, descobrimos que as asas do Homem Alado, apesar de aposentadas, seguem vivas na alma de seus colegas – em um misto de saudade e desejo de vê-las funcionando novamente. Penduradas de maneira imponente e sempre à vista de Boss, as asas possuem um segredo cujo alguns integrantes do Tresaulti são capazes de dar a vida para descobrirem, enquanto outros farão de tudo para impedir que isso seja revelado.

Contando desse jeito, parece até que estou falando de uma história de suspense. Mas O Circo Mecânico Tresaulti vai muito além da disputa pelas asas do Homem Alado. A mitologia do circo mecânico é uma alegoria – belíssima – que discute temas como a morte, a ligação profunda entre duas pessoas (longe de ser um romance) e a lealdade aos outros e a si mesmo. Tudo isso embalado pelo clima melancólico do circo, pela incerteza e pela sensação de não pertencer a um lugar fixo.

Eu mencionei que boa parte da história é narrada por Little George, mas todos os integrantes do circo brilham dentro e fora do espetáculo, entregando para o leitor o seu ponto de vista. Alguns capítulos são narrados em terceira pessoa, possibilitando conhecer os personagens sob vários ângulos. A narrativa vem e volta no tempo, intercalando passado e presente. O sentimento é de que todos os personagens são essenciais, protagonizando o livro à sua maneira. Separados, eles enfrentam seus próprios dilemas; juntos, eles são as engrenagens (literalmente) que mantém o Tresaulti.

Na segunda parte do livro, o cenário pós-apocalíptico, que até então parecia apenas um pano de fundo, passa a influenciar a história diretamente. Buscando reconstruir a civilização através da ordem, um homem do governo vê nos integrantes do circo – e na magia de Boss – uma forma de criar soldados poderosos e resistentes. O medo de acabarem vivissecados em uma mesa de laboratório e o desejo de sobreviver fazem com que os integrantes do Tresaulti encontrem maneiras inesperadas – e emocionantes! – para escapar dessa situação.

Para acompanhar a leitura d’O Circo Mecânico Tresaulti, eu sugiro fortemente que você escute uma playlist com músicas de piano. Essa climatização foi o toque final para que eu ficasse completamente imersa na história criada por Genevieve Valentine. Clique aqui para ouvir minha sugestão de playlist para ouvir lendo O Circo Mecânico Tresaulti. Aliás, vou começar a reparar mais nessa coisa de combinar livros com músicas. Não imaginava que podia fazer tanta diferença na minha experiência de leitura!

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Espero que eu tenha te convencido a dar uma chance para a autêntica história d’O Circo Mecânico Tresaulti. Não esqueça de contar nos comentários o que você achou da resenha. Também me conte se há algum outro livro ambientado em circo que marcou sua vida. Boas leituras e bom espetáculo!

Posted by Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

3 comments

  1. Pingback: Resenha: Feita de fumaça e osso, de Laini Taylor | Chovendo Livros

  2. Depois dessa resenha, preciso ler o meu ASAP!
    Por que estou enrolando tanto para ler?
    O que pode ser mais importante do que ESSE LIVRO?
    Essa Tamirez é uma fofa né?
    Vou ler ouvindo a playlist que você recomendou, vai ser uma experiência nova para mim!
    Depois venho te contar o que achei de tudo!
    Beijos Rafa!

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