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Livros Resenhas

Sobre mães controladoras e filhos psicóticos

Rafaela Paludo 25 de outubro de 2015
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Dentre alguns poderes especiais que possuo, evitar spoilers talvez seja o mais útil. Consegui sobreviver até meus vinte e poucos anos sem saber o final de filmes como O Sexto Sentido, O Iluminado e Psicose. Coincidentemente, esse último foi baseado em um livro homônimo, escrito por Robert Bloch, e foi escolhido como a leitura do Clubinho no mês de outubro. Fiquei empolgada por ainda não saber a história (sabia somente sobre um motel e um assassinato no chuveiro) e pela possibilidade de conhecer um clássico. E assim mergulhei na mente perturbadora de Norman Bates.

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A maioria de vocês já deve saber o que se passa em Psicose, afinal sou a única sem cultura cinematográfica com poderes especiais de evitar spoilers, mas ainda assim vou discorrer sobre a história. Mary Crane é uma secretária que trabalha em uma imobiliária na cidade de Phoenix. Certo dia um cliente resolve pagar seu imóvel em dinheiro vivo, e Mary fica responsável por depositar esse montante no banco. Seu noivo, Sam Loomis, que morava em uma cidade afastada, havia prometido casar-se com Mary assim que quitasse algumas dívidas. Com o dinheiro em mãos e vislumbrando a oportunidade perfeita de realizar seu sonho, Mary inventa uma dor de cabeça para o chefe e resolve fugir com o dinheiro até Max. É importante contextualizar que estamos em 1950 e, aparentemente, confiar 40 mil dólares à sua funcionária não parece grande coisa.

Então Mary parte para sua viagem de cerca de três horas. O que ela não esperava era um temporal digno de uma história de terror, que a obrigou a parar em um motel de beira de estrada para passar a noite. Acho que esse motel dispensa explicações, certo? Mary é recepcionada por Norman Bates, o dono do estabelecimento. Ele a coloca no quarto número 1, ao lado de seu escritório, e após algumas conversas, convida Mary para lanchar em sua casa, logo atrás do motel. Ela hesita, mas acaba aceitando o convite.

Após a refeição, ambos começam a conversar sobre aleatoriedades. Mary fica curiosa em saber porque Norman vive em um lugar tão remoto e com baixo movimento. Ele responde que precisa cuidar de sua mãe, que está muito doente e não tinha condições de deixar a casa. Mary sugere um asilo, o que deixa Norman visivelmente irritado. Cansada, ela aproveitou a deixa para voltar ao seu quarto, mesmo Norman se desculpando e pedindo para que ficasse mais um pouco.

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Ao chegar no dormitório, Mary vai direto para o chuveiro. E aqui chegamos ao derradeiro momento: banheiro, chuveiro, cortina, assassinato. Ao ser atacada, Mary nos descreve, rapidamente, um rosto maquiado, com as bochechas marcadas de vermelho e um coque. Como uma velha senhora. Sim, uma das cenas mais famosas do cinema acontece no início da história, e nada mais é do que o ponto pelo qual a trama de Psicose vai se desenrolar. A partir do desaparecimento de Mary, Lila (sua irmã) e Max (o noivo que falei no início) começam a investigar o caso.

Ao longo dos capítulos, nós conhecemos melhor a relação doentia de Norman com sua mãe, Norma Bates. Norma é ciumenta e odeia que o filho se aproxime de mulheres “aproveitadoras e impuras”. Ela exige que Norman tome conta de sua saúde debilitada, o que ele faz com preocupação e afinco. Mas quando a Mãe se irritava (é assim que Norman refere-se à matriarca, em maiúsculo), ela preferia resolver as coisas à sua própria maneira.

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Assisti à adaptação de Psicose um dia após terminar o livro, com a história fresca na cabeça. O filme honra seu título de clássico, com a ótima interpretação dos atores e a direção maestral de Alfred Hitchcock. O cineasta investiu todas as suas economias em Psicose, comprando até mesmo todas as cópias do livro disponíveis no mercado. Dessa maneira, o público não tomaria conhecimento do final da história antes da estreia do filme.

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O que mais me surpreendeu em Psicose foi a narrativa rápida e cheia de acontecimentos. Considerando que é um livro escrito há mais de 60 anos, esperava algo mais devagar e sóbrio. Simplesmente adorei! Psicose é meu novo presente oficial para os amigos leitores, pois acho difícil alguém não gostar (e se apavorar) com a história de Robert Bloch.

E você, já leu Psicose? Prefere a versão do Hitchcock? Conte nos comentários o que você mais gosta na história perturbadora de Norman Bates. Boas leituras e cuidado com onde for passar a noite!

Rafaela Paludo

Apaixonada por livros, dias chuvosos e xícaras de chá.

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4 Comments

  1. Tamirez 2 de novembro de 2015

    Sabe que eu também me saio bem com os spoilers. Apesar de já ter lido várias coisas sobre essa história e ter certeza que já vi esse filme em algum momento da minha vida, semana passada eu recebi esse livro e quero muito ler, pois não tenho certeza de qual é o fim da história.
    E você tendo dito que a narrativa é bacana, ajuda a por ele mais pra cima na lista de próximas leituras :D

    (e confesso que não li de cabo a rabo, exatamente prq agora que vou definitivamente ler, não quero pegar spoilers MESMO hahahah)

    Beeeijo
    http://resenhandosonhos.com

    Responder
    1. Rafaela Paludo 2 de novembro de 2015

      Oi, Tamirez! Garanto que tu vai amar Psicose, é muito envolvente, principalmente pra quem não sabe o final, haha! Depois quero conferir tua resenha e saber o que tu achou :) Beijos!

  2. Juliane 10 de novembro de 2015

    Sinto que devido ao nosso nível de amizade não preciso nem dizer mais que não li o livro pq tenho medo né? E é um medo que veio transferido do filme (que também não vi) HUEHUEHUEHUHEUHE, porém estou CURIOSISSIMA pra descobrir o que aconteceu com a Mary, MUITO mesmo!
    E também quero descobrir qual essa treta da mãe do Norman, pensa ter uma sogra dessas?
    Rafa, infelizmente esse é um livro que não tenho a intenção de ler, apesar da curiosidade xD
    Então vou só dar uma pesquisada por spoilers no google e torcer pra não aparecer nada assustador :x
    Beijos Rafa!

    Responder
    1. Rafaela Paludo 15 de novembro de 2015

      Vou te dar um spoiler então: o segredo para a mãe do Norman está no nome do livro/filme! TANTANTAAAAAN! hahahaha
      O assustador mesmo está no psicológico, e não nas cenas. Então pode ficar tranquila que tu não levará nenhum susto a la O Exorcista huehuehue
      Beijos, Ju!

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