Semana especial: Piano vermelho – Personagens

Hoje, no terceiro post da semana especial de Piano vermelho, vamos falar sobre os personagens da história. Se você ainda não conferiu os textos anteriores, clique aqui para ir para a resenha do livro e aqui para a comparação entre Piano e Caixa de pássaros. Só avisando que esse post pode conter spoilers sobre a história de Piano vermelho, então sugiro só continuar a leitura se isso não lhe importar.

Eu sou do time que acha que uma boa construção de personagens pode me fazer relevar algumas incoerências do universo criado pelo autor (no caso de histórias fantásticas). Acredito que um personagem complexo, coerente e interessante acaba por despertar escolhas autênticas no enredo, dando vida à obra tanto quanto quem escreve.

Em Piano vermelho, nosso protagonista, Philip Tonka, é um músico de 30 e poucos anos com uma fama considerável. Já participou da banda do exército, motivo pelo qual os oficiais buscaram sua ajuda para identificar a origem do misterioso som que estava atordoando pessoas e desativando armas. Philip possui uma relação muito íntima com a música e a inspiração para compor, e essa ligação é o que motiva o personagem a aceitar o convite do exército e embarcar na missão para o deserto do Namibe, na África.

Philip é muito apegado aos outros integrantes da Os Danes, banda da qual é pianista. Todos tocaram juntos no exército mas, apesar do sucesso anterior, não conseguiram mais emplacar nenhum sucesso após o fim da Segunda Guerra Mundial. Seus companheiros de banda também embarcam para o deserto do Namibe e o laço afetivo entre eles ajuda a tornar dolorosa cada perda ao longo da expedição, conforme o som se revela.

Ainda no cenário do passado, já que a história de Piano vermelho possui duas linhas temporais, temos o sargento Lovejoy, um misterioso homem que resolveu continuar no exército mesmo após ser rebaixado. Lovejoy é um personagem intrigante que garante boas revelações ao longo do livro, porém senti um certo exagero em seu comportamento em alguns momentos. Em todo caso, é comum que soldados que lutaram em guerras apresentem traços de estresse pós-traumático e comportamentos considerados estranhos, então aceitei de peito aberto as bizarrices que Malerman escreveu para ele.

De volta para o presente, temos dois personagens que se destacam: primeiro, o Dr. Szands, um médico psiquiatra que parece ter saído diretamente de um filme de terror. Além de não demonstrar a menor empatia pela situação de Philip, Szands consegue a proeza de apresentar comportamentos mais estranhos que os do sargento Lovejoy. Seu foco é curar Philip dos ferimentos causados pelo som, já que o exército parece ter mais algum interesse no músico.

Segundo e mais problemático, temos a enfermeira Ellen, que posteriormente se torna aliada de Philip e está determinada a salvar nosso protagonista das mãos do Dr. Szands. O que me incomodou na personagem foi o fato de, em determinado ponto da história, ela desenvolver uma paixonite súbita por Philip. Conforme conhecemos sua história antes de trabalhar no hospital Macy Mercy, entendemos a carência de Ellen e de onde vem sua necessidade de cuidar dos outros. Mas a maneira como ela abre mão da própria vida pelo músico e sobrepõe os interesses dele aos dela me fez questionar esse relacionamento conveniente.

Fui objetiva na descrição dos personagens e fiz questão de ressaltar o principal ponto que chamou minha atenção em cada caso. No entanto, como falei na resenha de Piano vermelho, o clima de terror e estranheza desse livro não funcionou para mim, assim como a construção de alguns personagens. Os papéis estereotipados (Szands como o vilão, Ellen como a mocinha, por exemplo) me incomodaram de verdade, pois a todo momento eu fiquei esperando que esses personagens saíssem de seu próprio clichê.

De qualquer forma, acho importante que cada um tire suas próprias conclusões, e é por isso que incentivo a leitura de Piano vermelho. Aliás, gostaria muito de debater com alguém que já tenha lido e gostado da história! Se está curioso(a), não deixe de participar do sorteio que está rolando aqui no blog (clique aqui para participar). Se quiser mais um gostinho, recomendo ouvir esse teaser feito pela Editora Intrínseca:

Boas leituras macabras!

Posted by Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

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